sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Copom prevê alta de energia de 27,6% neste ano

 

BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) alterou substancialmente a previsão para a inflação de tarifas públicas no Brasil. Aumentou a projeção de alta dos preços administrados de 6% para 9,3% neste ano. Os principais motivos desse salto foram a previsão de elevação de 8% na gasolina porque o governo aumentou os impostos no início deste ano e de nada menos que 27,6% nos preços da energia elétrica por causa da seca no país.

No começo de janeiro Eduardo Braga, ministro de Minas e Energia, disse que o aumento médio nas tarifas de eletricidade no país em 2015 ficará abaixo de 40% "com certeza", rebatendo previsões de analistas do mercado financeiro que estimavam a alta superior a este patamar. Outros estimam algo em torno de 30% a 35%.

Incertezas no setor elétrico e as novas altas nos impostos, sobretudo os que impactam no preço da gasolina e que começam a valer em fevereiro, são os principais motivos para que os analistas do mercado financeiro esperem que a inflação oficial do ano ultrapasse o teto da meta do governo, de 6,5%. Cada vez mais há a expectativa que o IPCA feche 2015 acima de 7%, o que seria o pior ano da inflação desde 2004.

 

Ficou mais difícil e mais visível

 

Este não é um texto para tentar convencer apaixonados e cegos quer vivem “embarcando” nas opiniões que garantem que “ninguém é melhor que o Sampaio Corrêa”. Esta é mais um texto reflexivo que tenta ser coerente e analítico a partir de um ponto de vista de quem é desportista.

No ano passado (2014) escrevemos para tentar analisar e mostrar que, como verdadeiro oásis no combalido, amador e falido futebol maranhense (exemplo: uma competição amadora que teve o objetivo de medir alguma coisa, envolvendo Náutico – de menor torcida em Pernambuco; Vitória – de quem não se conhece um único torcedor em São Luís ou no Maranhão; Moto e Sampaio programada com ingressos muito caros a uma semana do final do mês, que apanhou o torcedor sem dinheiro) que se perpetua no buraco a cada dia que passa.

O assunto pensado diz respeito ao Campeonato Brasileiro da Série B. No ano passado, para desagrado de parte dos torcedores do representante maranhense, mostramos por A + B que o Sampaio Corrêa não deveria sequer “pensar” no acesso, pois não tem estrutura de nenhum nível para fazer parte da elite. Não tem estrutura organizacional, não tem estrutura financeira e, principalmente, não tem estrutura de planejamento.

Fez muito o time tricolor e pode ser considerado vitorioso por ter permanecido entre os disputantes da Série B – ser for convenientemente administrado poderá diminuir as dívidas trabalhistas e encaminhar (aí sim!) um planejamento financeiro para as temporadas de 2015 e 2016. Ainda não é hora de “pensar” em subir para a Série A, pois nada mudou em planejamento e administração – continua centralizado numa única cabeça.

E, com certeza, neste ano de 2015 o acesso ficou ainda mais difícil, ao contrário do que continuam dizendo que, “nenhum time é superior ao Sampaio”!

Alguém tinha dúvidas que o Vasco da Gama voltaria à Série A? Ninguém tinha certeza era no acesso do Joinville, do Avaí e da Ponte Preta. E o Vasco confirmou as previsões, e voltou.

Agora, peguemos como exemplo os clubes que estão na Série B em 2015. São, como de hábito, 20 clubes. Analisemos um a um. Depois disso, poderemos afirmar que serão 17 clubes “brigando” por uma vaga do acesso. Apenas uma vaga estará disponível – se bem conhecemos o futebol brasileiro. Ou será que alguém tem dúvidas que, Botafogo, Bahia e Vitória voltarão?

Quem de 20 tira 3, quantos ficam?

Depois, analisem os 17 que ficam para disputar essa única “vaga” do acesso.

Será que algum “nerd” vai querer mostrar que, para a CBF, o Sampaio Corrêa é mais importante de alguma forma que o Bahia ou o Vitória? Será que, como aconteceu com o Vasco em 2014, alguém tem dúvida da volta do Botafogo?

No mesmo nível técnico – mas com melhor estrutura financeira – do Sampaio Correa, podemos listar: América/MG, Ceará, Criciúma, Santa Cruz e Paysandu, sem contar os preocupantes Atlético/GO, Boa Esporte e Macaé.

