A comissão especial sobre jornada integral no ensino
médio (PL 6840/13) discute nesta quarta-feira (12), às 14h30, a auditoria do
Tribunal de Contas da União (TCU) que avaliou a oferta e a qualidade do ensino
médio no País.
O deputado Wilson Filho (PTB-PB), que
pediu o debate, explica que o TCU assinou um termo de cooperação com os
tribunais de contas dos estados para realizar uma auditoria coordenada, para
identificar os problemas que afetam a qualidade do ensino médio no Brasil e
fiscalizar as ações do governo.
O ministro Valmir Campelo foi o
relator, e o processo teve a participação de 90 auditores, com visita a 580
escolas em todo o Brasil.
Relatório - A auditoria, cujo relatório foi divulgado em março deste ano, foi centrada em
quatro eixos temáticos: cobertura, professores, gestão e financiamento.
Entre outros pontos, o relatório
chama a atenção para o risco de o Brasil não atingir o objetivo do Plano
Nacional de Educação (PNE – Lei 13.005/14) de alcançar, em 2023, pelo menos 85%
de taxa de escolarização líquida no ensino médio – número de alunos
matriculados em relação ao total da população com faixa etária adequada a esse
nível de ensino, que é de 15 a 17 anos. Dados do Censo Escolar do Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) indicavam
que, em 2011, essa taxa era de apenas 51,6%.
Também foi constatada na auditoria a
carência, em todo o País, de pelo menos 32 mil professores com formação específica
nas 12 disciplinas obrigatórias para o currículo do ensino médio, sendo os
maiores deficits em física, química e sociologia. Problema que poderia ser
solucionado, na avaliação do ministro Valmir Campelo, com a capacitação dos 46
mil professores que integram a rede, mas não têm formação específica em nenhuma
dessas disciplinas, e com a realocação dos cerca de 61 mil professores que
estão fora de sala de aula (40 mil em atividades administrativas, 16 mil em
outros tipos de afastamento e 5 mil cedidos a outros órgãos não relacionados à
área educacional).
O relatório do TCU ressalta ainda que
não há indicador de desempenho do ensino médio que permita a produção de
resultados individualizados por escolas ou por municípios, já que o Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para essa etapa de ensino é avaliado
apenas em âmbito estadual. E indica que o investimento público direto do Brasil
por estudante do ensino médio ainda está abaixo da média dos países integrantes
da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – 2.148
dólares por aluno em 2010, contra 9.322 na média dos países da OCDE.
Como resultado da auditoria, o
tribunal determinou ao Ministério da Educação que apresente um plano de ação
que inclua a elaboração de um modelo de avaliação do ensino médio por escola e
a regulamentação de padrões mínimos de qualidade de ensino, para que seja
possível definir um valor mínimo por aluno que assegure um ensino de qualidade
e sirva de parâmetro para a complementação da União ao Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da
Educação (Fundeb) de cada estado.
Convidados - Foram convidados para participar da discussão:
- o diretor da Secretaria de Controle Externo da Educação do TCU, Alípio Dias dos Santos Neto;
- o presidente do Inep, José Francisco Soares;
- a presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Bárbara Melo;
- a secretária-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Marta Vanelli; e
- Alejandra Velasco, representante do Movimento Todos pela Educação.
- o diretor da Secretaria de Controle Externo da Educação do TCU, Alípio Dias dos Santos Neto;
- o presidente do Inep, José Francisco Soares;
- a presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Bárbara Melo;
- a secretária-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Marta Vanelli; e
- Alejandra Velasco, representante do Movimento Todos pela Educação.
A audiência será realizada no
plenário 13, a partir das 14h30.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.