Meninas brincavam com “Cinco Marias”.
Os tempos mudaram. Todos
sabem disso. As crianças de hoje estão muito distantes de pensar, agir e brincar
como faziam as crianças de antigamente.
Os valores são outros, pois sofreram influência absoluta do mundo
capitalizado.
Não faz tanto tempo assim,
a “hora do recreio” numa escola – qualquer que fosse ela, pública ou particular
– era diferente. Meninos e meninas “brincavam” realmente. Usufruíam da “hora do
recreio”, aproveitando o tempo com algo útil. Hoje não “brincam” mais.
Essa chamada modernização,
que recebeu influência do mundo globalizado está muito forte. Está caminhando
célere na direção dos lares, também. E, até já chegou a alguns lugares deste
país continental, travestida de algo bom, envolta numa cortina de fumaça e
empacotada em papel de presente.
Era quase rotina, na “hora
do recreio”, meninos e meninas entrando nas bibliotecas, copiando deveres,
fazendo deveres. Acabou isso. Hoje as escadas das escolas ficam cheias de
meninos/meninas namorando, namorando de forma mais “quente”, sem dar a mínima
para os passantes. Perderam a vergonha, porque os pais não lhes ensinaram a
tê-la, plastificando esse pudor natural dos bons, de “preconceito”.
E aí, saímos das escolas e
vamos para nossas casas. Melhor, “voltamos no tempo” para nossas casas. Ali
encontrávamos, no alpendre lateral, meninas vizinhas brincando de “Cinco
Marias” – aquele jogo que elas usavam cinco pedras e, com a mão direita, depois
de jogar pedra por pedra para cima e apara-la, passavam por debaixo dos dedos
cruzados, como se fora uma ponte. Tal qual está na ilustração acima.
Depois, muitos anos
depois, pessoas que estudavam o comportamento feminino, asseveravam que aquele
jogo servia, entre outras coisas, para “apurar” o controle emocional no ato de
jogar a pedra para cima e apara-la, além de fazê-la passar por debaixo dos
dedos cruzados. Obedecer às regras pré-estabelecidas era uma demonstração de
educação e civilidade.
Nesse jogo as meninas
usavam algumas etapas. Na primeira, jogavam uma pedra e a aparavam. Depois de
passar as cinco pedras por debaixo dos dedos cruzados, seguiam a segunda fase,
que consistia em jogar e aparar duas pedras ao mesmo tempo, e repetir a operação
da primeira fase. Em seguida, a terceira fase, jogando três pedras; depois a
quarta, jogando quatro pedras e, finalmente, a quinta e última fase, jogando as
cinco pedras.
Pular corda, amarelinha,
arrumar casa de bonecas, bambolê e passar o anel, eram brincadeiras
corriqueiras naqueles dias. Hoje, com a mudança dos tempos e dos valores, as
brincadeiras são outras. E, cedo, muitas começam a brincar de fazer nenê. E
acabam fazendo, na maioria das vezes, embora algumas sequer tenham seios para
garantir a amamentação dos filhos. Fazem para os pais (avós) criar. E os
modernos chamam isso de “independência” e “personalidade forte”.
Mas, o que aconteceu para mudança tão assustadoramente
radical?
O que aconteceu no aspecto biológico para que, junto
com as meninas, os corpos delas também mudassem tanto? Seria a alimentação? O
que pode ter de influência nos programas televisivos – a retina, garantem,
conduz movimentos celulares que produzem diferentes hormônios que acabam tendo
fortes matizes nisso tudo.
Meninas dos anos 50, 60, 70 e até 80, entravam em
menstruação a partir dos 15 e 16 anos. Nos dias atuais isso já ocorre aos 10 e
11 anos de idade e, junto a isso, as ventosas da excitação voltadas totalmente para
a prática sexual. As meninas deixaram de ser simplesmente meninas aos 12 anos e
se transformaram em mulheres, aos 10.
E não adianta só tentar justificar com a ausência de políticas
públicas e assistenciais. Elas já têm até além da conta.
Na verdade, o que se vê
hoje é que, provavelmente, na tentativa de acertar, legisladores e governantes
– que demonstram, na prática, “que nunca foram crianças nem brincaram” – acabam
criando leis que só trazem prejuízos à juventude feminina.
O turismo sexual nas
principais cidades brasileiras é uma realidade inquestionável. E, há
informações que alguns legisladores “também se aproveitam dessas jovens” pelos
“preços baixos” que pagam e pela inocência das próprias.
Este é realmente um
assunto muito sério que requer reflexão. E as atitudes não devem ficar
limitadas apenas às autoridades constituídas. Nós também somos responsáveis por
isso e carecemos de tomar atitudes para mudar o rumo desse desastre.
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