segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Um jumento com cambitos, um pote, uma cabaça e um “caminho d´água”!


As coisas acontecem no Brasil – sempre! – com efeito dominó ou como cortina de fumaça. Parecem adrede programadas. O fato novo é sempre maior e mais preocupante que o anterior. Isso tem alguma explicação?

Podemos listar. O foco era o “mensalão”, onde os sem-escrúpulos reforçados pelos sem-vergonha a serviço sabe-se bem de quem, se uniram numa força-tarefa hercúlea para puxar o tapete do Joaquim, com o objetivo de tirá-lo do caminho que as evidências sempre apontavam: o Palácio do Planalto.

Joaquim pegou o boné e o caminho de casa – e nem foi morar no apartamento de Miami como garantiam os venenosos. Lutar contra onda tsunâmica é coisa para Deus, deve ter pensado o agora Ministro aposentado.

O foco passou a ser o “petrolão” com o rastilho da pólvora aceso pelo doleiro Alberto Youssef com explosivos acionados nos catres de ministros, governadores, senadores e, de novo, caminhando célere para o Palácio do Planalto.

Como pólvora queima rápido, e o estrago é mais devastador que os explosivos utilizados pelos assaltantes (ops!!!) de bancos, numa bifurcação milimétrica, quase matemática, o foco mudou para a crise energética que envolve, também, uma crise no abastecimento d´água não apenas no sudeste.  Acredite: ninguém no Palácio do Planalto sabe de nada. Ninguém nunca soube de nada.

Seria por isso que já não se fala tanto no “mensalão” e muito menos nas condenações e prisões dos envolvidos?

Mensalão e Petrolão não atingiram tão rapidamente o “povão” – e, para chamar mais atenção, nenhum escândalo que se preze pode deixar o “povão” de fora, apenas assistindo pela televisão. Diante da “crise hídrica e de energia”, até mesmo o número de idiotas que perdem tempo vendo o BBB da Globo caiu assustadoramente. O foco é a crise da água!

Mas, que crise de água é essa, que não chega ao Morumbi, a Higienópolis, Ipanema, Copacabana, Leblon, onde, provavelmente, se toma banho de espumas com essências e se bebe Perrier?

Por que essa crise só atinge a quem mora na periferia?

Dito isso, nos transportamos para os anos 50 e 60. Os arrumadores de confusão só conheciam duas classes sociais: o rico e o pobre. E estavam sim, bem definidas. Hoje já existe classificação social para classes A, B, C, D, E, e, se formos menos reais que o Rei, chegaremos facilmente à classe “M”. Eme de merda! Aqueles que estão na própria e vivem no cabresto dos “bolsas”.

Queimadas era um povoado pouco habitado de Pacajus, interior do Ceará. Hoje é conhecido como Horizonte, e virou município. Município da Região Metropolitana de Fortaleza. Foi ali que vivemos nossa infância pobre, mas digna, e aprendemos que só devemos nos ajoelhar para Deus.

- Meu fio, bote os cambitos no Mimoso (o jumento!), aprume os tonel e vá buscar dois caminhos d´água no açude. Avie menino, se arrexe que a água é prumode fazer o dicumê d´ocês! Ordenava a avó, figura esbelta de quase dois metros de altura.

- Aonde tão os cambito, vó? Indagava o neto.

- Percure pela aí, minino. Ande, se arrexe. Vou cuspir no chão, visse. Quandi o cuspe secar, têja aqui de vorta!

E esse panorama só mudava quando a seca ficava braba e, em vez de procurar água mineral Perrier, nós procurávamos mesmo era a raiz da mucunã, verdadeiros mananciais d´água na caatinga.

Pois bem. Quem é brasileiro e foi ensinado pelos pais a devolver para o mesmo lugar até aquilo que “achava” em algum lugar, e nunca puxou saco de quem quer que seja para viver uma vida de fantasia e de mentiras ostentando um status social que não tem, aprende, realmente, que essas crises nunca passaram de fórmulas ridículas para fazerem desaparecer outras.

 

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