Fora daqui, os dirigentes do Ceará acordaram cedo para esse raciocínio. A partir de então investiram- e estão investindo – na montagem de um time superior ao do ano passado, além de procurar manter os melhores jogadores da base de 2014, como Luís Carlos, goleiro; Sandro, zagueiro; Ricardinho, meia; Magno Alves, atacante. Contrataram reforços pontuais e importantes como William e Marcos Aurélio, além dos meio-campistas Wesley, Eloir e Uillian. Mudaram até o treinador.

O Ceará de 2015 não é muito diferente do Ceará de 2014, mas nunca é demais lembrar que o de 2014 não atingiu os objetivos do retorno para a elite. E é assim que se pensa profissionalmente. Além de que, o ano de 2014 era emblemático para o alvinegro cearense, pois marcou um século de fundação.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Doleiro afirma ter pago R$ 3 mi a chefe da Casa Civil de Roseana Sarney

 

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

O doleiro Alberto Youssef, principal alvo da Operação Lava Jato, afirmou em sua delação premiada à Polícia Federal que pagou, em 2013, propina de R$ 3 milhões para João Abreu, então chefe da Casa Civil do governo Roseana Sarney (PMDB), no Maranhão, para viabilizar o pagamento de um precatório de R$ 113 milhões da Construtora Constran.

"Foi acertado que o valor seria parcelado mediante acordo entre a UTC/Conbstran sendo fixada uma comissão da ordem R$ 10 milhão a ser pago pela empresa", revelou Youssef. "Mediante um acerto com João Abreu ficou combinado que ele receberia parte do comissionamento, ou seja, R$ 3 milhões.

"Em depoimento no dia 24 de novembro do ano passado, Youssef revelou que sua parte na transação foi de R$ 4 milhões e que o valor foi retirado na empresa UTC - empresa que se associou à Constran. Youssef prestou longa sucessão de depoimentos às autoridades da Lava Jato. No termo de colaboração 51, o doleiro revelou que "por volta de julho ou agosto de 2013" se encontrava na sede da UTC com dois executivos do grupo, Walmir Pinheiro e Augusto Pinheiro.

"Foi feita uma reunião onde estava presente João Abreu, na época chefe da Casa Civil do Estado do Maranhão, a contadora Meire Poza e um procurador do Estado (do Maranhão)", afirmou Youssef.

O precatório no valor de R$ 113 milhões seria vendido por R$ 40 milhões, sendo que o governo do Maranhão participaria da negociação, por meio de um fundo de investimentos e pagamento de propina.

Youssef afirmou ainda que Adarico Negromonte, irmão do ex-ministro de Cidades Mário Negromonte, e Rafael Ângulo Lopes - carregadores de malas do esquema desbaratado na Petrobrás - e uma terceira pessoa levaram duas parcelas de R$ 800 mil reais do montante.

Youssef afirmou ainda que ele mesmo levou outra parcela de R$ 1,4 milhão "o qual ele entregaria na data em que foi preso", em um hotel em São Luiz (MA), no dia 17 de março do ano passado. O doleiro afirmou não saber se João Abreu consultou a então governadora Roseana Sarney, que deixou de ter direito a foro privilegiado. Youssef diz, porém, que o chefe da da Civil afirmou ser interesse do Estado "pagar essa dívida".

 

 

Primeiro-ministro do Japão diz que Tóquio "não se curva perante os terroristas"

 

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse hoje que Tóquio “não se curva perante os terroristas”, após a divulgação de uma mensagem em que um dos reféns japoneses do grupo Estado Islâmico afirma que o companheiro de cativeiro foi executado.

“O Japão vai contribuir na luta da comunidade internacional a favor da paz e contra o terrorismo”, acrescentou Abe no final de uma reunião de emergência do governo de Tóquio, que foi convocada logo após a difusão da gravação.

No registro de áudio, difundido através da rede social Twitter por simpatizantes do Estado Islâmico (ISIS na sigla em inglês), o jornalista japonês Kenji Goto, refém dos extremistas, afirma que o companheiro de cárcere foi executado.

“Não tenho palavras nem imagino a dor da família. Trata-se de um ato terrorista indesculpável e uma barbaridade imperdoável. Estou indignado e condeno-o energicamente”, disse o primeiro-ministro sobre a mensagem que informa sobre a execução de Yukawa, empresário japonês, refém do Estado Islâmico desde 2014, na Síria.

