Roque de Sá/Agência Senado
Comissão do CAE aprovou na sessão desta terça-feira
repasse de US$ 473,7 milhões em operações de crédito externo
Quatro novas operações de crédito externo no total
de US$ 473,7 milhões (aproximadamente R$ 1,7 bilhão) foram aprovadas na reunião
desta terça-feira (12) da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O Ceará, o
Piauí e o município de Teresina são os beneficiários desses empréstimos, que
ainda passarão por votação no Plenário do Senado.
Do Banco Internacional para Reconstrução e
Desenvolvimento (Bird) sairão os recursos para Piauí e Teresina: US$ 200
milhões e US$ 120 milhões para dois projetos de crescimento sustentável e
inclusivo do estado; e US$ 88 milhões para a melhoria da qualidade de vida e da
gestão municipal da capital, dentro da segunda etapa do programa “Lagoas do
Norte”.
O quarto empréstimo beneficia o Ceará e destina-se
ao financiamento do projeto de modernização tecnológica do estado. Se autorizada,
será assinada uma operação de crédito externo no valor de 57,6 milhões de euros
(o equivalente a US$ 65,7 milhões) com a MLW Internet Handels. Ao contrário das
demais operações, essa não precisará de garantia da União.
Já o estado do Paraná poderá ter novo prazo de 540
dias para contratar operação de crédito externo com o Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID) no valor de US$ 67,2 milhões. O prazo para essa operação,
autorizada pelo Senado em 2014, venceu em fevereiro deste ano, sem que o estado
tenha exercido o direito. O novo prazo é previsto no Projeto de Resolução
do Senado (PRS) 13/2016, do senador Álvaro Dias (PV-PR), que agora será
votado em Plenário.
O relator, senador Dalirio Beber (PSDB-SC), afirma
que os recursos da operação destinam-se ao “Programa Paraná Seguro”, que tem
como objetivo geral contribuir para a redução dos índices de criminalidade
violenta nas cidades de Curitiba e sua região metropolitana; do eixo Londrina-Maringá;
e da região fronteiriça paranaense.
Polêmica - Uma polêmica sobre esses empréstimos começou na reunião anterior da CAE,
em 5 de abril, quando o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) sugeriu à presidente
da comissão, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que devolvesse os pedidos ao
Ministério da Fazenda, pelo fato de não estarem de acordo com as Resoluções
40/2001 e 43/2001 do Senado, que disciplina a concessão das autorizações aos
entes federados.
Gleisi indeferiu nesta terça-feira (12) o pedido de
Ferraço e observou que as deliberações do Senado sobre operações de crédito têm
caráter meramente autorizativo, não impondo ao Tesouro Nacional ou ao estado
obrigação de contratar. A assinatura do contrato, acrescentou, só se
concretizará se o Tesouro assegurar que o estado se enquadra nos limites de
endividamento previstos na legislação.
Mesmo com os esclarecimentos da presidente da CAE,
Ferraço votou contra pedidos de estados com a nota “C3″ – Piauí e Paraná, que
solicitavam novo prazo. Só votou a favor do empréstimo para o Ceará, que não
pediu aval à União e, conforme avaliação do Tesouro, está plenamente de acordo
com as resoluções do Senado.
Os estados com nota “C3″ dependem de uma
excepcionalidade do Ministério da Fazenda, que foi concedida ao Piauí e ao
Paraná. Para Ferraço, o Ministério da Fazenda transformou em regra uma
concessão que só poderia ser feita em caráter excepcional.
Autor do projeto que reabre prazo para o Paraná, Álvaro
Dias sugeriu como solução do problema a votação do PRS 48/2013, de autoria
do então senador Pedro Taques, que veda manifestação favorável a pedido de
empréstimo quando a análise da capacidade de pagamento indicar potencial
dificuldade de honrar a dívida.
— Portanto, nós evitaríamos a concessão de
empréstimos com base nesse critério da excepcionalidade, porque isso tem sido
uma rotina aqui. Há um festival de empréstimos garantidos pela excepcionalidade
— acrescentou o senador paranaense.
Definição - Relator do pedido de Teresina, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE)
explicou que a prefeitura de Teresina tem nota “B”, que a habilita tanto pelos
critérios das duas resoluções do Senado, como pelos parâmetros estabelecidos
pela Secretaria do Tesouro Nacional. O parlamentar sugeriu uma reunião com o
Ministério da Fazenda para definir se os critérios serão observados com mais
rigor em relação a todos, ou se serão flexibilizados.
— Se nós da Comissão de Assuntos Econômicos do
Senado Federal não formos capazes de manter essa ordem, essa disciplina, nós
estaremos cooperando firmemente para que essa bagunça se degenere de vez e saia
de qualquer controle — advertiu o parlamentar cearense.
Favorável ao empréstimo para o Piauí, o senador
Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) declarou-se defensor da responsabilidade
fiscal, mas advertiu que “a concentração [regional] se agudiza” com a crise.
Segundo ele, os empréstimos ajudam estados pobres, como o Piauí, na antecipação
do futuro.
Reforma - Para superar o problema da concentração apontado pelo parlamentar
pernambucano, o senador Paulo Rocha (PT-PA) defendeu uma reforma tributária que
contribua para reduzir as desigualdades regionais e citou o exemplo da energia
que será produzida na usina hidrelétrica de Belo Monte, construída na bacia do
Rio Xingu, no Pará. Segundo ele, essa energia vai alavancar as plantas
industriais do Centro-Sul do país, deixando longe do Pará os benefícios e os
impostos gerados.
A senadora Regina Sousa (PT-PI) disse que o PIB do
Piauí, que era de R$ 22 bilhões em 2010, é hoje de R$ 33 bilhões. Segundo ela,
apesar da crise, é um dos estados que mais crescem. O senador Elmano Férrer
(PTB-PI) afirmou que o Piauí não é responsável pelo endividamento do Estado
brasileiro e que os recursos serão investidos em educação, ações sociais e
infraestrutura.
Durante a reunião, os senadores Omar Aziz (PSD-AM),
Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Waldemir Moka (PMDB-MS) reclamaram de uma suposta
falta de critérios do governo federal no encaminhamento de pedidos de
empréstimos de estados e municípios. Gleisi Hoffmann comprometeu-se a conversar
com a STN e a Casa Civil para estabelecer essas regras.
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