terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Apadrinhado por Robinho, nova aposta da base assina seu primeiro contrato

 

Tiago Salazar – Santos/SP



Nesta sexta-feira, Marisa Alija Ramos, representante de Robinho, esteve na Vila Belmiro para fechar um novo contrato com o Santos. Desta vez, porém, o assunto nada tinha a ver com o Rei das Pedaladas, e sim com o novo postulante a ‘Menino da Vila’. O nome dele é Nicolas Reis Bernardo. Com a aparência semelhante ao do eterno camisa 7 do Peixe, o atacante tem apenas 16 anos (completa 17 em junho) e assinou seu primeiro contrato profissional, que terá validade até dezembro de 2018.

“Isso é muito importante para mim e toda minha família. Desde que cheguei aqui, há seis anos, eu já procurava alcançar este objetivo. Hoje, quando aconteceu este momento, nós ficamos muito felizes”, comentou o jogador.

Nascido em São Paulo, Nicolas é conhecido pelo seu estilo ousado, driblador. Negro, de pernas finas, assim como Robinho no início da carreira, a jovem promessa chegou ao Peixe para atuar no Sub-15, foi fundamental na equipe Sub-17, marcando gols contra Corinthians e São Paulo, na campanha do vice-campeonato é acabou de ser promovido ao Sub-20, mesmo aos 16 anos. Agora, o jogador já sonha com seu primeiro gol pela equipe principal do Santos.

“Vai passar muita coisa pela minha cabeça, praticamente um filme, de quando cheguei aqui com o meu pai. Passamos muitas dificuldades, aí o Robinho veio nos ajudando, passando muita coisa. Gostaria muito de fazer um gol neste primeiro jogo como profissional surgir a oportunidade”, falou o garoto, apadrinhado pelo seu grande ídolo.

Na próxima semana, o técnico Marcos Soares vai definir os 25 atletas que defenderão o Peixe na Copa São Paulo de Futebol Júnior. Nicolas está entre os 30 jogadores pré-selecionados e tem grandes chances de ser convocado em definitivo. Caso isso se confirme, ele será o garoto mais jovem da delegação alvinegra.




A bola, e os craques (e o homem) sem o crack

 

- Par ou ímpar!?

- Par!

- Dois teu, com três meu. Ímpar! Ganhei.

- Tiro o Cotôco!

- O Cotôco era o meu preferido, mas tiro o Gabão.

- Eu tiro o Nato,

- Eu fico com o Dadá!



Era assim, todas as tardes, que começava a pelada no campinho de terra batida, sem qualquer marcação. Os traves, uns gravetos ou camisas e chinelos. Não tinha Árbitro nem placar e ganhava quem fizesse mais gol quando a claridade se transformasse numa escuridão que não permitia mais ver a bola – na verdade, um amontoado de molambos envolvendo uma bola de borracha da marca Mercur.  A envoltura com molambos era para evitar que “ardesse” nas costas, principalmente quando estivesse chovendo.

Era ali, naquele campinho, que nasciam os craques e se ficava muito longe do crack. Os gestores – que certamente nunca viveram esse tempo – precisam saber disso como caminho mais curto para acabar com a violência entre os jovens e a preferência pelas drogas. Droga é coisa de desocupado – de quem não tem sequer um espaço para jogar bola.

E, se o governo não olhar para isso, começa a ser rotulado como conivente ou parceiro de quem trafica – é só o que se pode pensar de quem não faz nada para tirar a meninada do ócio e da droga. O craque não aceita o crack.



Quem já conseguiu olhar alguma foto das mãos do ex-goleiro Manga, vai ver que, todos os dez dedos são quebrados. Quebrados pelas bolas. Nos tempos em que Manga jogava, não havia luvas, os jogadores realmente chutavam forte, e a bola era de couro. Couro de vaca.

Nessa foto que postei, do zagueiro Belini, o sangramento não foi cotovelada, como acontece hoje. Foi uma bolada. Foi num jogo do Vasco da Gama contra o Palmeiras e o chute foi de Jair da Rosa Pinto.

A bola de couro, quando ficava molhada, aumentava de peso. Ficava difícil para qualquer goleiro pegar e segurar. Mas, Manga, Barbosa, Castilho, Harry Carey, Garcia a pegavam e seguravam. Nem dá para imaginar a violência e a força de um chute desferido por Jair da Rosa Pinto, Rivelino, BCC, Quarentinha, Nelinho, Antonino, Mesquita.

Agora, imagine você, com essa bola de couro, alguém conseguir dá-lhe curvas e efeitos como fazia Didi, o inventor da folha-seca. Um Mestre no bater na bola para que elas fizessem as curvas que ele queria.

A bola – A bola é um instrumento de lazer. Quem a inventou não era um gênio nem tem reconhecimento, porque isso nunca foi projeto de governo algum e provavelmente é por conta disso que os governantes do mundo inteiro nunca lhe deram a devida atenção e valor.

A bola não é apenas um elemento de socialização porque em torno dela se reúnem crianças, jovens, adultos e idosos. É algo que agrega pessoas em torno de si próprio. É um dos mais fortes instrumentos de combate à violência, por que ocupa o espaço do ócio.

A bola é um forte repelente às drogas – é necessário que governantes entendam isso e propiciem muito mais espaços para a prática do futebol. Principalmente o futebol desorganizado que todos pratiquem por gostar e jamais por obrigação.

Mas, como seria bom se voltassem os tempos da bola de couro. Couro de vaca. Correndo firme e rasteira pela grama dos campos da vida.


É campeão! Mineirinho dá segundo título ao Brasil e entra para história do surfe



ESPN.com.br

Demorou dez anos, mas Adriano de Souza finalmente alcançou sua glória máxima e conquistou pela primeira vez o Circuito Mundial de Surfe (WCT). Integrante mais experiente da Brazilian Storm, expressão criada em 2011 pela imprensa americana para se referir à nova geração de surfistas brasileiros que vem se destacando no cenário internacional, ele contou com a ajuda de Gabriel Medina, que eliminou Fanning na semifinal, superou o havaiano Mason Ho e entrou para a história da modalidade.

Mineirinho chegou ao Havaí dependendo apenas de si para terminar com o título, e foi dessa maneira que conquistou o WCT. Com uma campanha irretocável em Pipeline, no Havaí - foi melhor que Mick Fanning, Filipe Toledo e Julian Wilson - o brasileiro leva o segundo troféu consecutivo para o Brasil e chega à final contra Medina para tentar coroar o triunfo com chave de ouro.

Contra a Mason Ho, algoz de Filipe Toledo e sobrinho do campeão mundial Derek Ho, Mineirinho não teve muitas dificuldades para vencer a bateria e garantir o título. Com ondas fracas, o brasileiro liderou durante todo combate e, com um somatório maior, avançou à final e pode comemorar nas águas de Pipeline, considerada a Meca do surfe mundial.


O tempo do vinil



Moncho era um grande amigo. Faleceu quando tinha pouco mais de 40 anos de idade. Nunca ninguém gostou mais de ouvir música que ele – mereceria qualquer prêmio instituído por qualquer gravadora. Colecionava vinis de forma alucinada, e muitas vezes, por conta da quantidade que possuía, comprava sem que tivesse tempo para ouvir.



Sim, porque Moncho trabalhava. Trabalhava duro – e era assim que comprava seus vinis. Quem lhe presenteasse com o long-play em qualquer ocasião, comprava a sua alma. Mas, havia quem lhe presenteasse com aquelas escovas aveludadas e óleos especiais para limpeza dos vinis. Ele vibrava.

