O PSDB e o
PP, dois partidos de oposição à presidente Dilma Rouseff, vão dividir a
presidência e a relatoria da comissão que analisará o pedido de impeachment na
segunda fase do processo autorizado neste domingo pela Câmara. Os tucanos devem
ficar com a presidência. O nome mais cotado é o do senador Antônio Anastasia (MG).
Para a relatoria, que ficará a cargo do PP, estão sendo avaliados os nomes de
Gladson Cameli (AC), investigado em um dos inquéritos da Operação
Lava Jato, e Ana Amélia Lemos (RS).
O acordo foi fechado enquanto a votação da
admissibilidade do pedido de impeachment estava sendo votado pelos deputados.
Os líderes dos maiores partidos de oposição na Câmara também participaram da
negociação. O PMDB, que tem a maior bancada de senadores, terá o maior número
de componentes do colegiado que vai julgar Dilma Rousseff a partir da próxima
terça-feira. O presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), se dispôs a
ler nesta segunda-feira a ata da decisão tomada neste domingo pelos deputados. A
leitura abre formalmente o julgamento da presidente.
A defesa da presidente Dilma Rousseff terá 10 dias
para apresentar a defesa das acusações de crime de responsabilidade pelo
descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal durante o ano passado. A escolha
do PP para relatar o caso é o primeiro sinal de que o PT e a defesa da
presidente terão muita dificuldade para impedir o afastamento de Dilma. Com 367
votos de deputados pela abertura do processo, 25 votos a
mais que o mínimo necessário, o pedido de impeachment chega ao Senado com o
apoio robusto da Câmara, o que deve influenciar o posicionamento dos senadores.
O PT tem 11 senadores. É a segunda maior bancada
junto com o PSDB, mas insuficiente para rejeitar, sozinha, o julgamento de
Dilma Rousseff. Os senadores do PMDB formam a maior bancada, com 16 membros,
preferiram ficar fora dos cargos de direção da comissão julgadora, mas terá o
maior número de votos no colegiado. Os petistas e o Palácio do Planalto contam
com a ajuda dos senadores do PSB que já se manifestaram contra o impeachment.
Na bancada dos de sete socialistas, somente o senador Antônio Carlos Valadares
(SE) já se manifestou a favor do impeachment. Os petistas também contam com o
voto certo da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).
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