O chefe do Executivo disse ainda que o governo está fazendo todos os esforços necessários para solucionar a situação do jornalista japonês, refém do Estado Islâmico, pedindo para que não lhe façam mal e para que seja libertado de imediato.

Após a difusão das notícias sobre a gravação, a mãe de Goto, Junko Ishido disse que no registro de áudio nota que o filho está “nervoso” diante da proximidade da execução acrescentando que “não pode estar otimista” sobre a situação.

Num vídeo divulgado esta semana, o Estado Islâmico ameaçou matar dois japoneses - o empresário Haruna Yukawa e o jornalista Kenji Goto - se o Governo japonês não pagasse US$ 200 milhões de dólares (172 milhões de euros) no prazo de 72 horas.

Viúvo de 42 anos, Haruna Yukawa foi sequestrado em meados de agosto do ano passado, enquanto alegadamente dava apoio logístico a um grupo rebelde envolvido na guerra civil síria e rival do Estado Islâmico, sendo que a presença do japonês na região nunca foi totalmente explicada.

Kenji Goto, jornalista de 47 anos, tinha se deslocado ao território sírio controlado pelos extremistas no início de outubro, com a intenção de cobrir o conflito no terreno e deveria ter regressado ao Japão no dia 29 do mesmo mês.

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Teatro José de Alencar: visitas guiadas são atração nas férias para fortalezenses e turistas

 

Diário do Nordeste

 

O Theatro José de Alencar completa, em 2015, 105 anos, e marca a data renovado Foto: Divulgação

O Teatro José de Alencar completa, em 2015, 105 anos, e marca a data renovado

 

 

Já que muita gente está de férias e não teve a oportunidade de viajar, que tal (re)descobrir um dos espaços mais belos de Fortaleza?

O Teatro José de Alencar completa, em 2015, 105 anos, e marca a data renovado, após a conclusão da primeira fase das obras de conservação e recuperação realizadas pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará.

Um motivo a mais para conhecer em detalhes esse teatro, que é um verdadeiro monumento, incluindo ainda seus jardins e o prédio anexo, que formam um complexo cultural com mais de 12 mil metros quadrados de área.

Com 40 horários de visitas guiadas por semana, de terça-feira a domingo, o teatro está de portas abertas para fortalezenses e turistas. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1964, é um patrimônio universal, pelo valor arquitetônico, paisagístico, artístico, histórico e cultural. Por isso, revela uma importante fonte de descobertas e conhecimento em diversas áreas de estudo.

As visitas são conduzidas por servidores do próprio teatro e passam pelos múltiplos espaços do equipamento. O deslumbramento já começa já na entrada, com a fachada em alvenaria voltada para a Praça José de Alencar. Antes de chegar à imponente sala de espetáculos, o visitante pode apreciar o frontal, transpor as portas enormes, circular pelo pátio nobre ao ar livre e se maravilhar diante da fachada interna metálica, com uma parte de vidro transparente e outra em vitrais multicoloridos.

No primeiro bloco, encontramos um salão nobre multifuncional, nos altos do foyer, com capacidade para até 120 pessoas, servindo como sala de concerto e para espetáculos cênicos, lançamentos editoriais, entre outras atividades. Os adornos no teto e as pinturas nas paredes fazem desse salão mais um espaço de contemplação das artes, o mesmo espaço que já foi ateliê para dois grandes artistas plásticos cearenses, Raimundo Cela (1890-1954) e Ramos Cotoco (1871-1916).

Novos olhares - Uma vez por lá, não deixe de contemplar o mais exuberante exemplar da arquitetura de ferro no Brasil: a estrutura metálica que forma as escadarias, a fachada interna e os gradis que dividem as frisas e os camarotes nos andares superiores foram confeccionadas em Glasgow, na Escócia.

Outro detalhe bacana é que a farta luz do Ceará dispensa iluminação artificial, além do que, o visitante vai se admirar com a possibilidade de observar através dos vidros transparentes da fachada interna o vaivém da cidade lá fora, fazendo do teatro um dos raros monumentos de palco à italiana a partir do qual se pode ver a rua.

Na visita, há a oportunidade também de conhecer o que fica sob o palco, invisível à plateia, como o porão com camarins coletivos, e acima dele dois camarins individuais.

