Hoje botão, amanhã rosa – é o tempo.
A caligrafia do tempo com seu alfabeto indelével.
O tempo existe. Existe em mim, em você e existe em nós.
É algo que você não vê nem se permite olhar – mas,
tenhamos certeza, ele existe.
O hoje é uma divisão do tempo e você não o vê. Mas viu
o ontem que, felizmente, já passou sem ser visto. Nem espere ansioso que, com
certeza, o amanhã você também não verá.
O tempo não é aquele relógio que, para a humanidade
mostra apenas as horas que passam e se repetem todos os dias – embora cada
minuto seja diferente, hoje, do que aconteceu ontem e provavelmente em nada será
parecido com o que acontecerá amanhã.
O tempo, tanto existe, que deixa suas marcas. Em nós,
principalmente.
Da mesma forma que o tempo se transforma em ferrugem no
metal ou no objeto não cuidado, ele escreve em nós, em forma de rugas –
principalmente aquelas que também são transformadas em experiência.
O tempo é exatamente aquilo que você não viu nem verá.
Mas ele está ao teu lado, te ajudando a contar a própria passagem.
Você lembra de quando era apenas uma criança? E, hoje,
você é o quê?
Então, esse interstício, é o tempo. Se ele passou, é
certo que ele existe. Se não existisse, não teria passado e você continuaria
sendo aquela mesma criança.
Foi o tempo – que você nem ninguém viu – que te fez
criança, que te deu vida e que, num futuro que você não saberá quando vai
chegar, te levará embora. Muitos te procurarão e não encontrarão. E tu estarás
com o tempo. Formando um par – quase um casal.
O tempo existe. Existe em mim, em você e existe em nós.
Então, o que ontem era botão, virou rosa por quê?
Foi o tempo que fez isso.
Mas, em nós, pessoas, o tempo também existe e, melhor,
atua em tudo que fomos, que somos e que seremos. Desde o nada em direção ao
nada, de novo.
A velhice nada mais é que a ação do tempo escrevendo em
nosso corpo segundos, minutos, horas e dias.
O tempo existe.
Existe em mim, em você e existe em nós.
Volte ao ontem, sem que seja através das marcas feitas
pelo tempo. Tente ir ao amanhã, sem que tenha que esperar pelo tempo.
Tudo tem seu tempo e hora. Ou, como se diz no sertão:
“toda hora tem seu tempo.”
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