segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Teixeira, Marin e Del Nero dividiram propinas e 'se uniram para fraudar Fifa e CBF', diz EUA



ESPN


Francisco De Laurentiis e José Edgar de Matos



Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero dividiram propinas da Traffic e "se uniram para fraudar a Fifa e a CBF". São essas as principais acusações contra os três dirigentes, acusados formalmente nesta quinta-feira pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos no caso Fifagate, que investiga corrupção no futebol e na negociação de direitos de transmissão.

Segundo o documento de 240 páginas divulgado pela Justiça norte-americana, o empresário José Hawilla, presidente da Traffic, concordou em pagar propinas anuais de R$ 2 milhões, que foram divididas entre Teixeira, Marin e Del Nero, para facilitação de contratos em direitos de transmissões da Copa do Brasil entre 2013 e 2022.

O fato ocorreu em 15 de agosto de 2012, segundo consta no ítem 192 da investigação do FBI.

Já no ítem 383 do documento, o Departamento de Justiça afirma que os três cartolas "intencionalmente conspiraram e criaram um esquema para fraudar a Fifa e a CBF [...] através de um esquema de propinas, obtendo dinheiro e propriedades por meio de pretextos fraudulentos".

No ítem 114, o trio, que também atuou na Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) também é acusado do recebimento de propinas pagas pela TyC Sports pelos direitos de transmissão da Libertadores.

"Alejandro Burzaco (antigo CEO da TyC, emissora argentina), além de outros co-conspiradores afiliados com a Torneos y Competencias S.A, assegurou os direitos de transmissão com pagamentos sistemáticos de propinas para funcionários de alto-escalão da Conmebol, incluindo Juan Ángel Napout, Manuel Burga, Carlos Chávez, Luís Chiriboga, Marco Polo Del Nero, Eduardo Deluca, Rafael Esquivel, Eugenio Figueiredo, Nicolás Leoz, José Maria Marin, José Luís Meiszner, Romer Osuna e Ricardo Teixeira", diz o FBI.

Exatamente às 17h41 (de Brasília), Del Nero teve o nome citado por Robert Capers, promotor distrital de Nova York, que acusou formalmente o presidente da CBF e mais 15 nomes de corrupção, formação de quadrilha e enriquecimento ilícito. O nome de Ricardo Teixeira, antigo mandatário da Confederação Brasileira de Futebol, também está no grupo.

"Os 16 acusados incluem executivos da Concacaf e da Conmebol. Também temos alguns secretários e tesoureiros da Conmebol, membros da instituição de El salvador, Guatemala, Honduras, todos parte da Concacaf, confederação da América Central; esses países tem membros acusados. Marco Polo Del Nero, da Confederação Brasileira, que recentemente abriu mão da sua posição na Fifa, mas também foi presidente; finalmente outros ex-presidentes também são acusados", disse o promotor.

Desta forma, os três últimos presidentes da CBF passam a ser investigados pela Justiça dos Estados Unidos. Antes de Del Nero e Teixeira, José Maria Marin já fora preso na primeira ação do FBI, ocorrida em maio. Marin acabou detido na Suíça, onde permaneceu em cárcere até o início de novembro, quando o dirigente acabou extraditado para Nova York.

Para chegar até Del Nero e Ricardo Teixeira, a Justiça dos Estados Unidos trabalhou com oito novas delações premiadas. Nesta nova etapa das investigações, dois nomes acabaram detidos na manhã desta quinta-feira: o presidente da Conmebol, Juan Ángel Napout, e o mandatário-interino da Concacaf, Alfredo Hawit. Ambos acabaram detidos na Suíça, em nova operação conjunta com a polícia local.

"Agora estamos trabalhando para trazer essas duas pessoas para os EUA para serem julgados. Essas acusações também aumentam os casos de corrupção que vimos em maio, do esquema que funciona desde 1991 até hoje", discursou Loretta Lynch, procuradora-geral dos Estados Unidos.

"Cartolas conspiraram para receber mais de 120 milhões de dólares. Houve o pagamento sistemáticos de propinas e subornos para favorecer algumas empresas. Algumas delas também sofreram com pagamentos de patrocínios e novos países para terem a Copa do Mundo na sua geografia", acrescentou.

Para quem ainda não teve o nome envolvido no caso Fifa, a procuradora-geral americana deu um recado bem claro. "Estamos certos do esquema de corrupção que ligam ao senhor Hawit e ao senhor Napout, sabemos que o trabalho de corrupção teve participação destes dois que foram presos hoje. A mensagem que quero mandar para vocês é que qualquer pessoa que possa ser descoberta, eu convido que se aproxime, porque sem dúvidas vamos descobrir", concluiu.

'Ficaremos eternamente gratos se o governo brasileiro colaborar', diz procuradora

Com três presidente da CBF acusados no Fifa-Gate, os Estados Unidos procurarão apoio do governo brasileiro para chegar até a Marco Polo Del Nero. Ainda no pronunciamento desta quinta-feira, Loretta Lynch pediu suporte às autoridades nacionais para levar os acusados aos Estados Unidos, já que não há um acordo de extradição entre as duas nações para este tipo de caso.

"Ficaremos eternamente gratos se o governo brasileiro quiser colaborar", declarou Loretta Lynch, que, novamente, anunciou uma estratégia conjunta com governos estrangeiros para a continuação das investigações.

"Não posso dizer como a Justiça brasileira vai funcionar, não sei se eles vão cooperar ou não, mas o que posso afirmar é que, quando for o momento certo, nós vamos trabalhar com vários governos. Isso de não termos um acordo de extradição não é assim tão fundamental, existem muitas outras maneiras de trazer alguém para o nosso país", explicou.


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