Hoje vamos fazer um “pacote” e relembrar dois fatos
hilários, ambos acontecidos na Redação do Jornal de Hoje, então com sede ali na
Rua Cândido Ribeiro e, naquele tempo, propriedade do então Senador João
Castelo.
A tarde, aparentemente sonolenta, passeava nas costas
de um cágado com câimbra. Alguns Repórteres já haviam cumprido a tarefa diária
e se mandaram. Na sala nem tão grande, apenas os Editores de páginas e o
Chefe/Diretor de Redação, meu irmãozão de sangue, de credo e de time, Régis
Vera Cruz Furtado Marques, para os amigos mais íntimos, o “Eterno Chefe Régis”.
Teimoso de nascença, “Chefe Régis” teve com Comadre
Neusa um casal de filhos que todos os amigos consideram como sobrinhos e
afilhados: Adriano e Rafaela, ambos cópias cagadas e cuspidas do próprio
RM. Coincidência ou, por livre e
espontânea imposição, os dois escolheram para torcer pelo Glorioso Botafogo de
Futebol e Regatas. Voltemos à Redação.
I
Quando ninguém esperava (é bom lembrar que, por conta
das intermináveis crises financeiras enfrentadas pelo “Senador”, o Jornal de
Hoje não contratava “Segurança”), entra pela porta da Redação, o então famoso
Luizão, com seus mais de 2m de altura por 1,5m de largura, querendo levar um
“lero” com Elóy Cutrim, Editor de Polícia que, na edição daquele dia veiculara
uma matéria “quente” sobre mais uma peripécia urbana do conhecido
“Pacificador”.
Chefe Régis, frio como um “Esquimó” e sob os olhares
atônitos dos comandados, “mandou” Luizão sentar e até ofereceu-lhe uma cadeira
que, em cada lateral sobravam mais de 30 centímetros do “Negão”.
- Quero falar com o Elóy! Disse Luizão.
- Do que se trata? Elóy não está! – indagou RM.
Tapioca mordeu beiju, Pererê pão-doce, contava Luizão,
sempre fazendo questão de deixar às vistas de todos, “algo” que trazia enrolado
em jornais velhos.
- Ele me sacaneou! Quero falar com ele! Insistiu
Luizão.
- Rapaz, tu faz merda por ai e não quer que seja
divulgado e ainda vem aqui tentar amedrontar as pessoas! Vai-te embora agora,
ou vou chamar a Polícia neste instante. Vociferou RM.
Luizão fez que sim. Aquiesceu, voltou a enrolar o
objeto que trazia dentro do jornal e voltou para o lugar de onde viera.
Sem olhar para os comandados, “Chefe Régis” que ainda
era um fumante inveterado, saiu da sala e foi fumar um, dois e até três cigarros,
como se comemorasse um gol de Quarentinha para o nosso “Glorioso” Botafogo. Ou,
se tivesse mostrado medo por conta da má fama de Luizão, talvez RM não tivesse
fumado nenhum cigarro, e não estaria agora lendo essa crônica sem nenhuma
graça.
II
Mais uma vez era o expediente da tarde, onde, via de
regra, quase sempre estavam apenas os Editores de páginas ou algum Repórter que
estivesse produzindo alguma pauta especial. Silêncio total na Redação, por
volta das 15 horas.
Eis que a porta se abre e, alegrando o ambiente, entra
uma das maiores Jornalistas deste Maranhão, que, naquele tempo dava um status
incontido para um Jornal que vivia constantemente em crise. Atrasou pagamento
por quase um ano, mas os profissionais, provavelmente por gostarem do trabalho,
do ambiente e, com certeza do “Chefe Régis”, permaneciam trabalhando sem
reclamações.
Havia entre a Jornalista (não revelo o nome por questão
de respeito – embora nada desabonador tenha acontecido. Na realidade, foi algo
engraçado.) e os colegas da Redação uma
amizade crescente e um respeito mútuo.
Quando a Jornalista abre a porta e entra na Redação,
“Chefe Régis”, com suas costumeiras brincadeiras que nunca arrancaram pedaços
de ninguém, fala pausadamente:
- Que gos-to-su-ra!
Nisso, a porta da Redação que continuara aberta e, em
fração de segundos, pela mesma porta entra o marido da Jornalista. Pânico e
silêncio total em meio aos colegas.
- Que gos-to-su-ra, esse texto que recebi agora!
Todos os Editores se voltaram para os seus
computadores, procurando segurar a gargalhada, enquanto a Jornalista chorava de
rir.
Coisas das nossas redações que, durante anos, só
fortaleceram nossos relacionamentos e nos fizeram colegas-irmãos, além de bons
e respeitosos profissionais.
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