Em 2014, presidente
atacou seus adversários eleitorais por defenderem redução das mesmas pastas que
agora foram cortadas por ela.
Em ato contraditório com o que disse no passado, a
presidente Dilma Rousseff anunciou nesta sexta-feira (2) uma reforma
administrativa que corta ministérios que eram considerados essenciais pela
petista durante a campanha eleitoral em 2014 e que faziam parte da pauta dos
candidatos opositores Aécio Neves e Marina Silva.
Há um ano, Dilma classificou como um “verdadeiro
escândalo” o que agora chama de medida necessária para tornar “mais eficiente”
o gasto público. Em 15 de setembro de 2014, quando caminhava para a reta final
do primeiro turno, Dilma rechaçou qualquer possibilidade de enxugar a Esplanada
dos Ministérios, como defendiam seus principais adversários, o senador Aécio
Neves (PSDB) e a ex-senadora Marina Silva (na época, no PSB). Ela acusou seus
opositores de tentarem enfraquecer importantes áreas sociais do governo.
“Tem gente, inclusive, querendo reduzir
ministérios. Vocês podem saber os ministérios que eles querem reduzir. Um deles
é o da Igualdade Racial, o outro é o que luta em defesa da mulher. O outro é de
Direitos Humanos. E tem um ministério que eu criei e eles estão querendo
acabar, que é o da Micro e Pequena Empresa”, disse a presidente na ocasião,
durante discurso na Central Única das Favelas (Cufa), no Rio de Janeiro.
Com a reforma anunciada ontem, as secretarias de
Política para Promoção da Igualdade Racial, de Políticas para as Mulheres e de
Direitos Humanos foram aglomeradas no novo Ministério das Mulheres, Igualdade
Racial e Direitos Humanos, que terá o comando de Nilma Lino (PT), ex-ministra
da Igualdade Racial. A Secretaria da Micro e Pequena Empresa foi incorporada à
nova Secretaria de Governo, que substitui a Secretaria-Geral. O secretário de
governo será o ex-ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini (PT).
Em agosto do ano passado, ainda no início da
campanha eleitoral, Dilma disse que a proposta de Aécio para reduzir o número
de pastas refletia sua “cegueira tecnocrática”. “Quero saber qual (ministério)
e quem vai fechar. Essas secretarias poderiam ter outro status, poderia
ser apenas uma secretaria? Poderia. Não perceber (a importância) do status
é uma cegueira tecnocrática”, afirmou.
Ainda em novembro do ano passado, Dilma chamou de
“outra lorota”, em entrevista à Folha de S.Paulo, o corte de
ministérios. Segundo ela, uma redução no número de pastas não traria economia
real e ainda afetaria áreas envolvidas no plano de concessões, como portos e
aeroportos. “Não tiro o ministério da Micro e Pequena Empresa nem que a vaca
tussa. Já a Pesca não saiu do chão ainda. Ela vai decolar”, emendou.
A reforma ministerial reduziu de 39 para 31 o total
de ministérios.
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