Por: Laryssa Borges, de Brasília
Eles são acusados de crimes de
organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito do
esquema apurado pela Operação Lava Jato.
O ex-ministro da Casa Civil José
Dirceu (Vagner Rosário/VEJA.com)
O Ministério Público Federal
encaminhou ao juiz Sergio Moro pedido para que o ex-ministro da Casa Civil José
Dirceu seja condenado pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva
e lavagem de dinheiro por ter embolsado propina e recebido benesses do
propinoduto instalado na Petrobras. No documento de alegações finais enviado a
Moro - fase que antecede o anúncio da sentença -, o MP aponta elementos para a
condenação de mais treze pessoas, entre as quais o ex-tesoureiro do PT João
Vaccari Neto, os executivos da Engevix Gerson Almada, José Antunes Sobrinho e
Cristiano Kok, o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, Roberto
Marques, o 'faz-tudo' do petista, e o ex-diretor de Serviços da Petrobras
Renato Duque.
"Estamos diante de um dos
maiores casos de corrupção já revelados no país. Não se pode tratar a presente
ação penal sem o cuidado devido, pois o recado para a sociedade pode ser
desastroso: impunidade ou reprimenda insuficiente", alegou a força-tarefa
ao defender a condenação. "Se queremos ter um país livre de corrupção,
esse deve ser um crime de alto risco e firme punição, o que depende de uma
atuação consistente do Poder Judiciário nesse sentido, afastando a timidez
judiciária na aplicação das penas quando julgados casos que merecem punição
significativa, como este ora analisado", completou.
Em depoimentos prestados em seu
acordo de delação premiada, o lobista Milton Pascowitch deu detalhes do
intrincado esquema de pagamento de propina em benefício do ex-ministro. Um dos
dutos do dinheiro sujo para o petista era o pagamento de fretes de aviação pela
empresa Flex Aero Taxi Aéreo Ltda. Neste caso, disse o delator, "os
pedidos eram frequentes" e feitos pelo irmão de Dirceu, Luiz Eduardo, ou
pelo assessor Bob Marques - presos, ao lado de Dirceu, na 17ª fase da Lava
Jato, deflagrada em agosto de 2015. Do mesmo modo, existem registros de que a
empresa de fachada Jamp Engenharia pagou 1 milhão de reais à JD Consultoria, do
ex-ministro, entre abril e dezembro de 2011. Há ainda contratos simulados de
consultoria entre a Jamp e a JD, o pagamento de 1,3 milhão de reais feito por
Pascowitch para a reforma da casa do petista em Vinhedo, a reforma do
apartamento do irmão de Dirceu, também bancada por Pascowitch, e até a compra
de um apartamento para a filha de Dirceu, Camila. As reformas e compras de
imóveis em benefício de Dirceu foram usadas para repassar propina devida ao
petista.
Segundo as investigações, a JD
Consultoria e Assessoria, uma espécie de lavanderia de José Dirceu no esquema
do petrolão, recebeu dinheiro também de empreiteiras do notório Clube do
Bilhão. Foram 844.650 reais pagos pela Camargo Correa no ano de 2010; 2 milhões
de reais pagos em 62 vezes pela OAS entre 2009 e 2013; 900.000 reais
depositados pela Engevix; 703.000 reais pela Galvão Engenharia; e 2,8 milhões
de reais depositados pela UTC Engenharia
Além da condenação a penas em regime
fechado, a força-tarefa da Lava Jato argumentou que Sergio Moro deve determinar
que os apenados devolvam pelo menos 56,79 milhões de reais, valor baseado nos
contratos de aditivos de obras da Refinaria Presidente Bernardes, da Refinaria
Getúlio Vargas e da Refinaria Landulpho Alves, onde houve pagamento de propina.
Para o MP, a Justiça também deve fixar o mínimo de 113,5 milhões de reais a
serem devolvidos à Petrobras, cifra correspondente ao dobro do valor total de
propina paga em todos os contratos e aditivos mapeados pelos investigadores
neste processo.
No caso de José Dirceu, o Ministério
Público argumenta ainda que, na definição da possível pena a ser atribuída ao
petista, seja levado em conta que o ex-ministro é reincidente, já que foi
condenado por corrupção no julgamento do mensalão, e deve ter a pena aumentada
também porque "promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a
atividade dos demais agentes".
Ao pedir a condenação de Dirceu e do
grupo de políticos e empresários que atuaram com ele no esquema de corrupção
instalado na Petrobras, o Ministério Público alega que todos tinham plena
consciência de que estavam praticando crimes, já que "se valeram de
sofisticados mecanismos financeiros para ocultar a corrupção e para praticar o
crime de lavagem de capitais, em meio a complexa organização criminosa".
"Não se trata de criminalidade de rua, influenciada pelo abuso de drogas
ou pela falta de condições de emprego, ou famélica, decorrente da miséria
econômica. São réus abastados, que ultrapassaram linhas morais sem qualquer
tipo de adulteração de estado psíquico ou pressão, de caráter corporal",
conclui o MP.
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