Qualquer coisa da casa de Moncho podia dar algum problema. Menos a vitrola que, para garantir que só ele manuseava, mandou construir uma redoma e pôs um cadeado com as chaves guardadas em cofres de alta segurança.  Moncho era, por assim dizer, um tarado. Tarado por música e por vinis.



Moncho era um inveterado colecionador, e tinha o hábito de passar as manhãs de domingo limpando e ouvindo seus discos. Fanático pelas músicas de Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Miltinho, Orlando Silva. Era apaixonado por Emilinha Borba, de quem possuía todos os discos – e, nesse particular, a cantora não gravara tantos vinis assim.



Moncho chegou a comprar dicionários e livros que ensinavam o idioma inglês, apenas para destrinchar o que diziam as letras das músicas das terras de Tio Sam e da Rainha Elizabeth. Moncho tinha verdadeira alucinação por essa música que segue:



Não, não pense que Moncho era alguém com problemas mentais. Moncho era aquele homem de meia idade que sabia o que queria. Trabalhava, produzia algo útil e relevante. Tinha uma vida normal e, se é que isso pode ser considerado defeito, seu maior “defeito” era gostar de música. De ouvir música, diga-se.

Nas manhãs de domingos, ouvia música na radiola enquanto limpava os já muito limpos e conservados discos de vinil – fazia isso, sempre, depois que regressava da missa matinal e enquanto esperava o almoço.

No começo das noites de sábado Moncho se preparava para sair de casa. Dar uma volta e espairecer – e até “procurar” uma namorada que o aceitasse com suas manias. Vestido de forma esmerada com uma calça de gabardine cinza-escuro e uma camisa de cambraia de linho de um amarelo suave, “engomada” com grude leve e colarinho impecável. No cabelo penteado com esmero e paciência com aquele pente Flamengo, a brilhantina Glostora.

Como ainda não haviam inventado o desodorante, nas axilas usava talco Cashemere Bouquet e perlo corpo usava o perfume francês Ramage.

Destino: buates da cidade, para escutar discos de Vicente Celestino, Ângela Maria, Carlos Alberto, Miltinho (... você mulher, que já viveu, que já sofreu, não minta!...) e Nelson Gonçalves, o seu favorito.

Quando menos se esperava, numa manhã de domingo, depois de regressar da costumeira missa matinal, Moncho entrou no “estúdio” e ligou a radiola. Pôs a tocar o long play que costumava escutar apenas nas horas de muita alegria ou muita tristeza. Moncho era, também, fã incondicional de Frank Sinatra e parava de fazer qualquer coisa que lhe tomasse o tempo, para ouvir os graves do cantor americano na música New York, New York.

Entretanto, naquela manhã, o som que vinha do “estúdio” era o de violinos. Alguém resolveu abrir a porta do “estúdio” de Moncho e percebeu que, em vez de continuar limpando os discos, ele estava sentado na cadeira de palhinha, com os dois braços abertos – um para cada lado – e a escovinha que usava para a limpeza dos vinis, jogada ao chão.

Moncho jazia. Um infarto fulminante e musicado o levou para junto de Frank Sinatra.




Após longas negociações, Neilton fica no Botafogo



Paulo Victor Reis

Atacante pertence ao Cruzeiro, mas será novamente emprestado ao Glorioso

Acabou a novela. O atacante Neilton vai permanecer no Botafogo até o fim de 2016. O clube carioca entrou em acordo com o Cruzeiro, dono dos direitos econômicos do jogador.

O diretor de futebol do Cruzeiro, Benecy Queiroz, confirmou o negócio.

- É verdade, houve o acordo - limitou-se a dizer o dirigente ao LANCE!.

O acordo foi finalizado no início da noite desta quarta-feira. Antes, porém, no dia último dia 7, o Botafogo chegou a publicar uma nota de despedida ao atleta, agradecendo pelos serviços prestados.

O empresário do jogador, Hamilton Bernard, por outro lado, adotou uma postura mais cautelosa.

- Estamos caminhando pela permanência do atleta no Botafogo - disse

Neilton foi um dos principais jogadores do Botafogo na Série B do Campeonato Brasileiro, com seis gols em 18 jogos. Ele sempre deixou claro o interesse de permanecer no Glorioso, mas dependia do aval do Cruzeiro.

O Botafogo vai arcar com 75% do salário de Neilton, enquanto o clube mineiro pagará os outros 25%.

Neilton deve assinar o novo contrato com o Botafogo na reapresentação do elenco alvinegro, no início do mês de janeiro. 




Azeredo é condenado a 20 anos de prisão por mensalão tucano



Agência O Globo

Agência O Globo



SÃO PAULO. O ex-governador de Minas Gerais e ex-senador Eduardo Azeredo (PSDB) foi condenado a 20 anos e dez meses de reclusão por participação no esquema de desvio do governo estadual para campanhas políticas em 1998, que ficou conhecido como mensalão tucano. O político foi considerado culpado pelos crimes de peculato (desvio de bens contra a administração pública por servidor público) e lavagem de dinheiro.

A decisão foi proferida nesta quarta-feira pela juíza da 9ª Vara Criminal do Fórum Lafayette de Belo Horizonte, Melissa Pinheiro da Costa Lage Giovanardi, oito anos depois de Azeredo ter sido denunciado. Cabe recurso da decisão e o tucano poderá recorrer em liberdade, de acordo com a Justiça mineira.

Os autos estavam à disposição da juíza da 9ª Vara Criminal e prontos para julgamento desde março deste ano, data em que foi recebido do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2014, Azeredo renunciou ao mandato de deputado federal, perdendo o foro privilegiado e atrasando a decisão da Justiça.

Azeredo era o réu mais famoso entre os acusados em processos vinculados à operação financeira de Marcos Valério para o PSDB de Minas Gerais. Os recursos foram desviados por meio de contratos de patrocínio forjados com estatais - como a Copasa e a antiga Comig, atual Codemig - para desviar R$ 3,5 milhões (R$ 9,3 milhões, em valores atualizados) para a campanha de 1998.

Desde o início deste ano, Azeredo ocupava um cargo na área internacional da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), com salário de R$ 25 mil.

ENTENDA O CASO - A denúncia contra os réus do mensalão mineiro foi apresentada em 2007, nove anos depois da ocorrência dos crimes atribuídos a eles. O prazo de prescrição é de 16 anos, mas cai pela metade para o réu que atinge 70 anos, idade que Azeredo atinge em setembro de 2018. Dois dos principais réus do mesmo processo - Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha de Azeredo, e o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, um dos coordenadores - já completaram 70 anos e se beneficiaram da prescrição, antes que fossem julgados.

O ex-senador Clésio Andrade, que também é réu em processo separado, mas relacionado aos mesmos crimes, é o próximo a ser julgado pela Justiça de Minas Gerais, mas ainda depende da tomada de depoimento do réu, a apresentação de alegações finais das partes para ser sentenciado.

Um terceiro processo vinculado aos mesmos fatos tem oito réus e segue ainda mais lento. O caso ainda está na fase de instrução, dependendo a realização de audiências para ouvir testemunhas e tomar o depoimento de todos os réus. Não há qualquer previsão de julgamento.




Em péssima fase no Inglês, Chelsea demite José Mourinho



ESPN

ESPN.com.br



José Mourinho não é mais técnico do Chelsea. Em péssima fase no Campeonato Inglês, o time demitiu o português do comando nesta quinta-feira, de acordo com diversos veículos da mídia britânica. Os Blues devem oficializar a informação em instantes.

O último jogo do Special One como treinador do time inglês foi a derrota por 2 a 1 para o Leicester City, no último domingo. Foi o 9º revés do atual campeão nacional em 16 jogos na liga até aqui. Da última vez que isso aconteceu, na temporada 1978/79, os Blues foram rebaixados.

