Por Agência Brasil
Na quinta-feira, a advogada de Camargo e a assessoria de Dirceu
repudiaram as acusações do doleiro e exigiram provas.
O advogado Antônio Figueiredo Basto, que representa o doleiro Alberto
Youssef, disse nesta sexta-feira (13) que há provas sobre a relação entre o
ex-consultor da Toyo Setal Júlio Camargo e o ex-ministro José Dirceu.
Na quinta (12) a advogada de Camargo
e a assessoria de Dirceu repudiaram as acusações do doleiro, sem a apresentação
de provas. Youssef está presente hoje na audiência em que o ex-diretor da
Petrobras Paulo Roberto Costa depõe na Justiça Federal em Curitiba.
Em depoimento de delação premiada à
força-tarefa de investigadores da Operação Lava Jato, Youssef declarou que
entregou dinheiro no escritório de Camargo em São Paulo e que a quantia
"servia para pagamentos da Camargo Corrêa e Mitsui Toyo ao PT, sendo que
as pessoas indicadas para efetivar os pagamentos à época eram [o tesoureiro do
PT] João Vaccari e [o ex-ministro] José Dirceu."
Para justificar as acusações, o
doleiro disse ter "convicção de que os valores eram destinados ao PT e à
Diretoria de Serviços da Petrobras, na pessoa de Renato Duque.” De acordo com
Basto, as acusações de Youssef não se baseiam apenas em declarações.
Isso é uma questão que tem que ser debatida nos autos, Eu tenho certeza
que meu cliente [Youssef] está falando a verdade. Nós temos provas disso aí.
Não é só a voz de meu cliente, há quebra de sigilos e outros indícios
documentais. Não é só falar. A colaboração de meu cliente foi homologada pelo
Supremo. Se não houvesse uma prova contundente isso não seria
homologado.", disse Basto.
O advogado também não descartou uma
acareação entre o doleiro e as pessoas citadas nos depoimentos.
"O confronto vai ter que
existir, inclusive pelo número de colaboradores que existem. Tenho certeza que
vai chegar uma hora que a gente vai ter que acarear todos esses caras para ver
quem está falando a verdade", sugeriu Basto.
Em nota à imprensa, o ex-ministro
José Dirceu repudiou as declarações de Yousseff de que teria envolvimento com
Júlio Camargo ou com empresas investigadas pela Operação Lava Jato. Ele negou
ter representado o PT em negociações com Camargo ou construtoras e disse que
depois que deixou a chefia da Casa Civil, em 2005, sempre viajou em aviões de
carreira ou por empresas de táxi aéreo. A nota também destaca a ausência de
provas das acusações.
A advogada Beatriz Catta Preta, que representa Júlio Camargo, também divulgou
nota na qual afirmou que as declarações de Youssef são "temerárias porque
absolutamente inverídicas". Segundo ela, todos os fatos que eram de
conhecimento de Camargo foram delatados aos investigadores e não há pendências.
Beatriz também esclareceu o suposto
uso do jatinho. Segundo ela, a TAM administrava o afretamento do avião e
recebia os valores dos deslocamentos.
"Já quanto à ilusória e absurda
conclusão de que o Sr. Júlio Camargo tenha uma relação 'muito boa' com o Sr.
José Dirceu, apenas porque este teria viajado em avião de sua propriedade, deve
ser esclarecido que a aeronave em questão, qualificada como taxi aéreo, era
deixada sob a administração da TAM, a qual tem o dever de cuidar da manutenção,
hangar e afretamento da mesma. Isso significa que, ao haver interessados no
afretamento da aeronave, a TAM apenas pergunta ao proprietário se utilizará o
avião naquele período ou não", disse a advogada.
A defesa de Renato Duque nega que ele
tenha recebido valores indevidos durante o período em que esteve na Diretoria
de Serviços da Petrobras.
Citados na delação premiada de Pedro Barusco, João Vaccari e o PT
rechaçam as declarações sobre recebimento de valores indevidos. No entendimento
do partido, as declarações de irregularidades são para envolver a legenda em
acusações sem provas ou indícios e não merecem crédito.
Em nota, a
secretaria de Finanças do PT afirma que todas as doações recebidas pelo partido
foram feitas dentro da lei e declaradas à Justiça. "A afirmação de Youssef
causa profunda estranheza, pois sua contadora, Meire Bonfim Poza, declarou à
CPI Mista da Petrobras, no último dia 8 de outubro, que não conhece e que nunca
fez transações financeiras com Vaccari Neto", declarou o partido.
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