O Maranhão é um estado que tem muitos segredos e uma
infinidade de lendas. Suas ligações muito próximas com a África e uma cultura
muito rica herdada dos antepassados são reforços e raízes que mantém a árvore
com frutos e boa sombra.
O candomblé é apenas uma entre muitas tradições – e a
raiz mais forte é a simpatia pessoal emoldurada pela forte cultura. Ações, no
Maranhão definidas como “brincadeiras”, têm um forte leque e uma
grandeza/riqueza de ritmo incomparável. O reggae, com origem na Jamaica é o
novo elo que liga a negritude.
Mas, o que salta mesmo aos olhos e envolve de forma
muito forte é, de um lado, o bumba-boi que acende o período junino e movimenta
praticamente todo o estado, e, o outro é o tambor de crioula. O Tambor de
Crioula é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
Tambor de crioula
“Tambor de crioula ou punga é uma dança de origem africana praticada por descendentes de escravos
africanos no estado brasileiro do Maranhão, em louvor a São
Benedito, um dos santos mais populares entre os negros. É uma dança alegre, marcada
por muito movimento dos brincantes e muita descontração.
Os
motivos que levam os grupos a dançarem o tambor de crioula são variados podendo
ser: pagamento de promessa para São
Benedito, festa de aniversário, chegada ou despedida de
parente ou amigo, comemoração pela vitória de um time de futebol, nascimento de criança,
matança de bumba-meu-boi, festa de preto velho ou simples reunião de amigos.
Não existe um dia determinado no calendário para
a realização da dança, que pode ser apresentada, preferencialmente, ao ar
livre, em qualquer época do ano. Atualmente, o tambor de crioula é
dançado com maior freqüência no carnaval e durante as festas
juninas. A Lei nº 13.248 de 12 de janeiro de 2016
estabeleceu a data de 18 de junho como o dia do Tambor de Crioula.
A dança não requer ensaios. Originalmente não
exigia um tipo de indumentária fixa, mas nos dias atuais a dança pode ser vista com as brincantes vestidas em saias rodadas com estampas
em cores vivas, anáguas largas com renda na borda e blusas rendadas e decotadas
brancas ou de cor. Os adornos de flores, colares, pulseiras e torços coloridos
na cabeça terminam de compor a caracterização da dançante. Os homens trajam
calça escura e camisa estampada.
A animação é feita com o canto puxado pelos
homens com o acompanhamento das mulheres. Um brincante puxa a toada de
levantamento que pode ser uma toada já existente ou improvisada. Em seguida, o
coro, integrado pelos instrumentistas e pelas mulheres, acompanha, passando
esse canto a compor o refrão para os improvisos que se sucederão. Os temas,
puxados livremente em toadas, podem ser classificados como de auto-apresentação, louvação aos santos
protetores, sátiras, homenagem às mulheres, desafio de cantadores, fatos do
cotidiano e despedida.
A coreografia da dança apresenta vibrantes formas de expressão
corporal, principalmente pelas mulheres que ressaltam,
em movimentos coordenados e harmoniosos, cada parte do corpo (cabeça, ombros,
braços, cintura, quadris, pernas e pés). As dançantes se apresentam
individualmente no interior de uma roda formada por um grupo de vários
brincantes, incluindo dirigentes, dançantes, cantadores e tocadores. Da roda,
participam também os acompanhantes do tambor. Todos acompanham o ritmo com
palmas.
O tambor de crioula apresenta coreografia livre e variada. A brincante que está no centro é responsável pela
demonstração coreográfica principal, mostrando sua forma individual de dançar.
No centro da roda, os movimentos são mais livres, mais intensos e bem
acentuados, seguindo o compasso dos tocadores.
A dança apresenta uma particularidade: a punga.
Entre as mulheres, se caracteriza como um convite para entrar na roda. Quando a
brincante está no centro e quer sair, avança em direção a outra companheira,
aplicando-lhe a punga, que consiste no toque com a barriga. A que estiver na
roda vai para o centro para continuar a brincadeira.
Toda a marcação dos passos da dança é feita por
um conjunto de tambores que os brincantes chamam de parelha. São três tambores
nos tamanhos pequeno, médio e grande, feitos de troncos de mangue, pau d'arco,
soró ou angelim. Um par de matracas batidas no corpo do tambor grande auxilia
na marcação. O tambor pequeno é conhecido como crivador ou pererengue; o médio
é chamado de meião, meio ou chamador e o grande recebe, entre os tocadores, os
nomes de roncador ou rufador.
Os tambores são bastante rústicos, feitos
manualmente de troncos cortados nos três tamanhos e trabalhados exteriormente
com plainas para que a parte superior fique mais larga que a inferior.
Internamente, o tronco é trabalhado a fogo com o auxílio de instrumentos de
ferro para que fique oco. A cobertura do tambor é feita com o couro de boi,
veado, cavalo ou tamanduá. Depois da cobertura, é derramado azeite doce no
couro que fica exposto ao sol para enxugar e atingir o "ponto de
honra", quando é considerado totalmente pronto. Durante a dança, os
tambores são esquentados na fogueira para que tenham afinação perfeita.
Coreografia - Punga é dançada em roda. O início é assinalado pelo toque de um tambor grande. Os dançarinos avançam
dando dois passos para frente, e uma roda em seguida, dirigindo-se ao círculo,
escolhendo quem vai levar a punga. Avança de barriga empinada de encontro a
pessoa escolhida.” (Transcrito do Wikipédia).
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