A equipe de Stamford Bridge tem só 25% de aproveitamento e está na 16ª colocação da Premier League, a apenas um ponto da zona do rebaixamento. Já na Uefa Champions League, o time está classificado para enfrentar o PSG nas oitavas de final.

Mourinho, no entanto, vivia péssimo momento com diversos jogadores do elenco, como o atacante Diego Costa, que recentemente atirou um colete em sua direção ao ser substituído. Na última terça, o português chegou a dizer que se sentia "traído" pelos atletas.

Quem deve assumir o comando do Chelsea é o espanhol Juande Ramos, que já foi treinador do Real Madrid. Além disso, ele passou por times como Sevilla e Tottenham antes de chegar ao Dnipro Dnipropetrovsk, da Ucrânia, seu último trabalho.

Esta foi a segunda passagem de Mourinho por Stamford Bridge, durando de 3 de junho de 2013 a esta quinta. O primeiro período foi entre 2004 e 2007.

Com os Blues, o Special One, que ganhou este apelido devido às várias conquistas com o time, faturou três vezes o Campeonato Inglês, uma vez a Copa da Inglaterra e mais três vezes a Copa da Liga Inglesa, além de um Community Shield.

Na próxima rodada do Inglês, o Chelsea recebe o 19º colocado Sunderland, às 13h (horário de Brasília) deste sábado, em jogo decisivo na luta contra a degola.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Dilma Rousseff e Michel Temer são notificados para defesa no TSE



Notícias ao Minuto


Maria Thereza de Assis Moura, ministra relatora no TSE da ação que propõe a cassação da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, voltou ao TSE ontem no meio da noite para disparar a citação da dupla, do PT e do PMDB. Segundo o colunista de "O Globo", Lauro Jardim, Maria Thereza já estava em casa quando soube que a Procuradoria Geral Eleitoral havia devolvido o processo ao TSE.

A partir da notificação dos réus, começa a correr o prazo de sete dias corridos para a apresentação da defesa.

Como o recesso do Judiciário começa no sábado e os prazos processuais ficam suspensos durante o recesso, o prazo só terminará no início de fevereiro — os tribunais retomam o trabalho em 1º de fevereiro.




Botafogo prepara estratégia para lucrar com Arão

 

Gazeta Press - Rio de Janeiro, RJ

A diretoria do Botafogo já esperava, mas a notícia de que o Flamengo anunciou oficialmente a contratação do volante Willian Arão, em litígio com o clube, caiu como uma bomba em General Severiano. Não pela novidade, mas pela certeza, na visão do presidente do Alvinegro, Carlos Eduardo Pereira, de que o Rubro-Negro não agiu de maneira ética. Agora, a ordem é trabalhar duro na Justiça para conseguir lucrar com a situação.

O vice-presidente jurídico do Botafogo, Domingos Fleury, garante que a cláusula que prevê pagamento de R$ 20 milhões para a saída do jogador será respeitada. O clube está amparado por uma cláusula do contrato que previa a renovação do mesmo por mais um ano, a partir de dezembro de 2015, sem a necessidade de concordância do atleta. Para efetivar a cláusula, o Botafogo deveria aumentar o salário de Willian Arão, o que seria feito, e depositar R$ 400 mil de luvas. Por duas vezes o depósito foi feito e o volante devolveu o dinheiro.

Os advogados de Arão alegam que a cláusula de renovação automática foi derrubada por uma mudança na legislação da Fifa, feita em maio de 2015, porém, depois da assinatura de contrato. A lei, segundo os botafoguenses, não é retroativa.

– O Flamengo está correndo um risco em contratar o jogador nessas condições. Posso dizer que o Botafogo está amparado por uma cláusula que prevê o pagamento de multa – avisou Domingos Fleury.

Carlos Eduardo Pereira, por sua vez, lamentou a postura do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.

– Tinha uma relação pessoal com o Bandeira e por diversas vezes ele teve a oportunidade de falar comigo sobre a situação. Poderíamos ter conversado e quem sabe chegarmos a um entendimento. Porém, isso não aconteceu. Não fiquei decepcionado com o jogador, pois a postura dele nunca me fez esperar nada diferente, pois não tinha relações com ele e nem com seu empresário. Mas com o presidente do Flamengo houve uma decepção e isso com certeza vai acabar influenciando o relacionamento entre os dois clubes mais na frente – avisou Pereira.

O fato é que a permanência de Willian Arão no Flamengo ou seu retorno ao Botafogo vai gerar uma grande novela jurídica que promete se estender pelos próximos meses e conturbar a carreira do jogador.

Dentro de campo, o elenco do Botafogo se reapresentará em 2 de janeiro, quando começa a preparação para o Campeonato Carioca e para a Copa do Brasil. A pré-temporada será realizada no Espírito Santo.  Alguns amistosos, inclusive, já estão acertados para o período. O primeiro compromisso oficial em 2016 será a estreia no Campeonato Carioca, contra o Bangu, no último fim de semana de janeiro, em local a ser definido.






PF investiga desvio de R$200 milhões em obra do São Francisco com envolvimento de Youssef

 

Reuters

Reuters

A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira operação contra esquema de superfaturamento nas obras de transposição do rio São Francisco, em uma fraude que teria desviado 200 milhões de reais com participação de empresas fantasma do doleiro Alberto Youssef, já condenado como um dos operadores na Lava Jato.

Executivos envolvidos no esquema de corrupção fariam parte de um consórcio formado pelas empresas OAS, Galvão Engenharia, Barbosa Melo e Coesa Engenharia, e usavam companhias de fechada em nome de Youssef para o desvio de verbas públicas, de acordo com a PF.

"Empreiteiras já conhecidas -OAS, Galvão Engenharia, Coesa Engenharia- tinham uma conta própria para recebimento dos valores. Alguns valores destas contas eram transferidos para contas já conhecidas de empresas fantasmas do grupo Alberto Youssef", disse o superintendente da PF em Pernambuco, Marcello Diniz Cordeiro, em entrevista coletiva no Recife.

Youssef já foi condenado como um dos principais operadores do esquema bilionário de corrupção envolvendo a Petrobras investigado pela operação Lava Jato. Além dele, o lobista Adir Assad é outro envolvido na Lava Jato também investigado por suposta ligação com o desvio de recursos nas obras do São Francisco, segundo reportagens.

Os valores desviados pelo esquema investigado pela PF seriam destinados a obras de engenharia de dois dos 14 lotes de transposição do rio São Francisco, no trecho que vai do agreste de Pernambuco até a Paraíba. Os contratos investigados são de 680 milhões de reais, segundo a PF.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações indicam o envolvimento de políticos no esquema de desvio de recursos das obras de transposição do São Francisco, assim como na Lava Jato.

"Todo o cenário converge para que exista um núcleo político que ainda não foi identificado, e se isto ocorrer, obviamente, serão realizados os atos necessários em face desta situação", afirmou o delegado Felipe Leal a jornalistas.

A operação desta sexta-feira contou com cerca de 150 policiais federais para cumprimento de 32 mandados judiciais, incluindo quatro de prisão e 24 de busca e apreensão, nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Ceará, Rio Grande do Sul e Bahia, além de Brasília.

Os investigados responderão pelos crimes de associação criminosa, fraude na execução de contratos e lavagem de dinheiro, de acordo com comunicado da PF.

