terça-feira, 17 de março de 2015

Olívia Palito, o espinafre, e o amor de Popeye

 

Essa matéria é, entendam, apenas uma demonstração de saudade das coisas boas e dos bons tempos que vicejavam em cada um de nós – na juventude, principalmente.

E, da juventude para a adolescência até voltar no túnel do tempo e ir de encontro com a infância, basta dobrar a esquina, até mesmo como se fôssemos aquele “Homem de Borracha” dos gibis do “nosso tempo”.

Falar de saudade, hoje, para muitos de nós, é também falar de amor. De amor vivido e de amor amado. Amar o amor, tempos atrás, era, antes de qualquer coisa, gostar de si mesmo. Viver a vida com a força e a segurança que a nos eram oferecidas.

E na infância, amar era viver a vida de criança e dos empurrões em direção à adolescência e a juventude.

Antes dos namoros na porta das namoradas, cinema e gibis faziam a preferência de quase todos.  Flash Gordon, Cavaleiro Negro, Flecha Ligeira, Tex Ritter, Durango Kid, Zorro, Fantasma, Mandrake, Tarzan, Capitão Marvel, Super Homem, Batman e Robin e as imperdíveis infantis Pinduca, Pato Donald, Luluzinha, Bolinha, Recruta Zero e Popeye.

Nem todos tinham o dinheiro necessário para comprar tantas revistas e poucos tinham o poder aquisitivo para comprar um “Almanaque” por mês. Foi nessa necessidade que surgiu e pontificou o sistema de troca dos gibis lidos pelos não lidos. Um gibi novo, saído naquela semana, valia pelo menos dois gibis mais antigos numa troca que, em Fortaleza, acontecia sempre nas tardes de domingo no Cine Nazaré que funcionava na Rua Dom Jerônimo no bairro Otávio Bonfim.

Era ali, também, que aconteciam as trocas e vendas de figurinhas de artistas de cinema e de jogadores de futebol dos times cariocas, paulistas e gaúchos.

E foi naquele frege adolescente que virei fã incondicional do marinheiro Popeye e seu interesse e paixão pela Olívia Palito – mesmo com as interferências inconvenientes do Brutus.

Olívia Palito era uma personagem das histórias em quadrinhos "Thimble Theater" criada por Elzie Crisler Segar em 1919, dez anos antes de Popeye. Antes da primeira aparição de Popeye, as histórias em quadrinhos de Segar, giravam em torno da família de Olívia, e de seu irmão Castor Palito. Nessa época Olívia tinha outro namorado chamado Ham Gravy, que foi substituído por Popeye nas histórias, após o sucesso deste.

Em grande parte das histórias do Popeye, nos quadrinhos ou em animações, Olívia vivia perseguida por Brutus, mas sempre acaba sendo salva pelo marinheiro.

O nome - O nome dela em inglês "Olive Oyl" significava "azeite de oliva" (olive oil), mas com "oyl" no lugar de "oil", diferente da versão em português, seu nome original não tem nada a ver com ela ser magra, até por que na primeira vez que Olívia apareceu em tiras de quadrinhos na década de 20, ela era bem mais gorda.


Popeye era um personagem clássico dos quadrinhos, criado também por  Segar em 17 de janeiro de 1929, e adaptado para desenhos animados em 1933 pelos irmãos Dave e Max Fleischer. Era um marinheiro carismático que estava sempre tentando proteger sua namorada, Olívia Palito das garras de seu eterno inimigo, Brutus. Quando comia espinafre, Popeye ficava muito mais forte e confiante, podendo vencer qualquer desafio, tendo sua força equiparada e superior até ao poderoso Superman.

Frases - Algumas das frases mais usadas por Popeye eram: "I'm Popeye, the sailorman!" ("Eu sou o marinheiro Popeye!"), "I am what I am, and that's all what I am!" ("Eu sou o que sou, e isso é tudo o que eu sou!"), "I'm strong to the finish, cause I eats me spinach!" ("Sou forte até o fim, com espinafre pra mim!"), "That's all I can stands, cuz I can't stands n'more!" ("Isso é tudo que eu posso aguentar, porque eu não aguento mais").

Mas a frase que era traduzida para português das mais diferentes formas é "Well, blow me down!" que significa ao pé da letra: "Bem, ventanias me empurrem!" ("Blow Me Down" é uma frase popular entre piratas ou marinheiros, referindo-se aos ventos empurrarem as velas do navio). Na dublagem brasileira essa mesma frase é substituída por várias outras expressões usadas no Brasil, como: "Macacos me mordam!".

Com certeza, naqueles tempos muitos jovens que também liam as revistas da EBAL acreditavam que comer a verdura mega nutritiva, fazia crescer e ficar forte igual ao marinheiro Popeye, certo.  Popeye, um dos ícones da cultura pop, tinha como booster de sua força o espinafre, que, segundo estudos e enciclopédias medicinais do século XIX, possuía uma quantidade de ferro 10 vezes maior que qualquer outro cada grama.

No livro “Half Life in Facts” o autor Samuel Arbesman faz um questionamento: por que tudo o que nós sabemos tem data de expiração?

Em uma de suas abordagens, o autor Samuel Arbesman (no livro Half Life in Facts) descreve os efeitos medicinais e alimentares do espinafre: Popeye, o marinheiro de sotaque estranho e antebraços invejáveis usa o espinafre para efeitos especiais de força.”

A verdade começou a ser descoberta e propagada mais de 50 anos antes da estreia do primeiro episódio do desenho animado. De volta em 1870, Erich von Wolf, um médico e químico alemão, analisou a quantidade de ferro presente no espinafre e em outros legumes verdes.

Nos anos 90 a investigação refinou e estudiosos descobriram que poucos dias após a colheita, o espinafre – como muitos de outros alimentos – perde nutrientes e deve ser consumido o mais depressa possível, aproveitando sempre a água de cozimento para que não se perca nada do seu valor.

Claro que a intenção do artista Elzie C. Segar não era despertar no público que lia seus gibis e estórias mensais o sentimento do ciúme ou da adversidade. Havia quem defendesse que a ideia central era fazer propaganda do espinafre, que, na época, era propriedade de um ricaço americano. Esses defendiam que tudo não passava mesmo de marketing – e outros até chegavam a afirmar que o custo industrial e intelectual das revistas e mais tarde dos filmes e desenhos ficava por conta desse ricaço. Não existe nada que confirme ou desminta isso.

E Brutus surgiu nas estórias antes de Popeye. Na verdade foi Popeye que “tomou” Olívia de Brutus e esse passou a lutar arduamente para reconquista-la.

Esse universo das revistas em quadrinhos fez a festa de muitos jovens. Tal como hoje se conduz tablets e outros aplicativos para as escolas, era comum encontrar nas valises dos estudantes algumas revistas em quadrinhos, que muitos folheavam e mostravam aos amigos durante o recreio na escola.

 

 

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