Por Marcel Frota - iG Brasília
Partido teme
que investigação de apadrinhados do presidente do Senado possa resultar numa
ação penal contra o alagoano que contamine a legenda
O PMDB trabalha com alguns nomes como
alternativas, caso o atual presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), decida
não concorrer ao cargo novamente. O partido aguardará uma posição do senador
alagoano, mas deve exercer alguma pressão caso haja respingos vindos da
Operação Lava-Jato sobre apadrinhados do presidente do Senado, indicados para
cargos na Petrobras. O PMDB teme que isso possa acabar resultando numa ação
penal contra o próprio Renan e por isso trabalha com outras opções para evitar
que esse desgaste eventualmente se estenda sobre a própria legenda. O ministro
Garibaldi Alves Filho (RN) e os senadores Eduardo Braga (AM) e Valdir Raupp
(RO) tem sido os mais citados no momento.
Sérgio Machado, ex-diretor da Transpetro, foi indicação de Renan. Em 2003, ele assumiu a direção da empresa, que
é subsidiária da Petrobras nas áreas de produção, refino e distribuição. Em
depoimento na Justiça Federal do Paraná, o ex-diretor de abastecimento da
Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou ter entregue R$ 500 mil a Machado. No dia
3 de novembro, Machado pediu afastamento do cargo após pressão da empresa
PriceWaterhouseCoopers, responsável por auditoria interna na Petrobras. Em
nota, Machado afirmou que é “vítima nas últimas semanas de imputações
caluniosas feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, cujo teor ainda
não foi objeto sequer de apuração pelos órgãos públicos competentes”, diz a
nota. “A acusação é francamente leviana e absurda”, afirma o documento.
A escolha do presidente do Senado obedece a uma tradição em que o
partido com mais cadeiras na Casa indique o nome para o cargo. Com 19
senadores, cabe ao PMDB fazer essa indicação. Com 14 cadeiras e a segunda maior
bancada, o PT promete não tencionar. Ou seja, aceitará que a presidência fique
com o PMDB, mas deverá ser consultado pelo aliado no processo de maturação do
nome. Luiz Henrique, ex-governador de Santa Catarina, é um nome que agrada ao
PT, mas não ao PMDB. Dentro do PMDB, Henrique é tido como um parlamentar que
age com demasiada independência, o que acabou inviabilizando no páreo. Nos
bastidores, peemedebistas consideram ainda que Henrique é demasiadamente
próximo de petistas. O nome dele é visto com bons olhos pelo Planalto.
Indicações - Simpatias petistas a parte, o PMDB tem atualmente três nomes como
alternativa a um a desistência de Renan pela reeleição. Raupp, atualmente
presidente nacional do PMDB, poderia ser uma opção. Apesar de ser citado nos
bastidores, o nome dele enfrenta algumas resistências. Ele deixou a presidência
durante a disputa eleitoral, mas foi reconduzido ao posto neste mês. Em
dezembro, o vice-presidente da República, Michel Temer, retomará o cargo para
conduzir o diálogo acerca da reforma ministerial e também para as eleições das
Mesas Diretoras do Senado e da Câmara. Em janeiro, Raupp deverá reassumir a
presidência do partido, por isso mesmo, seu nome perde relevância no páreo da
disputa da presidência do Senado.
Atual líder do governo, Eduardo Braga
é um nome cotado para uma eventual indicação do PMDB. A derrota na disputa ao
governo do Amazonas não acabou com sua reputação. Teve apoio do PT nessa
disputa e manteve relações dentro do limite do aceitável durante o processo.
Seu nome, entretanto, conta com alguma resistência dentro do PMDB e também em
setores do PT. Outro derrotado nas eleições deste ano que é lembrado, mas
igualmente enfrenta problemas é Eunício Oliveira (CE). Ele teve de enfrentar
uma candidatura petista patrocinada pelos irmãos Cid e Ciro Gomes (PROS) e não
esconde a mágoa que esse enfrentamento trouxe. Por isso mesmo, a possibilidade
de ver seu nome ganhar musculatura nesse processo é pequena.
Disso tudo deriva o favoritismo do
ministro Garibaldi Alves Filho. Ele deverá ser substituído no comando da pasta
da Previdência na reforma ministerial que está sendo desenhada com vistas ao
segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Seu primo, Henrique Eduardo Alves
(PMDB-RN), atual presidente da Câmara, deixará a Casa depois de 44 anos como
deputado. Alves perdeu a eleição para o governo do Rio Grande do Norte. Se os
senadores do PMDB parecem aceitar bem o nome de Garibaldi Filho, o Planalto tem
reservas com relação a ele, já que o considera em alguma medida inflexível. O
governo acha que Garibaldi Filho não deverá rezar a cartilha do Planalto com o
mesmo afinco que Renan tem feito, sobretudo no que diz respeito à pauta de
votações de interesse de Dilma.
Câmara dos Deputados - A bancada
petista tem feito algumas conversas sobre os possíveis nomes indicados pelo
PMDB para a presidência do Senado. O último deles aconteceu na casa do senador
Wellington Dias (PT-PI), que acaba de ser eleito governador do Piauí e está de
saída, mas ainda participa ativamente das discussões. A bancada do PT tem
adotado a postura de aguardar, sem fazer sinalizações precipitadas. A bola está
com o PMDB e ao PT cabe aguardar, esse é o clima.
Um senador petista que participou dessa rodada de conversas não descarta
que definição da presidência do Senado possa passar pela questão da presidência
da Câmara, onde PT e PMDB estão em plena disputa. O PT não pretende lançar um
nome próprio no Senado, garante que respeitará a tradição de respeito à proporcionalidade
que confere ao PMDB a prerrogativa de dirigir a Casa. Mas os petistas não
deixam de lembrar que em 2013, o nome do senador baiano Walter Pinheiro chegou
a ser lançado, mas acabou engavetado exatamente por causa do acordo que
assegurou ao PMDB o comando da Câmara e do Senado.
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