O consórcio OAS/Galvão/Barbosa Mello/Coesa não pôde ser contactado para comentários. (Reportagem de Caio Saad, no Rio de Janeiro)








Apesar de “mundo muito louco”, Léo ainda sonha ser presidente do Peixe



2Do correspondente Tiago Salazar - Santos, SP

Logo após encerrar sua vitoriosa carreira como jogador de futebol, Léo não quis saber de descanso e seguiu envolvido com o dia a dia do Santos, desta vez, como cartola. Estagiando na direção comandada por Modesto Roma Jr, o ex-lateral esquerdo do Peixe tem conhecido o mundo dos bastidores, admite o choque de realidade, mas não perde o estimulo de alcançar seu principal objetivo: “A presidência. É um sonho que eu tenho, não sei quanto tempo vai levar nem se eu vou conseguir, mas é um sonho que eu tenho e eu estou me preparando para isso”, avisa, em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.

Léo vestiu a camisa santista em 455 oportunidades, conquistou oito títulos pelo alvinegro praiano, atingindo a marca de maior campeão do Peixe após a Era-Pelé. Foram dois Brasileiros (2002 e 2004), uma Copa do Brasil (2010), uma Libertadores da América (2011), uma Recopa Sul-americana (2012) e três Paulistas (2010, 2011 e 2012). E se ele deveria ter algum receio em perder a idolatria conquistada nos campos, caso assuma uma posição de líder na diretoria, é exatamente o que não há.

“Quem me conhece sabe. Se tem alguma coisa que não combina comigo é medo, né? Eu não tenho medo, não. Eu quero me cercar de pessoas corretas e pessoas que conhecem o futebol. Eu sou muito grato ao presidente e toda a direção por estar dando a oportunidade de eu estar participando, de eu estar conhecendo como é, porque é totalmente diferente do jeito que eu pensava. Mas é um objetivo que eu tenho, por isso que eu estou me preparando para fazer o melhor”, explica.

Sobrinho do falecido Tite, ex-ponta esquerda do Santos nas décadas de 50 e 60, Léo, hoje estagiário na cúpula alvinegra, revelou eu vai se afastar por um tempo para seguir com seu período de aprendizado. “Eu vou continuar, pretendo continuar. Vou sair um pouco do país. Estudar, dar uma olhada nos outros clubes. Preciso. Vai ser bom para mim. Mas sempre ligado aqui, sempre procurando ajudar o Santos no que eu puder”, diz.

Vivendo uma experiência inédita no futebol aos 40 anos, Léo admite que de todas lições até aqui, a que mais lhe causou espanto é a relação entre empresários, clubes e jogadores. As negociações no esporte assustaram o Guerreiro.

“Cara, aparece um empresário. Ai, meia hora depois, aparece outro. Ai fica aquela coisa: ‘mas não é um, é o outro’. Cara, é muito louco. Muito louco. E o futebol não para. É rápido. Você perdeu dez minutos e pode perder o atleta. Você tem que estar correndo o mais rápido possível”, conta, antes de adjetivar essa fase de abertura de mercado como “terrível”.

Análise de 2015 - Quando viveu sua melhor fase na carreira, inclusive participando do título da Copa das Confederações com a Seleção Brasileira, em 2005, Léo aceitou a proposta do Benfica, de Portugal, e buscou aproveitar sua oportunidade de jogar na Europa. Agora, ele torce para as grandes estrelas do elenco santista não deixarem o time na próxima temporada. Porém, como ex-jogador, entende que se a opção dos atletas for por jogar em outros centros, o clube tem de compreender.

“É a valorização do profissional. Eu já vivi isso. É fruto do que eles fizeram. Tem que ser muito bem analisado. Procurados, direção, eles mesmos, entendeu? Atletas têm sonhos também. Então, a gente espera que ocorra o melhor, tanto para os atletas quanto para o clube”, afirma.

Analisando a temporada, Léo primeiro preferiu encerrar o assunto sobre o gramado da Vila Belmiro ter disso castigado na reta final do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil depois de tantos jogos das equipes de base e que geraram muitas reclamações dos jogadores do time principal e do técnico Dorival Jr.

“Não adianta. Agora vão especular um monte de coisa. Não resolve, já estamos em 2016, não quero nem voltar nesse assunto”, despista, antes de avaliar a temporada do Santos de forma geral e chegar a conclusão de que o ano foi positivo, mesmo após as frustrações nas competições nacionais.

“Eu vejo tudo pelo lado positivo. Eu começo pela dificuldade que foi o ano, os jogadores todos saindo, uma dívida absurda, salários atrasados…e o presidente colocou a casa em ordem, conquistou o Campeonato Paulista, ficou entre os dez no Campeonato Brasileiro, quase chegou à Libertadores, brigou pela Copa do Brasil. A torcida do Santos tem que estar feliz. Lógico, fica aquele gostinho (amargo). Mas, “poderia”. Não chegou. Agora é trabalhar, ver o que aconteceu de positivo e negativo para não ocorrer em 2016”, finaliza Léo.

Marcelo Odebrecht deixa presidência da empresa



Agência O Globo

Agência O Globo

A Odebrecht informou, em nota, que Marcelo Odebrecht decidiu formalizar seu afastamento da Presidência da Odebrecht S.A., bem como do cargo de presidente dos Conselhos de Administração da Braskem, Odebrecht Óleo e Gás, Odebrecht Realizações Imobiliárias e Odebrecht Ambiental. Odebrecht, que está preso há quase seis meses, desde o último dia 19 de junho, vai, segundo a nota, se dedicar “integralmente à sua família e à sua defesa nas ações penais a que responde”.

“A Odebrecht acredita que a injusta e desnecessária prisão preventiva de Marcelo será revogada, o que possibilitará que ele se dedique integralmente à sua família e à sua defesa nas ações penais a que responde. A Odebrecht confia que ao final dos processos judiciais em curso, a inocência de Marcelo Odebrecht será formalmente reconhecida”, afirma a nota, divulgada no final da noite de quinta-feira.

O Conselho de Administração da Odebrecht S.A. formalizou a nomeação de Newton de Souza, que segue como Diretor-Presidente da Odebrecht S.A. e Presidente dos Conselhos de Administração das empresas mencionadas.

Atualmente, Marcelo Odebrecht está detido no Complexo Médico-Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O local abriga presos que têm curso superior, policiais acusados de crimes e pessoas com problemas de saúde.

Na quinta-feira, o Superior Tribunal de Justiça retirou da pauta o julgamento de um pedido de habeas corpus para Marcelo Odebrecht e Márcio Faria, ex-executivo da companhia. A situação dos dois deve ser julgada na próxima semana.

Na mesma sessão, os ministros decidiram manter presos o presidente da construtora Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo e o executivo da empresa Elton Negrão.

Os ministros também não aceitaram o pedido de habeas corpus feito pela defesa do publicitário Ricardo Hoffmann, que é réu em um dos processos da Lava Jato, envolvendo o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu.

Em todos os casos, somente o relator dos pedidos, ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, votou para que eles fossem para prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Ele não foi seguido pelos colegas. Todos devem permanecer em prisão preventiva no Paraná.




Antes de eleição, vice rompe com Del Nero e ameaça levar denúncias à CBF

Gustavo Feijó, vice-presidente da região Nordeste da CBF, promete fazer nesta terça-feira na sede da entidade uma série de denúncias.

Campinas, SP, 15 - Marcada para quarta-feira, a eleição para vice-presidente da CBF se transformou em uma batalha jurídica e abriu um racha no comando da entidade. A manobra do presidente licenciado Marco Polo Del Nero para tentar eleger o coronel Antônio Nunes, presidente da Federação Paraense, não foi bem aceita por outros dirigentes e fez ampliar o bloco da oposição.

