sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O poeta que existe em cada um de nós



Faltam apenas quinze dias para acabar a Primavera. Hoje eu queria ser um poeta para te transformar numa abelha e ser carregado por ti como o pólen, para o mais doce recôndito da nossa colmeia.

Eu queria ser um poeta para aproveitar a Primavera e te transformar numa leve e suave ventania para me tanger para o desfolhado parque onde as folhas se transformam em húmus e recondicionam a relva que vai alimentar ad eternum as nossas floridas árvores.

Hoje eu ainda queria me transformar num poeta para produzir um texto capaz de adoçar ainda mais a tua ternura, beijar teus lábios angelicais que emolduram tua boca em forma de vida.

Eu queria ser um poeta para versificar o firmamento e as mais belas e admiráveis estrelas numa noite em que só nós nos envolveríamos, nos amaríamos e produziríamos mais estrelinhas, abominando os ditames e os céus chineses que dominam a multiplicação.

Hoje eu queria ser um poeta para contar e dar nomes aos mais de cinco milhões de girassóis, russos ou não, e poder transformar aquele amarelo vivo no sangue que corre nas tuas entranhas e produz vida a cada nove meses.

Eu queria ser um poeta para entender o cantar dos pássaros e, ao raiar do sol que pinta a claridade, dizer, cantando para João, que a mais bela sonata passeriforme, aos tímpanos de quem compreende é uma transfusão de humildade e sabedoria.

Hoje eu queria ser poeta para voar sem ser avião ou pássaro; para lacrimejar de alegria; para sorrir sem sentir qualquer tristeza e para amar, independentemente de ser amado, ou não.

Sei, eu não sou poeta - e a Primavera está terminando! – mas tu és mel; tu és rosa; tu és girassol; tu és folha e a mais bela cantata de pássaros.

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