sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

“Deus que saaalve a casa santa, onde Deus fez a moraaaada... aonde mooora, o cálice beeento, e a hóstia consagrada!...”


Lá pelos idos de 50/60, era gostoso acordar no meio da madrugada (e, madrugada tem meio?), ficar debruçado na janela da casa dos meus pais e escutar aquilo que, para mim, era apenas uma ladainha. Hoje tenho consciência que era uma mistura de música sacra com música profana:

Folia de Reis

Deus que salve a casa santa onde Deus fez a morada

Onde Deus fez a morada a, a, a, a, a

Onde mora o cálice bento e a hóstia consagrada

E a hóstia consagrada a, a, a, a, a

Os Três Reis tiveram a notícia que havia o nascimento

Que havia o nascimento a, a, a, a, a

Eles seguiram viagem com um grande contentamento

Com um grande contentamento a, a, a, a, a

Viajaram dia e noite a caminho de Belém

A caminho de Belém a, a, a, a, a

Visitaram o Deus Menino que nasceu pro nosso bem

Que nasceu pro nosso bem a, a, a, a, a

Num instante nas alturas brilhou a estrela da guia

Brilhou a estrela da guia a, a, a, a, a

Pra mostrar aonde estava o filho da Virgem Maria

O filho da Virgem Maria a, a, a, a, a

Agradecemos a esmola e o seu amor também

E o seu amor também a, a, a, a, a

Os Três Reis que abençoa e volta no ano que vem

E volta no ano que vem a, a, a, a, a



E, naquele tempo, a Folia de Reis que se apresentava nos bairros de Fortaleza, visitando casas de porta em porta, virava algo profrano quando, cantando em nome de Deus, pedia qualquer coisa para a “Igreja” – no sentido institucional.

Com o que conseguiam alcançar, o grupo caminhava com um lençol estendido e quatro homens, um segurando em cada uma das pontas. E era naquele lençol que os visitados colocavam as prendas (que alguns também chamavam de oferendas, fazendo ligação com o Candomblé – que não tinha o hábito de pedir nada a ninguém). Cujo destino nunca se sabia. Era a marcação do “profano”, haja vista que a Igreja desconhecia “aquilo”.

Pois, hoje, dia 6, há anos e anos, se comemora o “Dia de Reis” – Folia de Reis para outros tantos.

Folia de Reis:

“Folia de Reis, Reisado, ou Festa de Santos Reis é uma manifestação cultural religiosa festiva e classificada, no Brasil, como folclore; praticada pelos adeptos e simpatizantes do catolicismo, no intuito de rememorar a atitude dos Três Reis Magos — que partiram em uma jornada à procura do esconderijo do Prometido Messias (O Menino Jesus Cristo) — para prestar-lhe homenagens e dar-lhe presentes. Essa história é relatada na Bíblia, no capítulo 2 do Livro de São Mateus (ou O Evangelho, Segundo Mateus). Fixado o nascimento de Jesus Cristo a 25 de dezembro, adotou-se a data da visitação dos Três Reis Magos como sendo o dia 6 de janeiro. Em alguns países de origem latina, especialmente aqueles cuja cultura tem origem espanhola, passou a ser a mais importante data comemorativa católica, mais importante, inclusive, que o próprio Natal. No estado do Rio de Janeiro, no Brasil, os grupos realizam folias até o dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, o padroeiro do estado. Na cultura tradicional brasileira, os festejos de Natal eram comemorados por grupos que visitavam as casas, tocando músicas alegres em louvor aos "Santos Reis" e ao nascimento de Cristo; essas manifestações festivas estendiam-se até a data consagrada aos Três Reis Magos, 6 de janeiro. Trata-se de uma tradição vinda da Espanha que ganhou força especialmente no século XIX e que mantem-se viva em muitas regiões do País, sobretudo nas pequenas cidades dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás, dentre outros. Em Salvador, terra onde a religiosidade transborda, seja através do candomblé ou do catolicismo, não poderia faltar, no calendário, a Festa de Reis, que acontece no bairro da Lapinha. Iniciada por um triduo preparatório, a festa tem o seu ápice no dia 5 de janeiro, quando ocorre o desfile dos Ternos de Reis que vêm de diversos locais da cidade. Devidamente armados com fantasias e instrumentos, fazendo representações dos Três Reis Magos e outras personagens através de música, dança e versos, os ternos encantam a população que enche o Largo da Lapinha e seus arredores. Um dos ternos mais tradicionais é o Rosa Menina que vem do bairro de Pernambués. Fundado em 1945, o terno Rosa Menina é, hoje, o mais antigo da cidade, tendo à frente seu Silvano, um dos seus fundadores. A missa principal, celebrada em geral pelo arcebispo da cidade, acontece na Igreja da Lapinha, onde é possível se admirar um maravilhoso presépio em tamanho natural. Complementando a festa não poderiam faltar as barracas de comidas, bebidas e jogos, que dão o tom profano.” (Transcrito do Wikipédia)