Gustavo Feijó, vice-presidente da região Nordeste da CBF, promete fazer nesta terça-feira na sede da entidade uma série de denúncias contra a atual gestão. "Além desta convocação para a eleição de vice-presidente, há muitos outros atos irregulares. Vou levar um documento com todos os artigos do estatuto que não estão sendo respeitados. Não posso concordar com o que vem acontecendo na CBF", disse Feijó ao jornal à reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.

O dirigente não quis revelar o teor das denúncias, mas antecipou que o alvo é Del Nero. "Não concordo com o pedido de licença. Estou muito decepcionado com ele. Até alguns dias atrás, eu acreditava no Del Nero porque eu perguntava se ele tinha culpa no cartório e ele dizia que não devia nada. Mas, se quem não deve não teme e não precisa ter medo, porque ele pediu licença?", questiona.

Feijó lidera um grupo de oito federações do Nordeste que passaram a fazer oposição a Del Nero: Alagoas, Pernambuco, Piauí, Bahia, Paraíba, Sergipe, Rio Grande do Norte e Maranhão. Antes, apenas as federações de Santa Catarina e Rio Grande do Sul se declaravam publicamente contrárias à gestão de Del Nero.

A eleição para vice-presidente da CBF está suspensa pela Justiça desde a última sexta-feira. Nesta segunda-feira, o juiz Mario Cunha Olinto Filho, da 2.ª Vara Cível, negou recurso da CBF, manteve a suspensão e ainda estabeleceu multa de R$ 100 mil caso a entidade descumpra a sua decisão de suspender o pleito. A medida, complementar à liminar concedida na semana passada, é para evitar que a CBF realize a eleição "de qualquer maneira".

Em seu despacho, o juiz afirma que tomou a decisão de aplicar a multa caso a eleição fosse disputada diante da "notícia de que a ré pretende realizá-la de qualquer maneira, gerando insegurança jurídica e desrespeito à ordem já emanada".

Na última sexta-feira, Olinto Filho acatou pedido de Delfim de Peixoto, presidente da Federação Catarinense e vice-presidente mais velho da CBF, de suspender a eleição. O juiz alegou que havia "indícios de irregularidades" no processo.

Coronel Nunes é candidato único à vaga de vice de José Maria Marin, que está em prisão domiciliar nos Estados Unidos. A estratégia de Del Nero é eleger Nunes, que tem 77 anos e, assim, passaria a ser o vice mais velho. O plano foi montado para impedir que Delfim, que tem 74 anos, assuma o poder.

Desde a licença de Del Nero, o presidente interino da CBF é o deputado federal Marcus Vicente (PP-ES). O parlamentar só assumiu o cargo porque Del Nero pediu licença e pôde indicar o vice que o substituiria. Em caso de renúncia, o vice mais velho assume a presidência.




Peru, castanhas e rabanadas



Há muitos anos nasceu Jesus. Jesus de Nazaré nasceu em Belém. Muitos afirmam que esse Nascimento teria acontecido no dia 25 de dezembro, numa manjedoura em um local também ocupado por alguns animais domésticos.

Pelo sim ou pelo não, a data acabou se transformando numa festa pagã, se contrapondo às condições do nascimento e da própria vida de Jesus de Nazaré, que morreu crucificado – para salvar a humanidade.

Assim, o dia 25 de dezembro é comemorado no Brasil como o “Dia de Natal” – nascimento de Jesus. Todos os anos, em alguns lugares deste Brasil, tudo vira festa, independentemente de que, noutros lugares sequer se tenha um naco de pão para comer.

Temos fartura e muita sobra em algumas mesas, enquanto em outras a falta é grande e nunca sobra nada – por que não tem nada. É o Brasil, de norte a sul e de leste a oeste.

Pois, entre fartura e carência, descobrimos (na verdade, imaginamos!) que tem alguém preparando aquela “ceia natalina” repetida em muitas mesas por esse Brasil à fora.

Castanhas portuguesas, nozes, costelinha de porco, avelãs, vinhos e champanhes, peru e a até a indispensável rabanada – que se torna mais gostosa quando é “dormida” (come-se na manhã do dia seguinte).

Responsável pela carceragem da Polícia Federal em Curitiba, o “japonês bonzinho” Newton Ishii, com certeza não vai deixar faltar nada para aqueles que estão lá e, provavelmente, para os que deverão chegar.

Outra atribuição do “japonês bonzinho” tem sido a elaboração e o sorteio do “amigo secreto” (oculto ou invisível) – que varia de Estado para Estado neste Brasil continental. A lista só será fechada quando chegarem os “novatos”.

Não faltará um bom vinho francês ou italiano das melhores castas – nem terá importância alguma que, na mesa do pobre trabalhador brasileiro sequer tenha uma garrafa do químico São Braz. Nove dedinhos não bebe outra coisa (nem a Itaipava!) que não seja a caninha “Amacia Bunda”.

Essas coisas todas nos fazem lembrar o projeto que a justiça americana tenta aprovar: o custeio da “hospedagem” por parte dos condenados, enquanto estiverem cumprindo pena e, paralelamente, o “direito” constitucional de outras exigências.

Como no Brasil tudo é diferente (e paternalístico), nem duvidamos que os condenados, além dessa elogiável “ceia natalina”, em contrapartida com o projeto americano, passem a exigir contagem do tempo (de serviço!) e a correção do Bolsa Reclusão de acordo com os índices inflacionários.

Por ser uma festa pagã, sem deixar de ser religiosa, alguns “hóspedes” certamente exigirão a manutenção da tradição natalina, e pedirão para assistir a Missa do Galo.

A legislação ainda não permite “indulto” ou “saída temporária” para visitação aos familiares – até porque, pelo que se noticiou tinha gente até com rota de fuga traçada. Sair para visitar a família passa a ser uma temeridade.

Não sabemos se poderia acontecer algo “extra” nesse Natal, mas não custa nada o “japonês bonzinho” se prevenir para atender os costumes de alguns. Veja essa notícia veiculada na tarde da sexta-feira, 11:

“PF decide intimar Lula para prestar depoimento na Operação Zelotes

Estadão


Rafael Moraes Moura, especial para O Estado, Andreza Matais, de Brasília e Fausto Macedo



A Polícia Federal expediu mandado para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja intimado a prestar depoimento na Operação Zelotes sobre o suposto esquema de compra de medidas provisórias editadas em seu governo e no da presidente Dilma Rousseff. O mandado 6262 é do dia três de dezembro e define o comparecimento do ex-presidente na próxima quinta-feira, dia 17, na sede da Polícia Federal em Brasília. O esquema de compras da MPs foi revelado pelo “Estado” em série de reportagens.

A determinação para a intimação é assinada pelo delegado Marlon Oliveira Cajado dos Santos, responsável pelas investigações da Operação Zelotes, e datada do dia 1º de dezembro. No documento, o delegado justifica que Lula deverá prestar esclarecimentos sobre “fatos relacionados ao lobby realizado para a obtenção de benefícios fiscais para as empresas MMC Automotores, subsidiária da Mitsubishi no Brasil, e o Grupo CAOA (fabricante de veículos Hyundai e revendedora das marcas Ford, Hyundai e Subaru), bem como outros eventos relacionados a essas atividades”.

Lula assinou as medidas provisórias 471/2009 e 512/2010 que estão sob suspeita de terem sido compradas por esquema de corrupção que envolve lobistas e montadoras de veículos que se beneficiaram de prorrogação de incentivos fiscais definidas por essas normas.

O filho mais novo do ex-presidente, Luís Claudio Lula da Silva, recebeu R$ 2,5 milhões da Marcondes & Mautoni, consultoria contratada pelas duas montadoras para fazer o lobby pelas MPs, por meio de sua empresa, a LFT Marketing Esportivo. Há suspeitas de que o dinheiro seja pagamento pela edição das normas.

