Do correspondente Tiago Salazar - Santos, SP
Logo após encerrar sua vitoriosa carreira como
jogador de futebol, Léo não quis saber de descanso e seguiu envolvido com o dia
a dia do Santos, desta vez, como cartola. Estagiando na direção comandada por
Modesto Roma Jr, o ex-lateral esquerdo do Peixe tem conhecido o mundo dos
bastidores, admite o choque de realidade, mas não perde o estimulo de alcançar
seu principal objetivo: “A presidência. É um sonho que eu tenho, não sei quanto
tempo vai levar nem se eu vou conseguir, mas é um sonho que eu tenho e eu estou
me preparando para isso”, avisa, em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.
Léo vestiu a camisa santista em 455
oportunidades, conquistou oito títulos pelo alvinegro praiano, atingindo a
marca de maior campeão do Peixe após a Era-Pelé. Foram dois Brasileiros (2002 e
2004), uma Copa do Brasil (2010), uma Libertadores da América (2011), uma
Recopa Sul-americana (2012) e três Paulistas (2010, 2011 e 2012). E se ele
deveria ter algum receio em perder a idolatria conquistada nos campos, caso assuma
uma posição de líder na diretoria, é exatamente o que não há.
“Quem me conhece sabe. Se tem alguma coisa que
não combina comigo é medo, né? Eu não tenho medo, não. Eu quero me cercar de
pessoas corretas e pessoas que conhecem o futebol. Eu sou muito grato ao
presidente e toda a direção por estar dando a oportunidade de eu estar
participando, de eu estar conhecendo como é, porque é totalmente diferente do
jeito que eu pensava. Mas é um objetivo que eu tenho, por isso que eu estou me
preparando para fazer o melhor”, explica.
Sobrinho do falecido Tite, ex-ponta esquerda
do Santos nas décadas de 50 e 60, Léo, hoje estagiário na cúpula alvinegra,
revelou eu vai se afastar por um tempo para seguir com seu período de
aprendizado. “Eu vou continuar, pretendo continuar. Vou sair um pouco do país.
Estudar, dar uma olhada nos outros clubes. Preciso. Vai ser bom para mim. Mas
sempre ligado aqui, sempre procurando ajudar o Santos no que eu puder”, diz.
Vivendo uma experiência inédita no futebol aos
40 anos, Léo admite que de todas lições até aqui, a que mais lhe causou espanto
é a relação entre empresários, clubes e jogadores. As negociações no esporte
assustaram o Guerreiro.
“Cara, aparece um empresário. Ai, meia hora
depois, aparece outro. Ai fica aquela coisa: ‘mas não é um, é o outro’. Cara, é
muito louco. Muito louco. E o futebol não para. É rápido. Você perdeu dez
minutos e pode perder o atleta. Você tem que estar correndo o mais rápido
possível”, conta, antes de adjetivar essa fase de abertura de mercado como “terrível”.
Análise de 2015 - Quando viveu sua melhor fase na carreira,
inclusive participando do título da Copa das Confederações com a Seleção Brasileira,
em 2005, Léo aceitou a proposta do Benfica, de Portugal, e buscou aproveitar
sua oportunidade de jogar na Europa. Agora, ele torce para as grandes estrelas
do elenco santista não deixarem o time na próxima temporada. Porém, como
ex-jogador, entende que se a opção dos atletas for por jogar em outros centros,
o clube tem de compreender.
“É a valorização do profissional. Eu já vivi
isso. É fruto do que eles fizeram. Tem que ser muito bem analisado. Procurados,
direção, eles mesmos, entendeu? Atletas têm sonhos também. Então, a gente
espera que ocorra o melhor, tanto para os atletas quanto para o clube”, afirma.
Analisando a temporada, Léo primeiro preferiu
encerrar o assunto sobre o gramado da Vila Belmiro ter disso castigado na reta
final do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil depois de tantos jogos das
equipes de base e que geraram muitas reclamações dos jogadores do time
principal e do técnico Dorival Jr.
“Não adianta. Agora vão especular um monte de
coisa. Não resolve, já estamos em 2016, não quero nem voltar nesse assunto”,
despista, antes de avaliar a temporada do Santos de forma geral e chegar a
conclusão de que o ano foi positivo, mesmo após as frustrações nas competições
nacionais.
“Eu vejo tudo pelo lado positivo. Eu começo
pela dificuldade que foi o ano, os jogadores todos saindo, uma dívida absurda,
salários atrasados…e o presidente colocou a casa em ordem, conquistou o
Campeonato Paulista, ficou entre os dez no Campeonato Brasileiro, quase chegou
à Libertadores, brigou pela Copa do Brasil. A torcida do Santos tem que estar
feliz. Lógico, fica aquele gostinho (amargo). Mas, “poderia”. Não chegou. Agora
é trabalhar, ver o que aconteceu de positivo e negativo para não ocorrer em
2016”, finaliza Léo.
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