O 1º secretário da Câmara dos Deputados, Beto
Mansur (PRB-SP), anunciou há pouco em Plenário que a votação do pedido
de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a ser realizada
no próximo domingo (17), será feita da seguinte forma:
- primeiro, serão chamados nominalmente os
deputados da Região Sul, estado por estado, até se chegar à Região Norte;
- dentro de cada estado, a chamada seguirá a ordem alfabética
dos nomes dos deputados.
A decisão foi tomada pelo presidente da Câmara,
Eduardo Cunha.
Neste momento, a questão é debatida em plenário.
Deputados governistas contestam a decisão de Cunha e afirmam que a votação
deveria começar pelos parlamentares da Região Norte. Em entrevista coletiva
ontem, Cunha classificou como “bobagem” a tese de que a ordem de chamada poderá
influenciar o placar final da votação.
Critérios - Ao
fundamentar a decisão, Cunha lembrou que a votação por chamada nominal, estado a
estado, do Sul para o Norte, está prevista no Regimento Interno da Câmara e não
fere qualquer preceito constitucional ou dispositivo legal.
Sobre as dúvidas quanto à expressão regimental
“alternadamente, do Norte para o Sul e vice-versa”, Cunha reconhece que essa
alternância poderia dar a entender que, caso fosse chamado um estado do Norte,
o seguinte seria um estado do Sul.
“Ocorre, no entanto, que não foi essa a
interpretação que prevaleceu durante todos esses anos”, argumentou Cunha, ao
comentar que a orientação firmada foi de alternância entre votações e não na
mesma votação.
Cunha lembrou uma votação por chamada nominal
ocorrida em 2001, quando os deputados foram chamados do Sul para o Norte:
“Iniciou-se a convocação então pelos deputados do Sul, com a chamada do
deputado Alceu Collares, do Rio Grande do Sul”, diz a decisão do presidente.
Ainda segundo Cunha, em 15 de fevereiro de 2005
houve uma nova votação com chamada nominal, iniciando-se, desta vez, pelo
Norte, com o deputado Alceste Almeida, de Roraima. “De 2005 até hoje, não houve
nenhuma votação que tenha adotado o mesmo procedimento [chamada nominal]. Logo,
a próxima votação com esse mesmo procedimento deverá seguir a ordem de chamada
dos deputados do Sul para o Norte”, concluiu Cunha, em sua decisão lida em
Plenário pelo deputado Beto Mansur.
Texto em votação - No domingo (17), será votado o parecer em que o deputado Jovair Arantes
(PTB-GO), relator da Comissão Especial do Impeachment, recomenda que a Câmara
autorize o Senado a processar a presidente Dilma por crime de
responsabilidade. Em seu relatório, aprovado por 38 votos a 27, Arantes avalia
que Dilma cometeu crime ao abrir créditos suplementares de Orçamento via
decreto presidencial, sem autorização do Congresso Nacional; e ao adiar
repasses para o custeio do Plano Safra, o que obrigou o Banco do Brasil a pagar
benefícios com recursos próprios – manobra popularmente chamada de “pedalada
fiscal”.
Os deputados da base aliada ao Executivo argumentam
que não houve crime e classificam o processo de impeachment como golpe contra
Dilma e a democracia.
Para o impeachment de Dilma ser aprovado, são
necessários 342 votos a favor do parecer de Jovair Arantes, o equivalente a 2/3
dos 513 deputados da Casa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor. Não aceitaremos palavras indecorosas nem comentários que atinjam a honra dos demais comentaristas.