A PF instaurou novo inquérito para aprofundar as investigações sobre os pagamentos feitos a Luís Claudio após identificar que o trabalho que diz ter prestado à Mautoni se resumiu a cópia de material produzido na internet, em especial o site Wikipedia.

O depoimento de Luís Claudio também não foi considerado convincente pela PF e pelo Ministério Público, para quem ele não conseguiu explicar a razão de ter recebido o pagamento milionário. Os sócios da consultoria, Mauro e Cristina Marcondes, estão presos pela PF e a Justiça já acatou denuncia contra os dois.

O filho mais novo do ex-presidente, Luís Claudio Lula da Silva, recebeu R$ 2,5 milhões da Marcondes & Mautoni, consultoria contratada pelas duas montadoras para fazer o lobby pelas MPs, por meio de sua empresa, a LFT Marketing Esportivo. Há suspeitas de que o dinheiro seja pagamento pela edição das normas.

A PF instaurou novo inquérito para aprofundar as investigações sobre os pagamentos feitos a Luís Claudio após identificar que o trabalho que diz ter prestado à Mautoni se resumiu a cópia de material produzido na internet, em especial o site Wikipedia.

O depoimento de Luís Claudio também não foi considerado convincente pela PF e pelo Ministério Público, para quem ele não conseguiu explicar a razão de ter recebido o pagamento milionário. Os sócios da consultora, Mauro e Cristina Marcondes, estão presos pela PF e a Justiça já acatou denúncia contra os dois.”




Botafogo estuda reintegrar Henrique Almeida



Gazeta Press - Rio de Janeiro, RJ

Contratado com status de titular pelo Botafogo, o atacante Henrique Almeida nunca conseguiu se firmar com a camisa do time. Ganhou oportunidades com Oswaldo de Oliveira, com Eduardo Húngaro e até mesmo com René Simões, porém, parecia não contar com a simpatia de nenhum deles. Acabou emprestado ao Coritiba para a disputa do Campeonato Brasileiro deste ano e por lá emplacou, sendo decisivo na campanha que impediu o rebaixamento do time paranaense. Agora, a diretoria do Botafogo estuda a reintegração do atleta ao elenco, principalmente porque não existem propostas concretas.

O Coritiba procurou o Botafogo com o objetivo de prorrogar o empréstimo, hipótese que foi rebatida pelos botafoguenses, que agora trabalham apenas com duas possibilidades: uma transação em definitivo ou a reintegração do jogador.

Henrique Almeida estaria nos planos de Atlético-MG e Internacional, porém, nenhum desses clubes formalizou proposta ao Glorioso. O seu empresário fala em interesses do futebol asiático, mas que também não passam de especulações.

Com a indefinição sobre o futuro de Henrique Almeida, o clube ainda não formalizou a renovação de contrato do também centroavante Ronaldo, que tem os direitos federativos ligados ao Yokohama, do Japão. Os japoneses aceitaram a prorrogação do empréstimo e o atleta acertou as bases salariais com o clube carioca, mas ele só permanecerá no Glorioso se o ex-atacante do Coritiba não for reintegrado ao plantel. Além dos dois, o Botafogo conta para o setor com jovens revelados na base, como Luis Henrique, Vinícius Tanque e Sassá. O uruguaio Álvaro Navarro não chegou a um acordo para renovar contrato.

A ideia da diretoria do Botafogo é ter o elenco fechado até o dia 02 de janeiro, quando está marcada a reapresentação do plantel. A equipe treinará em Vitória, capital do Espírito Santo, durante a pré-temporada. Alguns amistosos, inclusive, já estão acertados para o período. O primeiro compromisso oficial em 2016 será a estreia no Campeonato Carioca, contra o Bangu, no último fim de semana de janeiro, em local a ser definido.

Fora de campo, a diretoria confirmou General Severiano como sede para os treinos do elenco profissional em 2016. A ideia de levar o futebol para a sede, que era promessa do presidente Carlos Eduardo Pereira, foi agilizada porque o clube vai ter que entregar o Estádio Nilton Santos para a disputa dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O estádio ainda vai precisar de algumas obras antes do evento.




Delfim Netto: “O Brasil é um país normal, anormal é o Governo”



El País


Ana Carolina Cortez, Heloísa Mendonça, Carla Jiménez

Aos 87 anos, o ex-ministro Delfim Netto já viu o Brasil passar por diversas crises econômicas e turbulências políticas. Por isso, é enfático em dizer que o que estamos vivendo hoje "não é nenhuma brincadeirinha" e que o problema da recessão não tem relação com o exterior, "é interno mesmo". Delfim não acredita que um "mau Governo" seja motivo para a troca de presidentes antes da eleição. Tampouco, que o impeachment é a solução para a retomada do crescimento do país, mas, independentemente de quem esteja no poder, a presidenta Dilma Rousseff ou seu vice Michel Temer, o desafio será o mesmo: destravar o impasse político no Congresso.

"Se a Dilma ficar, vai ter que demonstrar que é capaz de reassumir o seu protagonismo, de reunir a sua base que é gigantesca", disse em entrevista ao EL PAÍS, em seu escritório em São Paulo. Para o economista, Dilma é uma "guerreira, honesta, que tem até boas ideias, mas na hora de colocar em prática faz uma confusão do diabo". Sobre Temer, Delfim tece apenas elogios: um "cavalheiro" que sabe fazer política e poscsui hoje um programa "muito superior ao que estamos fazendo hoje".

Pergunta. Estamos no meio de um processo definitivo de julgamento desse Governo. Qual a sua avaliação?

Resposta. Bem que eu gostaria que fosse definitivo. Primeiro, honestamente não sou a favor do impeachment, porque a longo prazo a fortaleza das instituições é muito melhor para o crescimento que uma coisa como essa. É muito simples, as instituições estão funcionando. Em qualquer regime democrático, o mau Governo não é razão para ser substituído antes da eleição. Não há nenhuma razão para pensar assim: não gosto mais da Dilma então vou tirá-la. Errou na eleição, paga. Voto tem consequência. O Brasil precisa aprender que o segundo turno não é para você votar em que você quer, o segundo turno é para votar no menos pior. A Dilma foi eleita com a maioria absoluta, teve um terço mais um pouco dos votos. O Aécio Neves teve um terço e menos um pouquinho e um terço não votou ou votou em branco. É essa gente que não votou que está na rua. Eles tinham que voltar para a escola e em 2018 votar melhor, porque o Brasil não é uma pastelaria. Pretendemos construir uma sociedade civilizada e é esse processo que estamos tentando fazer.

P. Hoje temos uma realidade clara: ou continuamos com a presidenta Dilma, ou assume o seu vice, Michel Temer. O que acontece com a economia em ambos os casos?

R. Se o impeachment tiver sucesso, o Temer vai assumir, vai constituir o seu Governo e mudará a política econômica. O sucesso do Temer vai depender da capacidade de administrar a política, que é um problema nosso. Se a Dilma ficar, vai ter que demonstrar que é capaz de reassumir o seu protagonismo, de reunir a sua base que é gigantesca. São dez partidos. Só que não tem nenhuma fidelidade. O que acontece? Se não demonstrar isso, simplesmente vai continuar do jeito que está. Serão mais três anos desse jeito. Em 2015, o PIB pode cair 4%, no ano que vem recua mais 2% e, em 2017, mais 1%. Em 2018, acende a lâmpada da eleição, acende a esperança, igual na Argentina. Aí volta a alegria.

