Sabem essas coisas que são apresentadas “em números”?
Que importância você dá a elas?
Você gosta de “números”?
Será que, quando você era criança ganhou do pai ou da
mãe aquela caixa de biscoitos que continha números e letras?
Quais biscoitos você comia primeiro: os de letras ou os
de números?
Pois, números são apenas números e nada mais. Isso
garantia Malba Tahan, o “Homem que calculava”!
Então, analisemos o seguinte: qualquer Secretaria de
Segurança – até mesmo do mais pacato e tranquilo Estado – quando precisa de
algum aditivo de verba, ou de mais verba para alavancar os projetos (é o que
sempre tentam justificar) em combate a violência, recorre sempre aos números.
Tais como: aconteceram 135 crimes violentos de homicídio, mas poderia ter sido
menos, se dispuséssemos de uma verba maior para investirmos no combate.
Mentira!
Destarte, quando tem verba suficiente e o combate ao
crime está deixando a desejar, essa mesma “segurança” começa a terceirizar as
responsabilidades, dividindo-as com a educação, com o baixo nível de
convivência familiar e até com a falta de investimentos em outras áreas que não
lhe dizem respeito.
E apresentam um cabedal de números que nem eles mesmos
conhecem e até planilhas de passagens de ônibus, de preços de carrapaticidas,
de absorventes femininos são misturados. Ah, os números!
Falando em números, a quantas andam as colheitas dos
investimentos do “Criança Esperança” e genéricos?
Alguém que vive adjetivando Pelé de abestalhado ou de
“poeta com a boca fechada” já parou para pensar naquilo que ele disse quando
comemorava o milésimo gol?
Aquele era um momento do futebol. Era uma comemoração
pessoal. Uma marca que era só dele e, o máximo de gentileza e humildade que
poderia ter demonstrado, era agradecer aos companheiros de time e de seleção
pelos passes perfeitos. Não. Pelé fez mais que isso. Pelé saiu de si mesmo, de
um momento seu, para manifestar preocupação com as crianças.
Claro, ele próprio talvez não tenha dado a devida
atenção aos filhos (todos sabem a situação de Edinho, filho do Rei) mas, sem
pensar em justificar nada, é bom nunca esquecer que o Santos, na era Pelé,
“viveu” mais fora da cidade paulista – por conta dos contratos de jogos de
exibição em que o “Rei” tinha presença exigida. Não se tenta, aqui, justificar
o erro da falta de assistência ao filho Edinho (muitos entendem como uma
questão particular de “caráter” – o que acaba se desenhando mais grave ainda).
Mas, o que se vê aqui e alhures é que não se deve dar
tanta importância aos números, quando se deseja mostrar alguma coisa. As
crianças estão todas perdidas? Não. Não estão. Há pais que “se mancam” e tiram
a bunda cheia de celulite e varizes do sofá, param de esperar pelo poder
público e vão à luta, acreditando e investindo nos filhos.
Como se fora um veterano nas apresentações solos, o
menino Guido Sant´Anna caminha na contramão da rotina da exclusão social, ainda
que não faça parte de listas das benesses da proteção oficial. Filho de Silvano
Silva, 41, e Glauce Sant´Anna, 42, Guido “começou a tocar” violino aos 5 anos
de idade, quando mal conseguia ler as partituras.
“Comecei a gostar
de música clássica porque me acalmava", diz Guido. Seus compositores
preferidos são o austríaco Mozart, o alemão Mendelssohn e o russo Tchaikovsky.
No início da carreira, tocava muito Mozart, "mais fácil", afirma.
Atualmente diz preferir Tchaikovsky.
A rotina é
controlada na pequena casa de fundos onde vive a família. "Tenho
praticamente só um quarto e meio, então organizo os horários de estudo para
meus três filhos poderem treinar ao violino. Enquanto dois fazem lição de casa,
um toca", conta Glauce, a mãe. Videogame, passatempo preferido de Guido,
só no fim de semana - após os ensaios.
*
Guido conta que
acorda às 7 horas, toma café e vai tocar violino. Até o começo de dezembro,
encerrava o treino por volta das 10 horas, para ir ao curso de inglês. Aluno de
escola pública, ele concorreu a uma bolsa para estudar em uma escola particular
bilíngue. Passou no concurso e deve começar as aulas no segundo semestre de
2015.
*
Nem tudo está perdido – cabe-nos fazer a nossa parte,
enquanto pais e formadores de opiniões.
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