O passado me faz bem. Gosto muito do meu passado e os
sofrimentos da infância no seco sertão do Ceará serviram como limadores
rítmicos e polidores da minha (nossa) vida.
O que nos machucou na juventude, também já entrou no
livro dos acasos e dos incentivos para vencer na vida sem tergiversar ou
prejudicar o próximo. Aprendemos, no passado e com o passado, a respeitar o
próximo (e até o adversário, caso exista) e, se necessário, conviver com ele.
Por, por ter me proporcionado felicidade, o passado me
faz bem. Gosto do passado e das coisas do passado – tanto que devo seguir o
conselho matuto de Jessier Quirino e arrumar as malas para viver em Passárgada.
Hoje resolvemos falar pouco de duas profissões tão
importantes num passado não tão distante, que o tempo e o modernismo do nosso
tempo estão destruindo, mandando-as para o Asilo dos Velhos e Imprestáveis.
Quero falar do Alfaiate e do Sapateiro.
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Nossas manias brasileiras de arrumar dia para todo
mundo, determinaram que, o dia 6 de setembro próximo passado, sempre foi
dedicado ao Alfaiate.
Recorri profissionalmente a um Alfaiate, depois de
adulto e quando passei a comprar tecidos para fazer calças. Durante os anos que
morei no Rio de Janeiro, por conta do clima frio ao qual não estava acostumado,
me habituei a comprar tecidos na loja R. Monteiro, a maior do ramo, que
funcionava na Rua Uruguaiana – recentemente voltei ao Rio e não encontrei mais
a loja.
Antes, todas as roupas (não havia o hábito de comprar
roupas feitas nas lojas) que usei foram feitas por Costureiras. Me senti
realizado quando, pela primeira vez precisei ir ao Alfaiate, para que ele “pegasse
minhas medidas”. Me senti mais realizado, ainda, quando fui pela primeira vez
“provar” uma roupa feito pelo Alfaiate.
Pois, no modernismo de hoje, lamentavelmente, começamos
a perceber que o Alfaiate está sumindo. Está deixando de ser a profissão
respeitada que sempre foi, com a qual muitos pais mantiveram honestamente suas
famílias.
A outra bela e nobre profissão é a do Sapateiro. Sempre
foi o Sapateiro que moldou nossos sapatos para que não sofrêssemos tanto com os
joanetes. Da mesma forma, sempre foi o Sapateiro que, batendo martelo num pé de
ferro, botou “meia sola” ou “sola inteira” nos nossos sapatos, quando nossos pais
não podiam comprar um novo par – e quando ainda não havia o Vulcabrás 752 ou os
sapatos descartáveis de hoje.
Os sapateiros sempre trocaram as “virolas” dos sapatos
femininos, trocando saltos, recolocando peças que contribuíram definitivamente
para a beleza e elegância femininas.
Pois, o próximo dia 25 de outubro, é o “Dia do
Sapateiro”.
“Os sapateiros sempre fizeram parte da história da humanidade. Apareceram no mundo juntamente com a necessidade das pessoas protegerem seus pés das agressões e da dor. Eles sempre foram, até hoje, verdadeiros artesãos… Profissionais que criam, fabricam, consertam, reformam, e vendem sapatos.
O Sapateiro é um dos nossos “Anjos da Guarda”, porque a grande maioria das pessoas prefere consertar ou reformar os sapatos que já estão amaciados e adaptados aos pés, mantendo-os sempre como novos.
Porém, a maioria dos pesquisadores afirma que, com certeza, na Mesopotâmia, hoje o Iraque, há 3.200 anos a.C, os sapateiros já criavam sapatos de couro para que as pessoas pudessem caminhar pelas trilhas montanhosas… No Egito, país de clima quente, entre 3.200 e 3.100 a.C, os sapateiros criavam sandálias de couro para os nobres… Na Grécia, os sapateiros criavam e faziam sapatos diferentes para cada pé… Em Roma, os sapateiros criavam e faziam os sapatos de couro para destacar o grupo social… Para os senadores, sapatos marrons amarrados na panturrilha… Para os cônsules, sapatos brancos… Para as legiões romanas, botas de cano curto… E para as mulheres, sapatos brancos, vermelhos, verdes e amarelos…” (Transcrito do Wikipédia)
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