Ontem, após executar algumas tarefas domésticas e tomar
uma boa chuveirada, daquelas de deixar a água cair com vontade e sem pensar em desperdício,
vesti a parte inferior da roupa de dormir, coloquei a espreguiçadeira no
alpendre e fui conversar com as estrelas. Uma conversa daquelas “olhando no
olho”, sem titubeio.
Prometi a elas – as estrelas – que contaria um sem
número delas até cansar. Quando cansasse, fisgaria a última contada e a
chamaria para a tal conversa.
E foi assim. Contei centenas, milhares, e até acho que
fiquei próximo do milhão. Parei, quando tive a impressão que uma daquelas
estrelas já havia sido contada.
- Ei, será que já contei você? Perguntei.
- Provavelmente não. É que, de longe, e daí de onde
você está, todas parecemos iguais. Me informou a estrela.... Maria? Lourdes?
Dalva?
- E, quantas são vocês, daqui de onde eu posso ver?
Indaguei.
- Somos tantas e outras tantas sequer podem ser vistas
sem equipamentos especiais. Mas, são facilmente vistas apenas com a imaginação.
Segredos do nosso firmamento, que está anos luz distante de vocês.
- Como assim, com a imaginação? Indaguei de novo.
- Assim, veja: feche os olhos! Bem fechados! Agora
imagine que está vendo uma de nós. A mais bela que você pretender ver. Fechou
os olhos?
- Fechei! Respondi.
- Feche os olhos e volte o pensamento para os céus.
Você vai conseguir ver, e, repito, sem equipamento especial.
- Meus olhos estão fechados. O que devo fazer agora?
Perguntei.
- Veja aquela que não se move. Ela tem um nome. Você a
está vendo?
- Estou. Ela parece ser familiar. Respondi.
- Ela é realmente familiar. É uma pessoa da sua família
terrena que não está mais entre vocês, claro. Me informou a estrela.... Dalva!
E era realmente a minha estrela materna. Fixei o olhar
e matei a saudade. Quase fiz uma pergunta, mas ela parecia muito distante e
mais ainda, parecia estar muito ocupada, cuidando de mais um de nós. Foi quando
resolvi aprofundar a conversa olho no olho.
Resolvi perguntar: - estrela, você tem uma liderança?
Alguém que conduza vocês a alguma galáxia, a algum lugar? Perguntei, como
Repórter que fui.
- Temos sim! Vocês que não tem!!! Respondeu a estrela
Dalva com certo ar de deboche.
- Temos. Com certeza temos. Afirmei.
- Não. Vocês não têm liderança. Se vocês tivessem uma
liderança, as coisas aí não estariam como estão.
- Mas, aquele que... Fui interrompido pela estrela
Dalva.
- Não. Aquele não é líder. Ele nunca sabe de nada. Não
consegue sequer contar dez nos dedos das duas mãos! Afirmou a estrela.
Fiquei atônito com a precisão da afirmação da estrela
e, refletindo com o cadarço que segura o pijama, fiquei mais aflito. É. Quem eu
pensava que era líder, realmente não sabe de nada, e jamais vai poder contar
até dez nos dedos das duas mãos.
- E, estrela, o que devemos fazer agora, se nem líder
temos? Perguntei.
- Vocês devem se preparar melhor. Vem chumbo grosso por
aí, e não é nenhuma chuva de meteoros.
É. As estrelas sabem das coisas. Afinal, são de outro
mundo.
“Olhar o céu, as nuvens, a lua e as estrelas realmente
faz com que eu me sinta calmo e esperançoso.”
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