Por Marcel Frota e Mel Bleil Gallo , iG
Brasília
Rodrigo Rollemberg critica herança petista, fala sobre sua expectativa de
que gestores comecem a ser punidos e diz acreditar que o futuro de Marina Silva
será fora do PSB.
O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), critica a
qualidade da gestão do poder público no Brasil. Segundo ele, o país vive, em
diversas esferas, um “apagão de gestão”. Com pouco mais de um mês de mandato, o
socialista afirma que a situação deixada por seu antecessor, Agnelo Queiroz (PT),
é tão crítica que hoje sua administração não pode fazer nenhum tipo de
contratação, por estar no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Apesar do
quadro crítico, ele afirma acreditar que o Brasil vive uma mudança e que os
gestores públicos começarão a ser punidos pelas irregularidades que vierem a
cometer.
“Hoje eu percebo, a frente aqui do
governo do Distrito Federal, que estamos sendo vítimas de uma má gestão, de um
apagão de gestão. E se isso está acontecendo na Capital da República, a
possibilidade de isso estar acontecendo - e certamente está acontecendo em
milhares de municípios no Brasil, em dezenas de estados - é muito grande.
Então, deve haver um esforço de valorização, de investimento em gestão
pública”, defende Rollemberg.
Questionado sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal e a falta de punição
para administradores públicos que desobedecem a legislação, Rollemberg afirma
ter otimismo de que as coisas estão mudando no país. “Acho que o Brasil está
mudando, tenho impressão de que pessoas serão punidas”, declara o governador.
Rollemberg foi duro ao comentar a iniciativa do Ministério Público de entrar
com ação contra Agnelo Queiroz. O ex-governador é alvo de uma ação do
Ministério Público que o acusa de improbidade administrativa por causa de um contrato
para sediar uma etapa da Fórmula Indy.
“O Distrito Federal foi vítima de um
misto de irresponsabilidade, incompetência e corrupção em elevado grau”,
disparou o governador. “É inadmissível que a situação do Distrito Federal tenha
chegado à situação em que chegou e é claro que as pessoas têm de ser
responsabilizadas”, acrescentou ele. Segundo Rollemberg, o balanço
quadrimestral dos últimos quatro meses da gestão Agnelo mostrou o tamanho do
problema. “Não podemos contratar. Estamos amarrados em função da
irresponsabilidade do governo anterior”, disse.
Marina Silva - Sobre o futuro de Marina Silva no PSB, Rollemberg afirmou acreditar que
a ex-senadora deverá mesmo deixar o partido, mas que tem esperanças de que a
Rede e os socialistas serão parceiros estratégicos. “O que tenho impressão que
vai acontecer é que a Rede será constituída e será uma grande parceira, uma
grande aliada política do PSB”, opinou o governador do Distrito Federal.
Rollemberg afirmou que o PSB não
pretende ficar a reboque de outros partidos e disse que as recentes
aproximações de seu partido com o PSDB obedeceram a uma estratégia eleitoral
clara. “Tivemos a infelicidade de perder nosso grande quadro, nosso grande
líder, Eduardo Campos”, lembrou ele. “O que vai definir o protagonismo político
do PSB é uma agenda política diferenciada. Diferenciada do PT e do PSDB. E é
isso que vamos construir”, defendeu o governador. “O grande objetivo do PSB é
ter uma postura independente e a construção de uma agenda própria para o país”,
declarou.
Ex-senador e conhecedor da dinâmica do Congresso, Rollemberg falou que a
eleição da Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara foi fruto de um
desgaste que o PT sofre no Legislativo federal. “Você tem uma conjuntura
política em que a força hegemônica do governo, que é o PT, está desgastado em
relação às demais forças políticas e isso certamente se refletiu na eleição da
Câmara”, disse ele. “A eleição de Eduardo Cunha expressa uma composição
política, sem dúvida, que quer uma independência em relação ao governo. Imagino
que o governo terá muito mais trabalho para construir maioria no Congresso”,
acrescentou Rollemberg.
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