O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),
recebeu nesta segunda-feira (18), do presidente da Câmara dos Deputados,
Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a autorização aprovada pelos deputados para a abertura
de processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. Ele
informou que lerá o documento na sessão desta terça (19).
Nesta terça-feira, Renan vai também se reunir com
os líderes partidários no Senado. “Vamos amanhã, às 11h, fazer uma reunião com
os líderes do Senado Federal e conversar com eles sobre prazos e sobre a
proporcionalidade para compor a comissão especial, que terá 21 membros.”
Renan disse que os senadores vão agir com
“neutralidade e imparcialidade” e que o processo correrá no tempo necessário
para garantir o direito ao contraditório e à defesa. “Nós temos pessoas pedindo
para agilizar o processo, mas não podemos agilizar o processo, de forma que
pareça atropelo, nem delongar, de forma que pareça procrastinação.” De acordo
com o senador, desse modo, com “isenção e neutralidade”, serão garantidos
o processo legal, o prazo de defesa e o contraditório.
Questionado sobre a indicação do senador Antônio
Anastasia (PSDB-MG) para a presidência da comissão e da senadora Ana Amélia
Lemos (PP-RS) para a relatoria, Renan disse que os nomes ainda não estão
definidos. Renan informou que os líderes indicarão os nomes para a comissão
conforme a proporcionalidade das bancadas. Ele disse esperar que os líderes
entrem em acordo quanto aos nomes para a presidência e a relatoria. De qualquer
forma, ambos terão que ser eleitos pela comissão, acrescentou Renan.
“Ainda não cogitamos nomes – essa tarefa não é do
presidente, é dos líderes partidários, que poderão conversar entre si de modo a
criar condições políticas para eleger o presidente e o relator. Há um detalhe
já observado na Câmara dos Deputados, de que o relator, diferentemente do que
acontece nas comissões, precisará ser eleito, a exemplo do presidente, na
comissão especial”, disse.
A comissão terá 10 dias úteis para emitir parecer
sobre a admissibilidade do processo. No Senado, diferentemente da Câmara, os
prazos são contados em dias úteis e não por sessões, de modo que não se esperam
sessões nos fins de semana. “A comissão funcionará para dar parecer sobre a
admissibilidade ou a inadmissibilidade e voltará para ser a comissão
processante, que irá investigar e ao final julgar”, explicou Renan.
Cunha - O presidente
da Câmara declarou, ao deixar a reunião, que os deputados não terão sessão
deliberativa nesta semana. Segundo Cunha, as últimas sessões de análise
do impeachment no fim de semana foram muito longas e, além disso, os
deputados “não reconhecem mais” o governo.
“Não acredito que nenhuma matéria relevante na
Câmara será votada enquanto esse processo durar no Senado. A decisão de ontem
[17] significa que a Câmara não reconhece mais esse governo, então é difícil
apreciar qualquer coisa do governo”, afirmou.
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