A Influência da Música Profana:

Como já sabemos, a música é uma arma muito poderosa. Tudo o que não entendemos quando se é falado, musicalmente entendemos melhor, podendo também influenciar no comportamento para o bem ou para o mal.

Um exemplo bíblico de uma influência má (profana) da música, está registrada em Êxodo 32, quando então nesta ocasião foi criado um bezerro de ouro, surgindo um falso deus. Vendo o povo que Moisés tardava a descer da montanha, aglomeraram-se em torno de Arão dizendo-lhe: “Vamos, fazer um deus que anda a nossa frente!”(v. 1). Ocorreu nesse tempo uma falsa adoração.

…então exclamaram: Este é teu Deus, Israel, que te tirou da terra do Egito ! Vendo isto, Arão levantou um altar diante do bezerro de ouro e anunciou: Amanhã haverá festa em honra à Javé. No dia seguinte levantaram-se bem cedo, ofereceram holocaustos e trouxeram sacrifícios de comunhão. Então o povo sentou-se para comer e beber e depois levantaram-se para dançar.” (vs. 4 e 5).

Pelo fato de terem se levantado para dançar, subentende-se que havia música. A questão a ser observada é: que tipo de música estava sendo executada? Certamente não era uma música que glorificava a Deus e influenciava positivamente as pessoas.

Ora, ouvindo Josué o vozerio do povo que gritava, disse a Moisés: Há um clamor de guerra no acampamento. Respondeu Moisés: Não é clamor de anúncios de vitória, nem clamor de gritos de derrota. O que ouço é ressoar de cânticos.” (vs. 17 e 18).

Esta influência foi tão negativa que o povo chegou ao ponto de, desesperadamente, despir-se. “Moisés viu que o povo estava desenfreado (despido – versão corrigida); pois Arão lhes tinha soltado as rédeas, expondo-os às zombarias dos seus adversários.“(vs. 25).

Nos dias atuais, essa história se repete. Em shows musicais, nas discotecas, nos carnavais, trios-elétricos, etc., a influência da música tem sido trágica ao ponto de conduzirem pessoas à depressões, tristezas, alcoolismo, drogas, sexo desenfreado, orgias, morte, etc.

Diante destas realidades, podemos definir a música profana, como uma música imoral. Algumas de suas características são: nos afastam da adoração à Deus; não possuem princípios corretos; quebram os princípios da sociedade; levam aos fracassos, a rebeldia, as imoralidades, divórcios, adultérios, suicídios, etc; estimulam a justiça do próprio homem; levam uma adoração à Satanás. (Ronaldo Bezerra).

Folia de Rei

Compositor: Arnaud Rodrigues e Sérgio Reis

Ah, andar, andei
Ah como eu andei
E aprendi a nova lei

Alegria em nome da rainha
E folia em nome de rei

Ah, mar, marejei
Ah, eu naveguei
E aprendi a nova lei

Se é de terra que fique na areia
O mar bravo só respeita rei!

A, voar, voei
A, como eu voei
E aprendi a nova lei

Alegria em nome das estrelas
E folia em nome de rei

A, eu partirei
A, eu voltarei
Vou confirmar a nova lei

Alegria em nome de Cristo
Porque Cristo é o rei dos reis






Borboleta

(Marisa Monte)


Borboleta pequenina que vem para nos saudar
Venha ver cantar o hino que hoje é noite de Natal

Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira
Ando no meio das flores procurando quem me queira

Borboleta pequenina saia fora do rosal
Venha ver quanta alegria que hoje é noite de Natal

Borboleta pequenina venha para o meu cordão
Venha ver cantar o hino que hoje é noite de Natal

Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira
Ando no meio das flores procurando quem me queira

Borboleta pequenina saia fora do rosal
Venha ver quanta alegria que hoje é noite de Natal


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