Começou ontem a chance de muitos jovens provarem que,
de acordo com a teoria absurda de muitos, a tecnologia é um dos grandes avanços
da educação brasileira. Particularmente,
entendemos que, se é avanço por um lado, é grande atraso por outro.
As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)
começaram a ser aplicadas ontem em todo o país. No primeiro dia, os 7,7 milhões
de inscritos tiveram 4h30 para resolver as 90 questões de Ciências Humanas e
suas Tecnologias e Ciências da Natureza e suas Tecnologias.
Hoje, domingo, é o dia de mostrar que, quem mal lê, mal
ouve e mal vê. Hoje é dia de Redação, onde não há convenção para que sejam
aceitas as formas do escrever atual de muitos. Tipo teclar no celular, “tbm” em
vez de também; “pq”, em vez de por que, ou, ainda, “vc” em vez de você.
É dia também, de ficar comprovado que, para escrever
bem (já que não é fácil escrever sem erros), é necessário ler. Ler qualquer
coisa, desde que leia. Quando se tem a sorte de procurar ler algo bom, e
encontrar, melhor ainda.
Quem não tem o hábito de ler, para a prova de hoje,
está ferrado. Ferrado não. Zerado. E, para conseguir vaga nas universidades de
hoje, basta que o concorrente tire uma nota diferente de zero. É, por vias
tortas, um incentivo à não leitura.
Essas coisas que a televisão tem mostrado dando a ideia
de que é alguma novidade (aulas de descontração, exercícios, yogas, etc.),
também acontecia no passado. A diferença está no fato de que, cada vestibulando
do passado tinha a exata noção do que sabia e, mais ainda, tirar uma nota
inferior a 5 também reprovava. Nos dias atuais, o nível está tão baixo que,
quem tira uma nota diferente de zero (na redação), está praticamente aprovado.
E até vira motivo de matéria em telejornais e em entrevistas.
A única e maior realidade é: quem estuda passa. Não tem
mistério nenhum nisso.
Mas, claro, haverá como de regra geral, os equívocos,
os medos e, principalmente, os atrasos.
Sabe aquela coisa que a televisão mostrou alguns dias
atrás em matérias especiais do Rock in Rio?
É, aquela loucura de jovens chegando no local do show
três dias antes, não apenas das apresentações dos seus ídolos preferidos e sim,
do primeiro dia do festival?
Pois, não se admire se essa mesma televisão mostrar
jovens chegando atrasado para o vestibular – momento importante, ímpar e quase
único da vida de qualquer jovem.
E, pelo menos por hoje, as escolas ficam no mesmo
patamar. A escola pública recheada de “cotas” e a escola particular, abarrotada
de regalias.
Mas, não podemos negar que o ENEM não mede nada. Até
mesmo a escola não tem direito de pretender medir nada. Não há termos de
comparação a facilidade de frequência de um estudante do Morumbi, de
Higienópolis, do Leblon, do Apipucos ou Boa Viagem com um estudante do Maiobão,
da Bela Vista ou de algum bairro de Rondônia ou Palmas.
Da mesma forma, é pouca, muito pouca, a diferença entre
o que ensina a universidade de São Paulo e a universidade do Tocantins. Nenhuma
ensina absolutamente nada.
E, para fechar, uma pergunta que não quer calar: se a
merenda escolar é fundamental para o ensino, quando é mesmo que as universidades
brasileiras vão funcionar em tempo integral, passando a oferecer a famosa
merenda?
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