Cid e Ciro
Gomes
Desde a semana passada, aliados do
agora ex-ministro Cid Gomes embalaram discursos em favor de uma candidatura
presidencial em 2018. Dizem enxergar na cena do ex-governador do Ceará com o
dedo em riste na direção do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), uma
peça de propaganda de primeira linha para associar Cid ao sentimento de cansaço
em relação ao governo do PT. Na prática, entretanto, a saída de Cid do
Ministério da Educação jogou água numa peça fundamental da estratégia política
da família Gomes: a de garantir uma vitrine com projeção nacional para o clã
até que se aproxime a próxima disputa presidencial.
Meses atrás, mesmo quando já se
especulava sobre a possibilidade de Cid virar ministro, a família Gomes ainda
trabalhava com o nome do irmão Ciro, veterano em eleições, como opção para
2018. O próprio Ciro não escondia nos bastidores o desejo de concorrer. Dizia
que não se deixaria abater pelo desgaste de seu grupo e a decisão de aderir ao
PROS, deixando o PSB de Eduardo Campos. E que trabalharia até onde fosse
necessário para dar “sobrevivência” ao seu projeto eleitoral.
Quando a indicação de Cid para o
ministério se concretizou, o grupo político dos Gomes passou a trabalhar com
seu nome como candidato para a corrida de 2018. Ciro, como contou o Poder Online na época, buscou uma alternativa no setor setor privado. Acabou
aceitando um convite da CSN.
Na prática, entretanto, aliados
avaliam que é cedo para dizer quem pode ser o nome a ser trabalhado para uma
disputa pelo Palácio do Planalto. Cid, dizem aliados, tem a vantagem de
fazer o mesmo discurso do irmão em relação aos “vícios” do sistema político
brasileiro, sem ter protagonizado tantas polêmicas no decorrer dos anos. Ciro,
por sua vez, tem o recall de eleições passadas.
O desafio, agora, admitem pessoas
próximas aos irmãos Gomes, é buscar um novo projeto capaz de dar visibilidade a
Cid e a Ciro. Não se sabe, por exemplo, até que ponto o PROS poderia abrigar a
empreitada, já que o partido foi criado com o dedo do Palácio do Planalto, como
parte da estratégia para a corrida presidencial do ano passado.
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