Jardins de Burle Marx - Já a área externa do José de Alencar é outro espetáculo, com a natureza e as condições criadas pelo paisagista Roberto Burle Marx (1990-1994). Os jardins projetados por ele reúnem mais de 50 espécies de plantas dos cinco continentes, como amostras de cajueiro, jucá, juazeiro, macaúba, oitizeiro, palmeira, pau-brasil, pau-ferro e a maior cascata verde do Ceará, uma thunbergia de mais de dez metros de altura. O primeiro jardim foi inaugurado em 1975 e o segundo, com atual desenho, em 1991. O espaço mantém ainda um palco ao ar livre, também para apresentações artísticas.

Anexos - Por fim, no prédio anexo, após o restauro finalizado em 1991, encontramos a Galeria Ramos Cotoco, a Biblioteca Carlos Câmara, a Praça Mestre Pedro Boca Rica, o Teatro Morro do Ouro, a Sala de Canto Paulo Abel, a Sala de Dança Hugo Bianchi, a Sala de Música Jacques Klein, a Sala de Teatro Nadir Papi Saboia, além das oficinas de iluminação, figurino e cenotécnica e de outras salas disponibilizadas para ensaios e encontros de solistas e coletivos artísticos.

Da entrada principal aos bastidores e anexo do Teatro José de Alencar, o passeio dura entre 30 e 50 minutos. Há um roteiro básico que pode variar de acordo com o interesse dos visitantes, sozinhos ou em grupo.

Ah, e embora, desde ontem tenham começado os trabalhos de restauro das pinturas artísticas do teto da plateia, as visitas guiadas estão mantidas, obedecendo aos critérios de segurança.

Serviço:

Onde fica: Rua Liberato Barroso, 525 – Praça José de Alencar – Centro

Visitas guiadas: Terça-feira a sexta-feira: 9, 10, 11, 12, 14, 15, 16 e 17 horas. Sábados, domingos e feriados: 14, 15, 16 e 17 horas

Admissão: R$ 4,00 (meia R$ 2,00). No entanto, a entrada é gratuita para grupos de escolas públicas, organizações não governamentais e projetos sociais previamente agendados. Também não é cobrado ingresso para todos os visitantes no dia 17 e no último domingo do mês.

Agendamentos: (85) 3101.2566 – 3101.2567.

 

 

Marta volta a atacar Dilma: 'Vaca engasga de tanto tossir'

 


 

SÃO PAULO - No dia da primeira reunião ministerial do novo governo Dilma Rousseff, a ex-ministra e senadora Marta Suplicy (PT-SP) coloca mais lenha na fogueira da crise do partido e afirma que falta transparência ao governo. Em artigo publicado na “Folha de S. Paulo” e divulgado à imprensa por sua própria assessoria, a senadora escreve que, “se tivesse havido transparência na condução da economia no governo Dilma, dificilmente a presidente teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro”.

Marta, que no começo do ano deu uma entrevista com fortes críticas a Dilma e ao PT, dizendo que ou o partido “muda ou acaba”, lembrou nesta terça-feira que a presidente afirmou em seu discurso de vitória que manteria seus compromissos de campanha. “Nem que a vaca tussa”, salientou Marta sobre expressão usada por Dilma para afirmar que não mexeria em direitos e conquistas trabalhistas.

Para a senadora, se tivesse havido transparência, “não estaríamos agora tendo de viver o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição de direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos e o aumento de impostos, fazendo a vaca engasgar de tanto tossir”.

A senadora, que foi ministra dos governos Lula e Dilma (Turismo e Cultura, respectivamente), queixou-se do silêncio da presidente sobre a escolha do ministro da Fazenda, Joaquim Levy: “sem nenhuma explicação, nomeia-se um ministro da Fazenda que agradaria ao mercado e à oposição. O simpatizante do PT não entende o porquê. Se tudo ia bem, era necessário alguém para implementar ajustes e medidas tão duras e negadas na campanha? Nenhuma explicação”.

Para Marta, no entanto, não fica claro ainda se Dilma apoia as decisões da equipe econômica, já que “ela logo desautoriza a primeira fala de um membro da equipe e depois silencia”. A senadora comenta ainda que a própria Fundação Perseu Abramo, entidade do PT, criticou as escolhas do econômicas do governo.

“O PT vive situação complexa, pois embarcou no circo de malabarismos econômicos, prometeu, durante a campanha, um futuro sem agruras, omitiu-se na apresentação de um projeto de nação para o país, mas agora está atarantado sob sérias denúncias de corrupção”, dispara a ministra, ressaltando que “nada foi explicado ao povo brasileiro, que já sente e sofre as consequências e acompanha atônito um estado de total ausência de transparência, absoluta incoerência entre a fala e o fazer, o que leva à falta de credibilidade e confiança”.