P. Mas além da insatisfação, existe o argumento das pedaladas fiscais...

R. As pedaladas não são um problema. É claro que o impeachment é uma questão política, mas tem que ser com alguma prova material de verdade, de que houve um abuso de poder. Desde de Dom João VI se faz pedalada no Brasil. O volume hoje é maior porque o Brasil cresceu ao longo dos anos. Agora, no caso da Dilma, é pecado capital? No caso do Aécio teria sido pecado venial...

P. A tese de que houve a pedalada em 2015 então é fraca?

R. A pedalada em 2015 existe, como existiu antes da Dilma e vai ser corrigida. Em qualquer momento, você vai encontrar problemas de fluxos no orçamento. A Caixa adiantou dinheiro ao Tesouro, depois recebeu. Se não tivesse pago no mesmo ano, seria empréstimo e, aí sim, crime. Mas vão ter que provar isso. Você até pode fazer uma prova material de que houve uma pedalada que foi ajustada no fim do ano. Mas isso acontece no Brasil, na Espanha, na Alemanha, no mais virtuoso dos países. Mas é um sistema que se corrige.


R. Isso é diferente, se vier do TSE é a consagração de que as instituições estão realmente funcionando. Só isso aumenta o PIB 1% no futuro. Você pode dizer, de fato, que a eleição teve um processo de "marketagem" muito mentirosa. Isso tudo é verdade.

P. E o argumento da propina da Petrobras?

R. Isso é outra coisa. Mas mostra que as instituições estão mais fortes, que os culpados estão sendo processados. O Brasil está mudando radicalmente e a Lava Jato reflete isso. Quando alguém argumenta que o PIB caiu por causa da operação está falando a maior besteira. A Lava Jato está preparando o país para crescer solidamente muito mais.

P. Você acha que esse movimento é irreversível, mesmo com uma mudança de Governo?

R. Sim, isso é uma loucura completa. Não há nenhum país emergente e provavelmente nem desenvolvido que tem o Supremo Tribunal Federal (STF) independente, defensor dos direitos individuais como o nosso. Todas as dúvidas que sempre se colocaram foram desmentidas. O Brasil está construindo uma sociedade. A Dilma é uma pena que você tem que pagar e é produto da fortaleza das instituições. A Dilma não assumiu os erros, mas procurou quem fizesse [a correção], que era o Joaquim Levy. Por que o Levy não deu certo no início? Porque ninguém acreditou que ele representasse o que a Dilma pensava. Ele é uma antítese dela.

P. Trocar o Joaquim Levy pelo Henrique Meirelles [nome que circula para um eventual Governo de Temer] seria uma solução?

R. Levy é um belíssimo economista, uma pessoa absolutamente competente, muito envolvida no processo, inclusive sob críticas duras, tem resistido. Trocá-lo pelo Meirelles é uma decisão da presidenta, caso ela sobreviva. Para mim, isso é irrelevante. O que está acontecendo é uma espécie de experimento crítico. É aquele experimento que tem que se decidir as coisas. Na matemática, um contraexemplo destrói uma conjectura, e acabou. Ninguém mais fala. Agora, apresentou-se um pedido de impeachment feito por três juristas. O que tem que ser avaliado na prática é se houve ou não uma violação, se ela produziu um desvio de comportamento. Em minha opinião, não.

P. E o poder das ruas?

R. Isso não pode ser decidido em passeata de gente vestida de vermelho ou de gente vestida de verde e amarelo. Isso é uma coisa ridícula. Eles têm que ir para as urnas em 2018 para saber quem pode. O problema é que se você quiser ter um país civilizado, você precisa de instituições sólidas, civilizadas e permanentes. Não importa o que esta acontecendo, se você mantiver a integridade das instituições, daqui a 10 anos o Brasil vai crescer 0,5% mais do que cresceria se você transformar o país em uma pastelaria. O pessoal diz: vou fazer um impeachment porque eu não gosto dela. Eu tenho uma grande admiração pela Dilma. Acho que ela é honesta, tem honestidade de propósito e, de vez em quando, tem até boas ideias. No entanto, na hora de colocar em prática faz uma confusão do diabo.

P. Por que essa confusão?

R. Simplesmente para a Dilma funcionar, o dia tinha que ter 240 horas. Ela não confia em ninguém. Ela quer olhar tudo. Alguém diz: Dilma dois e dois são quatro. Ela responde: não se precipite. Ela não fala assim tranquila não. Traz um especialista, um computador, repete a operação para saber se dois mais dois são mesmo quatro. A Dilma se meteu em um negócio de energia elétrica para mudar o mundo da energia no Brasil, mas não distingue corrente contínua de alternada. É muito mais pretensão de saber e o desejo de fazer a coisa certa, é disso que se trata. Do ponto de vista da administração isso é ruim mesmo. É uma tragédia, que estamos vivendo. O PIB caiu 4,5% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior. É uma recessão, não é uma brincadeirinha. A situação fiscal é delicada e não é apenas delicada hoje.

P. Qual o maior problema?

R. O mais grave é a dinâmica da dívida. Não temos mais confiança de que vamos ter controle sobre o crescimento da dívida em relação ao PIB. E nós sabemos que o importante não é o nível que se atingiu, é a expectativa sobre onde você vai atingir. O ano de 2011 foi perfeito. A Dilma corrigiu alguns exageros do Lula. O país cresceu 3,9%, a inflação estava abaixo de 6%, a relação da dívida sobre o PIB foi reduzida e ela fez superávit maior que o do Lula. O desastre aconteceu em 2012, quando ela interpretou mal o apoio gigantesco que ela tinha. Ela fez intervenção na energia e no câmbio arbitrariamente e mesmo assim sua popularidade subiu. A sociedade apoiou a Dilma nos seus erros.

P. O setor produtivo também apoiou o modelo dela, a FIESP e a CNI apoiaram a queda dos juros e hoje execram as decisões que a presidenta fez no passado...

R. O mercado sabe sempre menos e sempre se salva no fim. Basta ver que ele começa o ano prevendo o crescimento do PIB de 0,5%, e termina com queda de 4,5%. As desonerações foram um erro mortal. O país jogou fora quase 4% do PIB com estímulos que não funcionaram porque o Governo controlava o câmbio. O subsídio serviu apenas para importar equipamentos da China. É um negócio inacreditável e estavam todos apoiando. Ela foi surpreendida nas manifestações de 2013. Aí veio abaixo, mas a presidenta acabou se recuperando e se reelegeu. As pesquisas de opinião valem mais que qualquer outra coisa. Para o político não tem certo ou errado, tem aquilo que vem da pesquisa. Um exemplo é aqui em São Paulo. O Governador ia fazer uma reforma educacional, mas bastou ver sua popularidade cair nas pesquisas que o programa foi suspenso

P. A inflação acumula 10,4%. E agora?

R. Vai terminar o ano em 11%, mas não vai passar disso. Inflação de 9% ou de 12% é igual, desde que você garanta que no ano que vem melhore. Afinal, inflação não é preço alto, é preço crescendo.

P. Mas para melhorar no ano que vem a tendência era ir caindo, o que não está acontecendo....

R. Não tem tanta importância, porque este aumento reflete uma inflação que estava escondida, de preços administrados [energia e combustível]. Anos atrás, o Governo não quis aumentar a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) por medo de que isso puxasse mais a inflação. No fim, a inflação aumentou muito mais. São pequenos equívocos táticos que atrapalham a estratégia, dificultam para que o ano que vem seja normal. O Brasil é um país normal, o anormal é o Governo. Nos últimos cinco anos, o Brasil cresceu 5%, e a população quase 6%. Mas o PIB do mundo cresceu 17%. E os emergentes, exceto o Brasil, 28%. Então não tem nada com o exterior, o problema é interno mesmo.

