quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Rio – a artéria da vida na Terra



Estou sofrendo. Minhas forças diminuem a cada segundo – muitos ainda desconhecem minha utilidade, minha importância e minha força, embora todos os anos, no Brasil, eu volte a lembrar-lhes que ainda existo.

Onde nasço – e em quase todas as minhas nascentes – sou apenas um fiozinho de nada. Um veio fraco que toma forma e força no contato com a minha mãe Natureza. Escolho meus caminhos, meus leitos. A partir daí, todos passam a me conhecer pelo nome:

- Rio!

Eu sou o rio, e levo vida por onde passo. Levo a beleza, a alegria, o progresso e minhas águas até conduzem barcos, navios, canoas e lanchas.

No meu caminhar divido lugares e municípios, estados e países. Cedo minhas margens e até meus leitos para lazer, para plantio e até para mau uso (esse, na maioria das vezes) pelo homem. Eu sou o rio.

Rio isso, rio aquilo. Rio santo esse, rio santo aquilo.

Onde o homem permite minha perenidade, sirvo para produzir o peixe que alimenta o homem que tanto me maltrata. Não é meu direito julgar. Nada me impedirá de servir ao meu Criador. Nem mesmo quando, olvidado, perco o controle e destruo algo. Isso não faz parte de mim. É apenas uma resposta e um aviso para que me deixem livre para servir.

Minhas águas são boas e servíveis. Minha potabilidade valoriza minha existência e me faz servir à comunidade para fins que nem sempre me são úteis.

Quando sou Ganges, não me tratam como deveriam. No passado já me chamaram Vermelho, Mississipi, Nilo, mas sou sempre o mesmo: rio.

A serviço da humanidade.

Não sou tolo para desconhecer a importância do meu irmão maior, o mar. Juntos, formamos quase tudo que existe de bom e útil na Terra. Nos nossos leitos mantemos outras vidas ainda desconhecidas para o homem – esse que não dá conta do que tem em mãos, e se aventura na procura de outros planetas. Será que pensa que não vai nos encontrar também por lá?

Se lá houver vida, essa não será sem nós. Estaremos sempre aqui e acolá. Nós somos a água da vida. A água do rio e do mar.

Foto 3 – A navegabilidade das águas profundas do Amazonas

Meu caminho é longo e indefinido. Sou largo quando resolvo me impor e estreito quando tentam me tolher as ações – que, ao final, só têm o objetivo de servir.

Produzo alimentos no meu leito e fora dele. As espécies piscosas que em mim habitam, se agigantam e se tornam disformes sem jamais perder a qualidade e o sabor, como o pirarucu, o tucunaré, a tilápia, a traíra, a pescada ou o pintado (surubim).

Sei que, em alguns lugares não sou perene, mas isso não depende apenas de mim. Minhas margens desmatadas pelo homem, levam ao meu assoreamento e a uma irritação que sou obrigado a responder com catástrofes.

Não tentem me prender, pois não nasci para viver assim. Ficarei grato e servirei sempre, quando acordarem para a preservação do meu entorno, plantando ou evitando cortar as árvores que ajudam na minha sustentação.

Por séculos e séculos, meus aparentados Nilo, Ganges, Mississipi, Parnaíba, Paraíba, Amazonas, Negro, Tocantins e Solimões sustentam o mundo e servem como fontes de quase tudo – alimento, navegação, irrigação e, agora, o Paraná se transformou na maior fonte de energia elétrica do mundo.

Faço questão de repetir meu nome: rio!

Sou fonte da vida. Sou a artéria da vida que Deus colocou na Terra.

Nenhum homem me construiu e, assim, ninguém está autorizado a cobrar pedágio para que naveguem no meu leito. Essa é uma das muitas violências que me impõem – infelizmente as respostas acabam punindo inocentes.

Eu sou o rio. Deixe que eu corra livre pelos caminhos que escolho e lhes serei eternamente grato, e servil.



Riacho do Navio

(Luiz Gonzaga)



Riacho do Navio

Corre pro Pajeú

O rio Pajeú vai despejar

No São Francisco

O rio São Francisco

Vai bater no "mei" do mar

O rio São Francisco

Vai bater no "mei" do mar (Bis)

Ah! se eu fosse um peixe

Ao contrário do rio

Nadava contra as águas

E nesse desafio

Saía lá do mar pro

Riacho do Navio

Eu ia direitinho pro

Riacho do Navio

Pra ver o meu brejinho

Fazer umas caçada

Ver as "pegá" de boi

Andar nas vaquejada

Dormir ao som do chocalho

E acordar com a passarada

Sem rádio e nem notícia

Das terra civilizada

Sem rádio e nem notícia

Das Terra civilizada.

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