Para Marta, a esse cenário somam-se as crises hídricas e energéticas, o que deixa o “palco montado”: “A peça se desenrola com enredo atrapalhado e incompreensível. O diretor sumiu”, finaliza a ex-ministra.

O presidente nacional da legenda, Rui Falcão, não quis comentar as declarações da ex-ministra. Rui foi secretário de governo de Marta em São Paulo e era um de seus principais aliados. Ainda assim não escapou das críticas de Marta, que o acusou de fazer parte de um “complô” com o publicitário João Santana para inviabilizar uma eventual candidatura do ex-presidente Lula no ano passado.

CRISE COM O PT

Ex-prefeita de São Paulo, Marta tem se ressentido de falta de apoio do partido. Nas últimas campanhas, de 2012 e do ano passado, deu apoio protocolar aos candidatos a prefeito, Fernando Haddad, e a governador, Alexandre Padilha. No final do ano, foi implacável com o Padilha, seu ex-colega de ministério, que anunciou em primeira mão pelo Twitter o nome do sucessor de Marta na Cultura, Juca Ferreira. “Nada mais sintomático do que Alexandre Padilha, aquele que foi rejeitado pelo povo paulista, nas últimas eleições, para anunciar Juca Ferreira no Ministério da Cultura”, escreveu Marta, complementando que Ferreira, quando fora ministro da Cultura, havia promovido “desmandos” dos quais a população brasileira não “fazia ideia”.

Era o anúncio de que Marta, que pretende concorrer às eleições municipais de 2016, iniciava uma guerra contra seu próprio partido. Em seguida, em entrevista ao “Estado de S. Paulo”, a senadora fez críticas severas ao PT e ao governo. Até agora, a posição do partido tem sido de aguardar, sem causar mais fissuras na relação. O PT descarta a expulsão da ex-ministra e afirma que não há quebra de preceitos de seu estatuto.

Coordenador da Construindo um Novo Brasil (CNB), tendência majoritária do PT do qual Marta faz parte, Francisco Rocha, o Rochinha, rejeita a ideia de expulsar a ministra, mas não esconde a irritação com as declarações da petista. Para ele, “alguém precisa conversar com a Marta, que está magoada”. Ele, no entanto, não procurou a ex-ministra.

— Para expulsar a Marta pelo que ela fala, o PT teria de fazer uma lista enorme (de expulsões). Ela tem de parar. Alguém tem de sentar com ela e conversar. Não aceito que nenhum petista cuspa no prato em que comeu. Nem eu, Rochinha, nem ela, Marta.

Ex-marido de Marta, o senador Eduardo Suplicy foi surpreendido com o artigo da senadora nesta terça-feira. Apesar do nível de tensão entre ela e o partido, Suplicy diz acreditar que ainda exista um caminho de diálogo com a legenda.

— Ela tem consciência de que, se em alguns momentos ela não se sentiu tão considerada, por outro lado, sabe o quanto o partido a acolheu_ disse ele lembrando que, antes mesmo de ser deputada, em 1994, seu nome havia sido cogitado pelo então presidente do PT, José Dirceu, para ocupar a vaga de vice na disputa pelo governo paulista.

Bem votada para a Câmara dos Deputados, Marta concorreu ao governo em 1998 e, na eleição seguinte, venceu a corrida à prefeitura de São Paulo, em 2000. Depois, foi derrotada por José Serra (PSDB) na reeleição. Para Suplicy, não falta a Marta reconhecimento do partido, tampouco de lideranças como o presidente da legenda, Rui Falcão, e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma vez que, mesmo depois de derrotas eleitorais, ele concorreu ao Senado e ocupou dois ministérios do governo petista.

— Acredito que haja uma possibilidade de diálogo, mas qualquer decisão será dela. A minha recomendação, que faço a mim mesmo, é a decisão de permanecer, de procurar prevenir e corrigir as falhas (do partido)_ disse o senador, salientando que Marta não pediu seu aconselhamento.

Antigo aliado de Marta, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) condenou o texto da senadora, em sua conta no Twitter. Ele considerou o teor do texto “inaceitável”. “ Não traduz o sentimento dos petistas nem do povo brasileiro”, escreveu o petista.