As coisas acontecem no Brasil – sempre! – com efeito
dominó ou como cortina de fumaça. Parecem adrede programadas. O fato novo é
sempre maior e mais preocupante que o anterior. Isso tem alguma explicação?
Podemos listar. O foco era o “mensalão”, onde os
sem-escrúpulos reforçados pelos sem-vergonha a serviço sabe-se bem de quem, se
uniram numa força-tarefa hercúlea para puxar o tapete do Joaquim, com o
objetivo de tirá-lo do caminho que as evidências sempre apontavam: o Palácio do
Planalto.
Joaquim pegou o boné e o caminho de casa – e nem foi
morar no apartamento de Miami como garantiam os venenosos. Lutar contra onda
tsunâmica é coisa para Deus, deve ter pensado o agora Ministro aposentado.
O foco passou a ser o “petrolão” com o rastilho da pólvora
aceso pelo doleiro Alberto Youssef com explosivos acionados nos catres de
ministros, governadores, senadores e, de novo, caminhando célere para o Palácio
do Planalto.
Como pólvora queima rápido, e o estrago é mais
devastador que os explosivos utilizados pelos assaltantes (ops!!!) de bancos,
numa bifurcação milimétrica, quase matemática, o foco mudou para a crise
energética que envolve, também, uma crise no abastecimento d´água não apenas no
sudeste. Acredite: ninguém no Palácio do
Planalto sabe de nada. Ninguém nunca soube de nada.
Seria por isso que já não se fala tanto no “mensalão” e
muito menos nas condenações e prisões dos envolvidos?
Mensalão e Petrolão não atingiram tão rapidamente o
“povão” – e, para chamar mais atenção, nenhum escândalo que se preze pode
deixar o “povão” de fora, apenas assistindo pela televisão. Diante da “crise
hídrica e de energia”, até mesmo o número de idiotas que perdem tempo vendo o
BBB da Globo caiu assustadoramente. O foco é a crise da água!
Mas, que crise de água é essa, que não chega ao
Morumbi, a Higienópolis, Ipanema, Copacabana, Leblon, onde, provavelmente, se
toma banho de espumas com essências e se bebe Perrier?
Por que essa crise só atinge a quem mora na periferia?
Dito isso, nos transportamos para os anos 50 e 60. Os
arrumadores de confusão só conheciam duas classes sociais: o rico e o pobre. E
estavam sim, bem definidas. Hoje já existe classificação social para classes A,
B, C, D, E, e, se formos menos reais que o Rei, chegaremos facilmente à classe
“M”. Eme de merda! Aqueles que estão na própria e vivem no cabresto dos
“bolsas”.
Queimadas era um povoado pouco habitado de Pacajus,
interior do Ceará. Hoje é conhecido como Horizonte, e virou município.
Município da Região Metropolitana de Fortaleza. Foi ali que vivemos nossa
infância pobre, mas digna, e aprendemos que só devemos nos ajoelhar para Deus.
- Meu fio, bote os cambitos no Mimoso (o jumento!),
aprume os tonel e vá buscar dois caminhos d´água no açude. Avie menino, se
arrexe que a água é prumode fazer o dicumê d´ocês! Ordenava a avó, figura
esbelta de quase dois metros de altura.
- Aonde tão os cambito, vó? Indagava o neto.
- Percure pela aí, minino. Ande, se arrexe. Vou cuspir
no chão, visse. Quandi o cuspe secar, têja aqui de vorta!
E esse panorama só mudava quando a seca ficava braba e,
em vez de procurar água mineral Perrier, nós procurávamos mesmo era a raiz da
mucunã, verdadeiros mananciais d´água na caatinga.
Pois bem. Quem é brasileiro e foi ensinado pelos pais a
devolver para o mesmo lugar até aquilo que “achava” em algum lugar, e nunca
puxou saco de quem quer que seja para viver uma vida de fantasia e de mentiras
ostentando um status social que não tem, aprende, realmente, que essas crises
nunca passaram de fórmulas ridículas para fazerem desaparecer outras.
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