segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Dilma corta ministérios que prometeu preservar durante campanha



Em 2014, presidente atacou seus adversários eleitorais por defenderem redução das mesmas pastas que agora foram cortadas por ela.

Em ato contraditório com o que disse no passado, a presidente Dilma Rousseff anunciou nesta sexta-feira (2) uma reforma administrativa que corta ministérios que eram considerados essenciais pela petista durante a campanha eleitoral em 2014 e que faziam parte da pauta dos candidatos opositores Aécio Neves e Marina Silva.

Há um ano, Dilma classificou como um “verdadeiro escândalo” o que agora chama de medida necessária para tornar “mais eficiente” o gasto público. Em 15 de setembro de 2014, quando caminhava para a reta final do primeiro turno, Dilma rechaçou qualquer possibilidade de enxugar a Esplanada dos Ministérios, como defendiam seus principais adversários, o senador Aécio Neves (PSDB) e a ex-senadora Marina Silva (na época, no PSB). Ela acusou seus opositores de tentarem enfraquecer importantes áreas sociais do governo.

“Tem gente, inclusive, querendo reduzir ministérios. Vocês podem saber os ministérios que eles querem reduzir. Um deles é o da Igualdade Racial, o outro é o que luta em defesa da mulher. O outro é de Direitos Humanos. E tem um ministério que eu criei e eles estão querendo acabar, que é o da Micro e Pequena Empresa”, disse a presidente na ocasião, durante discurso na Central Única das Favelas (Cufa), no Rio de Janeiro.

Com a reforma anunciada ontem, as secretarias de Política para Promoção da Igualdade Racial, de Políticas para as Mulheres e de Direitos Humanos foram aglomeradas no novo Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, que terá o comando de Nilma Lino (PT), ex-ministra da Igualdade Racial. A Secretaria da Micro e Pequena Empresa foi incorporada à nova Secretaria de Governo, que substitui a Secretaria-Geral. O secretário de governo será o ex-ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini (PT).

Em agosto do ano passado, ainda no início da campanha eleitoral, Dilma disse que a proposta de Aécio para reduzir o número de pastas refletia sua “cegueira tecnocrática”. “Quero saber qual (ministério) e quem vai fechar. Essas secretarias poderiam ter outro status, poderia ser apenas uma secretaria? Poderia. Não perceber (a importância) do status é uma cegueira tecnocrática”, afirmou.

Ainda em novembro do ano passado, Dilma chamou de “outra lorota”, em entrevista à Folha de S.Paulo, o corte de ministérios. Segundo ela, uma redução no número de pastas não traria economia real e ainda afetaria áreas envolvidas no plano de concessões, como portos e aeroportos. “Não tiro o ministério da Micro e Pequena Empresa nem que a vaca tussa. Já a Pesca não saiu do chão ainda. Ela vai decolar”, emendou.

A reforma ministerial reduziu de 39 para 31 o total de ministérios.


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