Graça
Foster
Por Agência Brasil
Ex-presidente da Estatal diz que perdas da Petrobras no valor de R$ 88 bi
não foram causadas por corrupção em contratos.
Em depoimento na Comissão Parlamentar
de Inquérito (CPI) da Petrobras a ex-presidenta da empresa, Graça Foster, disse
que apesar dos mecanismos de controle de órgãos como o Tribunal de Contas da
União (TCU) terem melhorado a gestão da companhia, a corrupção na empresa só
foi descoberta pela polícia.
"Eu defendo os órgãos de
controle da Petrobras, mas o grande descobridor [da corrupção na empresa] foi a
Polícia Federal. Mas não posso negar que tanto o TCU [Tribunal de Contas da
União] quanto a CGU [Controladoria-Geral da União] colaboram com a nossa
gestão”, destacou Foster. Acrescentou que não foi a transparência da estatal ou
um auditor independente os responsáveis pela descoberta dos problemas. Ela
frisou que a corrupção na Petrobras foi apurada “pelas investigações da
polícia".
De acordo com Graça Foster, a
Operação Lava Jato trará "muitos aprendizados" para a empresa, mas
que, mesmo assim, a Petrobras tem superado as barreiras e que a estatal ficou
surpresa com a deflagração da Lava Jato.
"Essa operação atrasa nosso
balanço e isso dificulta o acesso ao mercado financeiro. Mas, em 2014, com toda
dificuldade batemos todos os recordes da Petrobras", ressaltou a
ex-presidente. Ela disse que o atual presidente da empresa, Aldenir Bendine,
está trabalhando para que a empresa apresente o balanço e "vire a
página".
Empregos - Foster, que se aposentou da Petrobras, falou sobre as denúncias
envolvendo a formação de cartel nas licitações para a realização de obras da
empresa, investigadas na Lava Jato. Segundo ela, "mesmo à distância",
ela percebe que a preocupação maior é com a manutenção dos empregos. “A
Operação Lava Jato levou a Petrobras a determinadas situações preventivas a
respeito de diversas empresas apontadas como parte de um cartel. Só isso já
impede, atualmente, a Petrobras continuar contratando-as”.
A ex-presidente da petrolífera
acrescentou que “o governo já está agindo para harmonizar essa situação”.
“Acredito numa situação em que o governo possa se harmonizar com essa situação,
para a manutenção de empregos no Brasil. Sou defensora do emprego dentro da
racionalidade. Temos condições de manter dentro da racionalidade, dentro da
competitividade", afirmou.
Ao ser questionada a respeito da taxa
de extração nas bacias do pré-sal, Foster disse que ficam em torno de 85%,
chegando a 100% em algumas bacias. "É a oportunidade real, devemos estar
de olho na economia para poder utilizar o melhor aproveitamento das
reservas". Ela defendeu as descobertas do pré-sal como sendo "grande
oportunidade" para o pais.
Balanço da empresa - Graça Foster considerou como “justo” o valor contábil de R$ 88 bilhões
referentes a perdas da Petrobras, conforme balanço da empresa apresentado ao
Conselho de Administração da Petrobras em janeiro último.
A ex-presidente da estatal negou,
porém, que esse valor corresponda a perdas com corrupção verificadas pela
Operação Lava Jato. “Esses R$ 88 bilhões representam o valor justo por conta de
uma série de ineficiências, até mesmo por causa de chuva e outros, não o número
da corrupção”, disse à CPI da Petrobras.
“Eu defendi na ocasião que o mercado
deveria ser informado deste valor, mesmo que a metodologia usada para fazer o
cálculo seja questionada”, disse Graça Foster. “A presidente Dilma Roussef
pediu para a senhora não divulgar este balanço?”, perguntou o deputado Onyx
Lorenzoni (DEM-RS). “Não, a presidente nunca me pediu isso”, ela respondeu.
A ex-presidente afirmou ainda que a compra de Pasadena "não foi um
bom negócio, olhando com olhar de hoje". Ela disse que, na época, a
operação de compra se justificava, mas isso acabou sendo um mau negócio em
razão da queda do preço do petróleo. “Eu esperava que em 2014 a refinaria desse
um resultado melhor, o que não aconteceu por causa da queda do preço do
petróleo”, disse.
Delação premiada - Na época não haviam sido divulgados os depoimentos dos processos de
delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, do doleiro
Alberto Youssef e do ex-gerente de Tecnologia Pedro Barusco.
Eles detalharam à Polícia Federal e à Justiça Federal um esquema de
pagamento de propina a diretores da Petrobras por empresas contratadas pela
estatal, mediante a intermediação de operadores financeiros. Esse dinheiro
também seria repassado a partidos políticos
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