Por Luciana Lima - iG Brasília
Sob pressão do PMDB com promessa de reduzir ministérios, Dilma criou 456
cargos do tipo desde o começo do governo; Lula criou 3.496 e FHC, 767.
A proposta de redução no número de
ministérios é a nova motivação da velha briga entre PT e PMDB dentro da base da
presidente Dilma Rousseff. Enquanto os peemedebistas apostam no discurso de
redução pela metade das pastas da Esplanada, alegando a necessidade de economia
dos gastos públicos, petistas acusam os integrantes do maior partido aliado de
traição e apontam a ideia como demagógica.
Com o corte de pastas, cairia também
o volume de cargos comissionados, os chamados cargos de confiança, que não
necessitam de concurso público para o ingresso, dependendo somente da indicação
política.
O governo federal fechou 2014 com um
saldo de 22.926 cargos comissionados. Os dados são do Boletim Estatístico de
Pessoal e Informações Organizacionais, elaborado pelo Ministério do
Planejamento.
Em seu primeiro mandato, Dilma
aumentou os cargos de confiança em 456, diante do patamar de 21.870, deixado
pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010, no final de seu segundo
mandato.
Lula havia herdado o governo de
Fernando Henrique Cardoso com 18.374 cargos de confiança e, ao longo de seus
oito anos, contratou 3.496 novos cargos. Ou seja, nos últimos 12 anos em que o
país foi governado pelo PT, foram criados 4.552 cargos comissionados.
Já FHC, contratou 767 novos cargos em
seis anos, de 1997, quando teve início a publicação do levantamento, até 2002.
Atualmente existem 39 ministérios, 18
a mais que FHC que fechou 2002 com 21 pastas no primeiro escalão, entre
ministérios e secretarias.
Briga - O PT acusa o PMDB de mirar nas pastas comandadas pelo partido da
presidente e de defender a redução depois de não ter conseguido que a
presidente cedesse os ministérios de “porteira fechada”, reinvindicação antiga
dos peemedebistas. Já o PMDB, embarca na proposta propagandeada pelo tucano
Aécio Neves durante a campanha no ano passado.
Nesta semana, a proposta de autoria
do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que limita o número de pastas
entrou na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, mas sua
admissibilidade não foi votada devido a uma manobra do PT, que pediu vistas do
projeto.
Na alegação dos petistas, há um vício
de origem na proposta, já que a Constituição Federal prevê que a criação ou
extinção de cargos é de competência exclusiva do Executivo. No entanto, na
briga entre os dois partidos, a questão legal acaba ficando em segundo plano. O
que o PT teme é que a proposta ganhe apoio popular que acabará sendo
capitalizado pelo PMDB.
Alerta - Outro ponto que irritou os petistas é que o número de pastas detalhadas
pelos peemedebistas é exatamente o que foi estimado por Aécio durante a
campanha no ano passado. O tucano e os peemedebistas alegam serem suficientes
20 ministérios.
Um petista chegou a alertar os
ministros do Planalto sobre a atuação conjunta entre o PMDB e Aécio, no
entanto, disse que os riscos de uma aliança do maior partido aliado com a
oposição, com vistas a 2018, acabou minimizado pelos ministros mais próximos da
presidente.
Em reservado, alguns deputados
petistas alegam não acharem normal que um aliado se aproveite da fragilidade do
governo neste momento para mostrar que como governaria o PMDB em caso de
impeachment da presidente.
Para os colegas de partido da
presidente, as ideias defendidas pelo PMDB e o comportamento do vice-presidente
Michel Temer; do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e do Senado, Renan
Calheiros (AL), acabam dando força às ideias de impeachment.
Entre as ações que preocupam os
petistas estão as conversas de Temer com Aécio, a aproximação do aliado com
partidos de oposição como o DEM, além das declarações feitas por Renan e Cunha
na última semana.
Renan, em evento na Confederação
Nacional da Industria, fez um trocadilho, “lançando” um novo programa do
governo de Dilma, o “Menos Ministérios”. Fomos a favor do Mais Médicos, agora
queremos o Menos Ministérios. Outra declaração de Renan que não agradou ao
Planalto foi em relação ao pacote fiscal. “Do jeito que está não passa”, disse
o presidente do Senado. Cunha, por sua vez, forçou a barra colocando a proposta
de redução do ministério para ser apreciada na CCJ.
Para driblar as ações do PMDB, alguns
petistas já fazem levantamentos de administrações do PMDB com o objetivo de
usá-las na argumentação. No caso do governo do Rio de Janeiro, por exemplo,
comandado por Luiz Fernando Pezão, existem hoje 26 secretarias e na Prefeitura,
comandada por Eduardo Paes, há 64 cargos de primeiro escalão relacionados no
Diário Oficial do município. O número é contestado pelo prefeito que alega que
penas 30 fazem parte do primeiro escalão da administração municipal.
Por meio de nota, o Ministério do Planejamento informou que
a comparação dos 18,3 mil cargos comissionados de 2002 com
os atuais 22,9 mil deve levar em consideração que, atualmente, 74% de
todos os cargos comissionados (DAS) são ocupados por servidores de
carreira, o que representa 16,9 mil. "A obrigatoriedade de um
percentual mínimo de servidores concursados passou a existir a partir de
2005, quando exigido que os cargos de níveis 1 a 3 fossem ocupados, no
mínimo, por 75% de servidores de carreira, e os de nível 4 por, no mínimo,
50%", ponderou a nota.
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