sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O rapaz que fugiu da morte, e morreu.... e a interminável procura por um líder


Cordel de Abraão Batista

Escrito em abril de 1985



A existência na terra

É mistério impensável

Nasce um, e morre outro

No sofrível ou insuportável

Uns sorrindo, outros cantando;

Uns da vida se lastimando

Por ser esta muito instável.



Uns sobem e descem a ladeira

Com rara naturalidade

Outros não querem aceitar

Da vida a realidade

Por isso, esses se estrepam

E as dores neles se trepam

Com toda a velocidade.



E é justamente por isso

Que escrevo, eu dessa vez

Buscando a vida passada

Em território chinês;

Não sei se pra lá ou pra cá

Mas foi numa cidade Chambá

No ano um, dois ou três...



Nessa cidade Chambá

Existia um fazendeiro

Poderoso, bom e valente

Dono de muito dinheiro

Tinha gado e tinha terras

Sete açudes e duas serras

E por cima, hospitaleiro.



Esse fazendeiro possuía

Um excelente coração

Sua casa da fazenda

Era como a de Salomão

E o povo da redondeza,

Disse a minha certeza:

O queria como irmão.



Na fazenda ele tinha

No serviço  um capataz

Que o atendia muito bem,

Um belo e moço rapaz

Com 18 anos de idade

Por isso até na cidade

Se expandia o seu cartaz.



Esse rapaz, do fazendeiro

É quem fazia todo recado

Na cidade de manhãzinha

Ele ia para o mercado

Comprar carne e verdura

Tempero e rapadura

Sem nunca mostrar enfado.



Numa manhã esse rapaz

No mercado, ele avistou

Num recanto de parede

Que quase se assombrou

A morte bem pensativa

Olhando-o radiativa...

E depressa se afastou.



Fugiu de perto, com medo

O nosso belo rapaz

Para a fazenda do patrão

Como um verdadeiro az

E dentro do casario

Ele ficou muito sombrio

O que não era contumaz.



No outro dia bem cedo

Ao mercado ele voltou

Par fazer o de costume,

As compras todas comprou

Mas lá estava num canto

A morte, com olhar de espanto

Que o pobre quase tombou.



Correndo fez suas compras

Se escondendo na multidão

do olhar faminto da morte

com olhar de escuridão,

pois novamente correu

e nunca mais se esqueceu

daquela horrível visão!



No outro dia o mesmo

Com o rapaz aconteceu...

Fez as compras depressa,

Para a fazenda correu

E em casa esse coitado

Ficou muito assombrado

Nem sequer água bebeu!



Os amigos vendo aquilo

Para ele lhe perguntaram

Mas o rapaz muito calado

Sua história se ignoravam;

Assim, ele foi definhando

Consigo se lastimando

Com os dias que lhes restavam.



No quarto dia, o patrão

Chegou pra ele e indagou,

Meu rapaz quero saber

Porque você se reservou

Anda triste, encabulado

Não come, anda invocado

Quem foi que o machucou?



Não é nada!... Disse o rapaz

Olhando para o patrão

O que? – Com a sua cara

Se vê que seu coração

Está triste, muito confuso

E dentro desse meu uso

Quero lhe dar a proteção.



O rapaz ainda quis

Esconder a realidade

Mas devido a insistência

Usou da sinceridade

E foi dizendo: meu patrão

Estou perdido! Não sei não...

- Vou embora dessa cidade!



Vou-me embora, porque

A morte quer me matar

Todo dia no mercado

Ela está a me esperar

E ainda não me matou

Porque ela não me pegou,

E caiu ele a chorar.



O patrão disse: não chore

Nós daremos um jeito nisso

- pegue o meu cavalo branco

Se apronte e dê sumiço

Desapareça da redondeza

Pois com muita esperteza

Quebramos dela o feitiço.



Desse jeito o rapaz fez:

Se aprontou sem dar demora

Pegou a roupa que pode

E saiu de mundo à fora

Com arroz, carne e farinha

Seis rapaduras, uma galinha

Sal, café e boa espora.



O rapaz na mesma hor4a

Por um atalho seguiu

No bom sentido contrário

O seu trajeto ele viu

Botou um pano no rosto

Pra ninguém ver o seu rosto

Foi o que se deduziu.



Sete dias e sete noites

Ele andou sem descançar;

Eu não sei como o cavalo

Ainda o podia carregar

Até que em cidade distante

Ele entrou triunfante

Pensando nela ficar.



Num hotel bem reservado

Confiante se hospedou

E num quarto da hospedaria

No último andar ele ficou;

Abriu a porta do quarto

Almoçou ficou bem farto

Fez sua cama e deitou.



Quando foi no outro dia

Que o sol apareceu

O rapaz abriu os olhos

E veja o que aconteceu:

A morte estava no quarto...

E o rapaz sentindo-se farto

Pulou da janela e morreu!



