Empreiteiras acusadas de formar um cartel para superfaturar obras da
Petrobras doaram quase R$ 14 milhões para políticos investigados
Pelo menos 20 dos políticos que serão alvo de inquérito no Supremo
Tribunal Federal por envolvimento na Operação Lava Jato receberam, em 2014,
doações eleitorais registradas de empreiteiras acusadas de formar um cartel
para superfaturar obras da Petrobras. Foram quase R$ 14 milhões, distribuídos a
candidatos a governador, senador e deputado federal.
Das 16 empresas que, segundo as investigações da Polícia Federal, teriam
participação no cartel, sete fizeram contribuições diretas às campanhas de
políticos envolvidos no escândalo.
A lista de contemplados com doações pode aumentar, já que governadores
eleitos também serão alvo de pedidos de abertura de inquérito - seus casos
serão analisados pelo Superior Tribunal de Justiça. A relação tampouco desvenda
todas as apostas eleitorais das empreiteiras.
O levantamento do Estadão Dados se limita à disputa de 2014 porque,
antes disso, as empresas podiam fazer as chamadas doações ocultas, nas quais
era impossível rastrear as conexões entre financiadores e financiados. Alguns
dos investigados - entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)
-, foram eleitos em 2010 e não concorreram na disputa do ano passado.
O ranking de contribuições em 2014 é encabeçado por três candidatos a
governador, cujas campanhas são mais caras - além disso, se eleitos, eles têm
poder de decisão sobre a alocação de recursos para obras, tema de interesse
direto das empreiteiras. Os primeiros da lista são os senadores Lindbergh
Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Benedito de Lira (PP-AL), que
concorreram aos governos do Rio de Janeiro, do Paraná e de Alagoas,
respectivamente. Nenhum deles foi eleito em 2014. Todos voltaram, portanto, aos
seus mandatos no Senado.
Os outros postos são ocupados por 17 deputados e senadores investigados
e contemplados por doações do cartel. Nesse bloco, o PP se destaca: 12 dos
parlamentares (70,6% do total) são filiados ao partido. Os demais nomes são do
PT (3), do SD (1) e do PSDB (1).
Quando o que se observa não é o volume das contribuições, mas o número
de financiadores, o primeiro colocado é o senador tucano Antonio Anastasia,
ex-governador de Minas Gerais. Ele recebeu doações de cinco das empreiteiras
acusadas de formar o cartel da Petrobrás.
Três das empreiteiras da lista são responsáveis por dois terços das
doações eleitorais aos políticos agora investigados: UTC Engenharia,
Construtora Queiroz Galvão e Galvão Engenharia, nessa ordem. As duas primeiras
fizeram, cada uma, doação de valor idêntico à campanha do petista Lindbergh
Farias: R$ 1,425 milhão. As doações da Queiroz Galvão foram as mais abrangentes:
chegaram a 10 dos 20 políticos da lista do Supremo. A seguir aparecem OAS e
UTC, com oito e sete financiados, respectivamente.
O ministro do Supremo Teori Zavascki determinou na sexta-feira a
abertura de investigação criminal sobre 50 pessoas, entre elas 22 deputados
federais, 12 senadores e o vice-governador da Bahia, João Leão (PP). Estão na
lista cinco ex-ministros do governo Dilma Rousseff (Aguinaldo Ribeiro, Mário
Negromonte, Edison Lobão, Gleisi Hoffmann e Antonio Palocci). Fonte: Estadão
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