Conforme assegurava o IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatísticas), em 1970 éramos 90 milhões de brasileiros – todos
torcendo pelo sucesso da seleção canarinho – e desfrutávamos as benesses e os
progressos sócios-econômicos da ditadura militar e vivíamos num País que ia pra
frente.
Pela lógica de raciocínio, em 1950 éramos muito menos
que 90 milhões – mas a fome já nos corroía o lombo e o estômago, provavelmente
por que não tínhamos conhecimento do “milagre da mandioca” – e veja que a
mandioca existe no Brasil desde antes do dia 22 de abril de 1500.
E, pela mesma lógica de raciocínio, há muito não temos
água tratada, esgotamento sanitário, ainda que nossas riquezas fossem maiores
porque ainda não descobertas, nossa pobreza era estratosférica, ainda que a
milagrosa mandioca e o pré-sal já existissem, e estivessem nos mesmos locais
onde hoje se encontram.
Há alguns meses, os legisladores brasileiros discutem a
diminuição da maioridade penal, numa tentativa desesperada de diminuir também a
violência urbana que toma conta de uma população que atingira 90 milhões em
1970, e hoje vai além dos 200 milhões.
Quem “discute” (???!!!!) e provavelmente quem aprova a
maioridade penal é o Congresso – formado por deputados e senadores – que reúne
entre seus pares pessoas de alto nível moral, intelectual e saber jurídico –
entre os quais encontramos Paulo Salim Maluf, Jean Rural, Tiririca e tantos
outros que, não satisfeitos, recebem o reforço de executivos como Mercadante,
José Dirceu, Lula Deus da Silva, Jáder Barbalho, para ficarmos apenas nesses.
Ora e o que tem isso com o fato verdadeiro de sermos 90
milhões em 1970, com o fato de que, hoje, somos mais de 200 milhões, e
continuarmos sendo espoliados com a maior quantidade de impostos do planeta e
continuarmos sem água tratada e sem esgotamento sanitário?
Mas o assunto que reúne milhares de pessoas em
manifestações é a aprovação (ou não) da maioridade penal pela mesma gente que se esconde das
manifestações contra a corrupção e a fome que grassa neste país de mentira, e
que representantes vendem para o exterior como um país onde a fome foi banida e
os pratos nas mesas estão cheios, graças ao milagre da mandioca? E o povo está
estudando graças ao pré-sal. Pois sim.
E é até possível aparecer alguém para contestar e
afirmar que, o pré-sal é uma descoberta do PT (Partido dos Trabalhadores). Pode
até ser, mas isso nos dá o direito de contabilizar também a compra de Pasadena
e o Lava-Jato.
Esgoto? Pra que esgoto se temos o pré-sal?
Fome e miséria? Isso não existe entre nós, pois temos a
mandioca e os milagrosos projetos de inclusão social como o Bolsa Isso e Bolsa
Aquilo, além de estarmos fazendo Justiça com quem está preso por ter cometido
crimes sem importância nenhuma para a família brasileira.
A nossa realidade está pintada com tintas fortes e a
diminuição da maioridade penal é pauta principal e toma o tempo do Congresso
Nacional que não faz nada, por que os pais brasileiros outorgaram ao Estado
brasileiro a obrigação de “educar” os filhos (incumbência e obrigação doméstica
da família), quando esse mesmo Estado já tem a obrigação da “escolarização”.
Por que o Estado tem o direito de entrar nos lares
brasileiros e determinar com a “Lei da Palmada” até a intensidade desse castigo
que você aplica ao seu filho, quando entende que ele o merece?
Isso não é uma invasão domiciliar?
Isso não é uma inversão e usurpação dos direitos e dos
deveres?
O resumo da ópera nos aponta que, os 90 milhões de 1970
não tinham esgotamento sanitário; educação pública de qualidade; saúde pública
autorizando a presença da morte com foice e tudo nos corredores dos hospitais;
políticos e politicalha crescentes de forma assustadora; corrupção em alta
escala. Hoje temos miséria crescente e maquiada; liberdade e cidadania ferida e
contestada a todo instante; violência urbana fora de controle, roubo,
assassinatos – se assim não fora, por que as cadeias estão superlotadas?
RESUMO – A culminância de tudo isso, é entendermos que
estamos “perdidos no mato e sem cachorro” ou, como diria “Maria Rela-Pau” – prostituta
Abelha-Rainha do Curral das Éguas de Fortaleza nos anos 60: “tá todo mundo
fodido e mal pago”.
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