Da janela ele pulou

Se esparramando no chão

Daí a cinco minutos

Juntou grande multidão

Uns diziam – que mote feia!

Olhem ele está sem meia...

Estava na cama, o pobretão!



Por que um rapaz desse

Toma decisão dessa assim?

Alguém dizia – foi empurrado

Deve haver outro Caim!

Chamem logo o delegado

E vamos ver se o finado

É honesto ou é ruim.



O delegado chegou logo

Fez o seu levantamento

Levou o corpo pro necrotério

Fez autópsia com instrumento

E disse: não foi matado

Mandou logo um recado

Para a cidade de nascimento.



Mandou um polícia avisar

Na fazenda do ex-patrão

Que o rapaz tinha morrido

Estatelado no chão

E quando o soldado chegou

Direito ele avisou

Com observável emoção.



O patrão, com a notícia

Logo a morte procurou

Onde ela fazia ponto

E para ela lhe perguntou –

Por que matou o meu rapaz?

Você é filho do satanaz!

Sorrindo, a morte falou:



Cale a boca ó meu senhor

Você não sabe de nada

O patrão disse: eu não mandei

Que ele fosse pela estrada?

Será que você adivinhou

Onde meu rapaz se hospedou?!

E a morte deu uma risada...



Ele não disse a você

Que eu estava pensativa

Olhando fixa pra ele

Muito séria e radiativa?

Pois bem, eu estava pensando

Como levá-lo daqui, tramando

Para a cidade primitiva.



Pois é – naquela cidade

É que eu queria o encontrar

E somente naquele local

É que eu podia o matar!

Pois ninguém foge da morte

E nem traça a própria sorte

E nem bebe água do mar.



Brasil, país sem líderes

Saído de uma Ditadura que para alguns desmiolados começa a deixar saudades, o Brasil errou ao escolher o caminho da direita na bifurcação – mas poderia ter errado mais ainda, se tivesse escolhido o caminho da esquerda.

Como quase tudo que vive, o Brasil nunca esteve preparado (há que ser educado e escolarizado – para compreender isso) para conviver com um regime democrático, por que, desde o seu descobrimento quase tudo aconteceu sempre por debaixo dos panos, erigido sobre mentiras. Nossos valores morais são dúbios e inexistentes, por exemplo, se os compararmos com Austrália, Finlândia, Canadá e Suécia – para ficarmos apenas nesses.

O Brasil saiu de um regime ditatorial e mergulhou num lago de incompetência administrativa (que, por mais doentio que possa parecer, levou alguns a desejarem a volta do regime dos anos de chumbo), quando o País foi “entregue” com rédeas curtas ao José Sarney, tido por nós como “colaborador” interesseiro do regime militar.

Vieram Collor – cassado; Fernando Henrique – que mudou um pouco para melhor, mas não atingiu um mediano nível de satisfação ao povo; e, finalmente esses sonhos delirantes do PT, por dois períodos com o “inventado” Lula, um com Dilma que já bateu todos os recordes de rejeição em que pese ter sido reeleita.

Hoje, literalmente à deriva moral e administrativa, o Brasil tem um ex-Presidente (Lula) em vias de ser oficialmente investigado e provavelmente punido; um presidente do Senado (Renan), investigado por envolvimento com o mensalão, o petrolão e com o BNDES; um presidente da Câmara (Eduardo) em palpos de aranha com provável envolvimento num cabedal incrível de falcatruas; e, para coroar, uma presidente da República (Dilma) envolvida até o pescoço com um processo de impedimento. Há quem afirme que, se Dilma não for impedida por conta das pedaladas fiscais, corre o sério risco de ser cassada perlo TSE – nesse último caso, Michel Temer iria junto, por ser o parceiro da chapa eleita.

E, no final da semana passada, num ranking internacional, o Brasil foi mostrado atrás (além) do Sri Lanka, um país que ficou independente do Reino Unido a 4 de fevereiro de 1948, proclamou sua república em 22 de maio de 1972 e tem uma população de 21.128.773, mas um PIB de US$ 96.527 bilhões e uma Renda per capita de US$ 4.079. O Brasil já ultrapassou os 200 milhões de habitantes, teve sua república proclamada em 15 de novembro de 1889, depois da independência adquirida no dia 7 de setembro de 1822.

Não temos um líder, e, muito menor é a nossa esperança de tê-lo.

O que temos são pessoas interessadas em poder. Vale lembrar a fala profética de Leonel Brizola, quando se referiu a Lula num pronunciamento: “o Lula, para subir e pelo poder, pisa até no pescoço da própria mãe.” Olvidaram.

Também não foram poucos os comentários odiosos e achincalhes contra a atriz Regina Duarte, quando, perguntada sobre suas esperanças sobre o Governo do PT, ela teria respondido que: “tinha medo. Muito medo.”




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