sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Maioridade penal – mandioca e pré-sal



Conforme assegurava o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), em 1970 éramos 90 milhões de brasileiros – todos torcendo pelo sucesso da seleção canarinho – e desfrutávamos as benesses e os progressos sócios-econômicos da ditadura militar e vivíamos num País que ia pra frente.

Pela lógica de raciocínio, em 1950 éramos muito menos que 90 milhões – mas a fome já nos corroía o lombo e o estômago, provavelmente por que não tínhamos conhecimento do “milagre da mandioca” – e veja que a mandioca existe no Brasil desde antes do dia 22 de abril de 1500.

E, pela mesma lógica de raciocínio, há muito não temos água tratada, esgotamento sanitário, ainda que nossas riquezas fossem maiores porque ainda não descobertas, nossa pobreza era estratosférica, ainda que a milagrosa mandioca e o pré-sal já existissem, e estivessem nos mesmos locais onde hoje se encontram.

Há alguns meses, os legisladores brasileiros discutem a diminuição da maioridade penal, numa tentativa desesperada de diminuir também a violência urbana que toma conta de uma população que atingira 90 milhões em 1970, e hoje vai além dos 200 milhões.

Quem “discute” (???!!!!) e provavelmente quem aprova a maioridade penal é o Congresso – formado por deputados e senadores – que reúne entre seus pares pessoas de alto nível moral, intelectual e saber jurídico – entre os quais encontramos Paulo Salim Maluf, Jean Rural, Tiririca e tantos outros que, não satisfeitos, recebem o reforço de executivos como Mercadante, José Dirceu, Lula Deus da Silva, Jáder Barbalho, para ficarmos apenas nesses.

Ora e o que tem isso com o fato verdadeiro de sermos 90 milhões em 1970, com o fato de que, hoje, somos mais de 200 milhões, e continuarmos sendo espoliados com a maior quantidade de impostos do planeta e continuarmos sem água tratada e sem esgotamento sanitário?

Mas o assunto que reúne milhares de pessoas em manifestações é a aprovação (ou não) da maioridade penal  pela mesma gente que se esconde das manifestações contra a corrupção e a fome que grassa neste país de mentira, e que representantes vendem para o exterior como um país onde a fome foi banida e os pratos nas mesas estão cheios, graças ao milagre da mandioca? E o povo está estudando graças ao pré-sal. Pois sim.

E é até possível aparecer alguém para contestar e afirmar que, o pré-sal é uma descoberta do PT (Partido dos Trabalhadores). Pode até ser, mas isso nos dá o direito de contabilizar também a compra de Pasadena e o Lava-Jato.

Esgoto? Pra que esgoto se temos o pré-sal?

Fome e miséria? Isso não existe entre nós, pois temos a mandioca e os milagrosos projetos de inclusão social como o Bolsa Isso e Bolsa Aquilo, além de estarmos fazendo Justiça com quem está preso por ter cometido crimes sem importância nenhuma para a família brasileira.

A nossa realidade está pintada com tintas fortes e a diminuição da maioridade penal é pauta principal e toma o tempo do Congresso Nacional que não faz nada, por que os pais brasileiros outorgaram ao Estado brasileiro a obrigação de “educar” os filhos (incumbência e obrigação doméstica da família), quando esse mesmo Estado já tem a obrigação da “escolarização”.

Por que o Estado tem o direito de entrar nos lares brasileiros e determinar com a “Lei da Palmada” até a intensidade desse castigo que você aplica ao seu filho, quando entende que ele o merece?

Isso não é uma invasão domiciliar?

Isso não é uma inversão e usurpação dos direitos e dos deveres?

O resumo da ópera nos aponta que, os 90 milhões de 1970 não tinham esgotamento sanitário; educação pública de qualidade; saúde pública autorizando a presença da morte com foice e tudo nos corredores dos hospitais; políticos e politicalha crescentes de forma assustadora; corrupção em alta escala. Hoje temos miséria crescente e maquiada; liberdade e cidadania ferida e contestada a todo instante; violência urbana fora de controle, roubo, assassinatos – se assim não fora, por que as cadeias estão superlotadas?

RESUMO – A culminância de tudo isso, é entendermos que estamos “perdidos no mato e sem cachorro” ou, como diria “Maria Rela-Pau” – prostituta Abelha-Rainha do Curral das Éguas de Fortaleza nos anos 60: “tá todo mundo fodido e mal pago”.




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