P. O governo afirma que sem a aprovação do ajuste no Congresso, não conseguiremos sair da recessão. Até que ponto a recessão é mesmo um problema mais político do que econômico?

R. Nós inventamos um regime que se chama presidencialismo de coalizão. Mas que nem "presidencializa", nem “coaliza”. O Congresso só funciona quando você tem um Executivo que realmente exerce o seu papel. É função da Dilma, se ela sobreviver, ir ao Congresso, mesmo com o parco orçamento que restar, e apresentar quatro ou cinco projetos que corrijam os problemas ínsitos da Constituição, que produzem um desequilíbrio fiscal orgânico, definitivo. A nossa Constituição, ainda que muito boa, tem problemas absurdos. As vinculações, por exemplo. São como deixar o avião no piloto automático e esperar acabar a gasolina. Salário mínimo é um instrumento de administração salarial. Agora, não pode ser usado como indicador para tudo. A Dilma precisa ir para a rua enfrentar o panelaço. “Estou aqui, pode bater panela. Mas estou aqui para salvar o seu neto.”

P.A carta do Temer não foi como furar o convés do navio?

R. Se você olhar a carta, é um desabafo. É a carta de um cavalheiro. A divulgação da carta é uma falta de educação. É isso que sempre faz a diferença.

P. Não teria sido vazada pelo próprio PMDB?

R. Claro que não. Foi o Palácio que deu. Não vou ter dúvidas sobre isso: o Temer é um cavalheiro. O maior problema do Governo é a falta de educação. Ponto final.

P. No caso de Dilma não sobreviver e o Temer assumir, qual seria o apoio do Congresso para aprovar as medidas necessárias à retomada do crescimento?

R. O Temer hoje tem um programa, "Uma ponte para o futuro". Nós sabemos o que ele pretende e que é um sujeito que sabe fazer política, de forma que ele vai tentar construir uma maioria para executar o programa dele.

P. O programa dele difere muito do programa da Dilma?

R. O programa é um antípoda da Dilma. É como o da Dilma, só que multiplicado por menos um. O que não garante que vai dar certo. Mas o programa do Temer é muito superior ao que estamos implementando hoje. Disso não tenho a menor dúvida.

P. Há boatos de que você estaria envolvido na elaboração do programa do Temer...

R. Não me comprometa. Acho um programa muito bom, bastante razoável, exequível, que mantém os objetivos de construir uma sociedade civilizada, inclusiva, de forma que eu não teria nenhuma dúvida de que se esse programa fosse executado, até pela Dilma, iria funcionar.

P. O programa do PMDB propõe mudanças estruturais que são há muito tempo conhecidas. Por que é tão difícil defendê-las no Legislativo?

R. O drama brasileiro é que, desde a primeira eleição, nenhum presidente, quando estava no auge do seu prestígio, se incomodou em mudar as coisas que têm que ser mudadas na Constituição. Fernando Henrique, no auge de seu prestígio, quando fez o Plano Real, não fez a correção fiscal. Deixou para frente, foi empurrando com a barriga. Por quê? Porque não queria jogar o patrimônio dele fora. O Lula, no auge do seu prestígio, não fez nenhuma mudança constitucional - a que fez, não foi muito bem feita, foi no caso do petróleo. Mas de qualquer maneira, nenhum presidente quis colocar o prestígio em risco. A Dilma pôs. Em 2011 ela mudou a aposentadoria do funcionalismo. Ninguém tinha coragem de mexer na caderneta de poupança, ela mexeu. Mas é preciso um pouco de moderação. Cometeram-se erros muito graves. No entanto, volto a insistir. O erro não é suficiente para tirar o presidente.

P. Se a Dilma continuar seu mandato, o processo de impeachment vai ter ensinado a ela ser mais flexível, a delegar?

R. Você pode falar o que quiser da Dilma, mas ela é uma guerreira. Na verdade, ela ainda acha que está certa. Você tem que aplicar na Dilma aquele teorema de [William Isaac] Thomas, da sociologia. Se o sujeito acha que uma situação é verdadeira, ele age como se ela fosse verdadeira. Ela crê que está certa e, portanto, age dessa forma. O Brasil deu para ela o poder para fazer isso, porque esse é o regime presidencialista. Não é a situação atual que é trágica. É que você está sob a ameaça de perder, de fato, o controle sobre o endividamento. Em 2013, a Dilma terminou o governo com uma dívida bruta equivalente a 53% do PIB. Este ano, vai terminar em 68%. Mas, para 2016, o negócio ameaça 74%.

P. Dilma ou Temer têm melhores condições de corrigir a economia rapidamente?

R. Rapidamente não. O Brasil não faz nada na base da violência. Existem direitos adquiridos. Mas se você souber que não vai perder o controle da economia, que daqui há cinco anos a dívida vai voltar ao equilíbrio, funciona hoje. Pois esse é o drama da economia. A economia é expectativa. É uma ciência subordinada à psicologia. Eles descobriram que existe o homem, porque antes era o homoeconomicus. A descoberta do homem foi um dos grandes avanços para a economia.

P. Tem alguma diferença dessa recessão, com outras, como a dos anos 80, ou dos anos 30? Alguns economistas tem falado que esta é a pior recessão do século XX.

R. Eu acho que, no fundo, depende do resultado da recessão. Por exemplo, a recessão de 1981 e 1982 foi forte, só que produziu um resultado positivo. Acabou com o déficit em contas correntes. Esta recessão não está acabando, mas a mudança do câmbio está na direção certa. A recessão é grave? Para saber, pegamos três anos antes da recessão e três anos depois. A recessão que gera crescimento lá na frente é positiva no final, foi razoável.

P. O câmbio está flutuando de novo, mas a inflação já chegou a dois dígitos e a meta fiscal agora é um déficit. A gente perdeu os fundamentos econômicos? O que essa recessão pode nos trazer de positivo?

R. Nós já tivemos situações difíceis. Em dezembro de 2013, não tínhamos problema nenhum. Superávit primário de 1,9% do PIB, dívida bruta de 53% do PIB. Um ano depois, o déficit [nominal] subiu para 6% e a dívida para 59%. A Dilma produziu o desequilíbrio deliberadamente. Ela fez o que o Maquiavel diz. Qual é o primeiro dever do governo? Continuar governo. Esse foi o axioma que conduziu a política. Só não funcionou porque ela deveria ter feito uma confissão depois da eleição, de que teve a melhor intenção do mundo, fez tudo o que achava correto. Mas, infelizmente, estava errada. Porém, a Dilma tem só uma certeza, a de que nunca errou.

P. Mas quando o governo falou que errou, quando diminuiu a meta, viu a resposta. A S&P rebaixou o nosso rating, tirou o grau de investimento.

R. A S&P ia rebaixar de qualquer jeito. Com todos os problemas que têm as agências de risco, elas estão acostumadas a olhar para aritmética. E têm essa obrigação. Então, não adianta ficar triste. É como quando sai o levantamento do World Economic Forum e descobrimos que estamos em 141º lugar. Todo mundo fica furibundo. Quando eu era ministro, também ficava. Depois, quando eu chegava em casa e pensava "faz sentido".

P. Como você acredita que o governo Dilma vai ficar para a história?

R. Como governo Dilma. A Dilma, eu espero, que se ela sobreviver a esse experimento crítico, ela recupere o seu protagonismo, vá ao Congresso, apresente as reformas, reúna a sua base e termine bem o governo. De qualquer forma, o buraco que está no PIB, esse vai restar. Daqui 50 anos, quando o PIB der aquela curva, vão dizer "olha, aqui foi ela".