Picanha
argentina, servida nos melhores restaurantes brasileiros.
Bunda genuinamente brasileira.
Arroz de cuxá, bode ao leite de coco, baião-de-dois com
farofa de pirarucu misturada com cebola roxa, tutu a mineira, arroz de capote,
cavala ao molho de camarão, carne de sol de carneiro, peixe a escabeche... e
por aí vai.
Essas são algumas comidas típicas da culinária regional
brasileira. E não falamos em galinha caipira a cabidela, sarapatel, sarrabulho,
buchada de carneiro e de bode, arroz a carreteiro e muito menos de feijoada,
que é algo que se come em qualquer lugar do Brasil – diferenciando apenas na
forma de preparar e servir.
Também não podemos esquecer a costeleta de porco, o
cupim de boi, a dobradinha (que é uma comida tipicamente portuguesa, embora com
outro nome), o bacalhau preparado de várias formas, nem o tradicional
churrasco.
Entretanto, capítulo à parte para a picanha. E, sobe ao
pódio para ocupar lugar de destaque, a picanha argentina que, quando é
preparada, assada e servida por quem sabe o que faz, se torna algo imbatível.
Quem come carne, sabe que picanha não é uma carne
simples, tampouco popular. Picanha argentina, então, é algo “top” – para usar
uma linguagem mais jovial e atualizada
Mas, seguramente, o segredo para a boa qualidade da
picanha argentina é o pasto que alimenta o bovino. Pampa é um nome de origem dado à
região pastoril de planícies com coxilhas. Abrange a metade meridional do
estado do Rio Grande do Sul, ocupando 63% do território gaúcho. Estende-se
pelos territórios do Uruguai e pelas províncias argentinas de Buenos Aires, La
Pampa, Santa Fé, Entre Rios e Corrientes.
Nessas áreas a pastagem é melhor e os
animais não tem que fazer muito esforço para caminhar, possibilitando que seus
músculos não enrijeçam.
A picanha é um tipo de corte de carne bovina tipicamente brasileira. A origem do nome
picanha vem do talhante italiano, nomeado do corte picatta . Esta vara, chamada
picana (em espanhol), possuía um ferrão na ponta e servia para picar o gado na
parte posterior da sua região lombar. Com o passar do tempo esta região do
animal passou a ser chamada picana e posteriormente picanha. Recentemente, o
aumento da variedade de cortes de carnes suínas originado de ações promovidas
pelos suinucultores fez surgir um novo corte para os admiradores
deste tipo de carne, que recebeu o nome de picanha
suína.
A
Argentina produz as melhores picanhas do mundo.
Mas... e a
bunda?
Bem, “na
bunda”, a Argentina perde e é longe!
Certa vez, vendo
uma peça teatral não lembro mais aonde, a atriz na cena se apalpava toda e
dizia a fala:
- Brasileiro
gosta mesmo é de peitos grandes, coxas grossas e bunda grande!
Nem tanto.
Eu – falo por mim – acho que brasileiro gosta mesmo é dessas coisas aí de cima,
mas que sejam também bonitas. Veja que bunda bonita esta que ilustra esta
matéria. E nem é tão grande assim. É “apenas” mediana, durinha e muito bem
cuidada e, com certeza, adorada pelos sofás, cadeiras e vasos sanitários e
pelos homens que gostam.
Veja o que diz Gilberto
Freyre a respeito da bunda brasileira. De onde vem o encanto do brasileiro pela bunda?
O professor Gilberto Freyre, que estudou nossas raízes sociológicas em Casa-Grande
& Senzala, aceitou o desafio de
investigar as origens dessa magnífica preferência num ensaio. Por motivos de
espaço, transcrevemos os principais trechos e resumimos algumas partes do
estudo, erudito, de 26 páginas. Erudito, mas que nem por isso evita a
ressonante palavra. Lembra alguns sinônimos, principalmente nordestinos, como
bagageiro, balaio, banjo, bomba, bubu, além dos tradicionais rabo, traseiro,
pop, rabic bumbum, tralal e outros.
Gilberto faz uma análise e tira conclusões: o brasileiro tem suas razões para gostar de bunda. Pode não saber quais, mas tem. Vamos a elas.
“Do andar afrodisíaco das bundas ondulantes - E aqui observação de Havelock
Ellis, quanto a uma das superioridades da mulher ibérica sobre as ortodoxamente
europeias estar na assimilação, pela ibérica, de remota influência africana do
andar, como se dançasse. Um movimento de bundas bastante amplas para permitirem
essa ondulação como que afrodisíaca de andar.
A grande número de mulheres brasileiras, a miscigenação pode-se sugerir ter dado ritmos de andar e, portanto, de flexões de nádegas, susceptíveis de ser considerados afrodisíacos. Atente-se nesses ritmos, em cariocas miscigenadas, em confronto com as beldades argentinas que o observador tenha acabado de admirar. Os ritmos de andar da miscigenada brasileira chegam a ser musicais, na sua dependência de bundas moderadamente ondulantes. Para Havelock Ellis, o andar da mulher mais tipicamente ibérica, em contraste com a da ortodoxamente europeia teria alguma coisa de graciosa qualidade de um corpo felino inteiramente vivo.
O homem médio brasileiro não pode deixar de ser sensível pela imensidade de provocações que o rodeiam. Não tanto ao vivo, como por meio de anúncios de revistas ilustradas, que se vêm esmerando na utilização de reproduções coloridas de bundas nuas, como atrativos para uma diversidade de artigos. No Brasil de hoje, uma enorme comercialização da imagem da bunda de mulher em anúncios atraentes. Estéticos uns, alguns lúbricos. Também se vem fazendo esse uso na televisão. E, sonoramente, em músicas apologéticas da beleza da bunda de mulher. O sexo da mulher vem, através dessa comercialização da bunda em anúncios, quase perdendo, em publicidade apologética, para esse nada insignificante rival, no Brasil. – Gilberto Freyre”.
A grande número de mulheres brasileiras, a miscigenação pode-se sugerir ter dado ritmos de andar e, portanto, de flexões de nádegas, susceptíveis de ser considerados afrodisíacos. Atente-se nesses ritmos, em cariocas miscigenadas, em confronto com as beldades argentinas que o observador tenha acabado de admirar. Os ritmos de andar da miscigenada brasileira chegam a ser musicais, na sua dependência de bundas moderadamente ondulantes. Para Havelock Ellis, o andar da mulher mais tipicamente ibérica, em contraste com a da ortodoxamente europeia teria alguma coisa de graciosa qualidade de um corpo felino inteiramente vivo.
O homem médio brasileiro não pode deixar de ser sensível pela imensidade de provocações que o rodeiam. Não tanto ao vivo, como por meio de anúncios de revistas ilustradas, que se vêm esmerando na utilização de reproduções coloridas de bundas nuas, como atrativos para uma diversidade de artigos. No Brasil de hoje, uma enorme comercialização da imagem da bunda de mulher em anúncios atraentes. Estéticos uns, alguns lúbricos. Também se vem fazendo esse uso na televisão. E, sonoramente, em músicas apologéticas da beleza da bunda de mulher. O sexo da mulher vem, através dessa comercialização da bunda em anúncios, quase perdendo, em publicidade apologética, para esse nada insignificante rival, no Brasil. – Gilberto Freyre”.
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