Lá para as bandas do sudeste, mais precisamente em
1985, havia uma cidade de nome Candelária, parte forte da economia do Estado Quinta
Manor, este fundado no dia 1 de março de 1565, embrião onde o povo resolveu
lutar por seus direitos reprimidos desde 31 de março de 1964. Boquinha da
noite, os líderes “Bola-de-Neve” e “Napoleão” resolveram tocar os sinos do
lugar chamando os iguais para uma reunião decisiva. Chegaram milhares.
E começaram fazendo tocar uma velha canção, conhecida e
difundida por “portas de travessas” (escondido – porque nada era permitido):
Pra
não dizer que não falei das flores
Caminhando e cantando e seguindo a
canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Entre os muitos presentes que atenderam o chamado, um
era Pedro Talarico, cearense que fugira da seca que arrasou o seu Estado, e
tangeu muita gente para o Sul Maravilha da época e que, naqueles dias, já
estava trabalhando como metalúrgico na CSN (Companhia Siderúrgica Nacional).
Trabalhava no regime de 24 por 24 e, coincidentemente, estava de folga naquele
dia. E, como dizem nos quartéis da vida, “soldado de folga no quartel”, quer
trabalho.
Pedro Talarico, para muitos era considerado um
energúmeno, um asno fugido do nordeste. Nos plantões da CSN era conhecido
apenas pelas iniciais do nome: PT. E, naqueles tempos, aquilo o enchia de brios
e o fazia imaginar que era igual ou melhor que muitos amigos do mesmo nível.
A convocação geral era para o fim do dia 10 de abril de
1984. Ninguém suportava mais os maus tratos recebidos na Grande Fazenda e as
ofensas e agressões praticadas pelos capatazes. Muitos sumiram, outros fugiram
e outros se esconderam em Paris, tirando onda de revolucionários que não
queriam “Ver a Banda Passar”.
Cansando de tanto lutar, e com
a saúde debilitada, o velho Major, reuniu os amigos mais chegados da fazenda –
entre os quais tinha lugar de destaque o Caudilho, homem nascido a 22 de
janeiro de 1922 no vilarejo Cruzinha que mais tarde seria parte de Carazinho. Engenheiro
civil de formação universitária - para compartilhar de um sonho: serem
governados por eles próprios, sem a submissão e exploração do homem. Major,
nascido em Itaqueri da Serra a 6 de outubro de 1916, casou com Ida mas, embora
doente, continuava lutando contra as injustiças, vindo a falecer num acidente
aéreo até hoje não explicado convenientemente.
Antes mesmo da morte de Major,
os astutos – e mais jovens – Bola-de-Neve e Napoleão, que faziam de Pedro
Talarico o que bem entendiam, levando-o a práticas condenáveis na tentativa de
criar uma sociedade de utopia, “pisando até no pescoço” de quem lhes
atravessasse o caminho. Não demorou muito, e Napoleão, seduzido e pensando
unicamente no poder, afastou Bola-de-Neve do seu caminho, estabelecendo uma
ditadura e um regime tão corrupto quanto a anterior da Grande Fazenda. PT
(Pedro Talarico) sem ação, asno batizado nas secas e depois nos movimentos
fajutos, apenas se ajoelhava.
Pedro Talarico (PT) mais
parecia um espantalho noturno programado para o “halloween” numa roça do
seretão nordestino.
Major (vulgo Casca Grossa)
faleceu anos depois, permitindo que tomassem a frente dos propósitos futuros,
os astutos Bola-de-Neve e Napoleão, que passaram a se reunir clandestinamente, a
fim de traçar as estratégias para a chegada ao poder.
Sob o comando dos inteligentes
e letrados, PT entendeu que seria fácil ganhar a preferência na Quinta Manor, e
criaram os Sete Mandamentos, que, a princípio, ganhava a seguinte forma:
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1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas e
não conduza uma estrela no peito, é inimigo;
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas e pense igualzinho ao outro, é amigo; 3. Nenhum amigo usará roupas sem a estrela vermelha; 4. Nenhum amigo dormirá ao relento; 5. Nenhum amigo viverá sem beber álcool;
6. Nenhum amigo criticará outro amigo de
vermelho;
7. Todos os amigos jurarão inocência e nunca saberão de nada. |
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Para os menos inteligentes, foram
resumidos os mandamentos apenas na máxima "Quatro pernas bom, duas pernas
ruim" que passou a ser repetido constantemente pelos beneficiários dos
programas ditos sociais, mas que foram criados com o objetivo de garantir a
alfafa do dia de cada um e, de quatro em quatro anos, o “reconhecimento”.
Após a primeira invasão dos
humanos, na tentativa frustrada de retomar o comando, Bola-de-Neve lutou
bravamente, dedicando todo o seu tempo ao aprimoramento da fazenda e da
qualidade de vida de todos, mas, mesmo assim, Napoleão o expulsou do
território, alegando sérias acusações contra o antigo companheiro.
Algum tempo depois, os beneficiários
dos programas sociais começam a modificar os mandamentos lidos em voz alta por
Pedro Talarico (PT):
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4. Nenhum amigo dormirá em cama com lençóis;
5. Nenhum vermelho beberá álcool em excesso; 6. Nenhum de estrela no peito matará outro sem motivo; 7. Todos os amigos de estrela no peito são iguais mas alguns são mais iguais que os outros. |
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O hino da Revolução foi
banido, já que a sociedade ideal descrita, segundo Napoleão, já teria sido
atingida sob o seu comando. Napoleão é declarado Deus por unanimidade.
Napoleão, os outros da vizinhança celebraram, em conjunto, a produtividade da
Grande Fazenda. Enquanto isso, os outros trabalhavam arduamente em troca de
míseras rações. O que se assiste é um arremedo grotesco da sociedade antiga, e
alguns começam a pedir a volta daquele regime detestado por quem o enfrentou e
sofreu.
O slogan fora modificado
ligeiramente, “Quatro pernas bom, duas pernas melhor!” No final, ao
olhar para o pré-sal e de onde todos vivem em considerável luxo, com contas nos
paraísos fiscais em detrimento dos demais, ainda olham Napoleão e outros jogando
carteado com Maduro e Raúl, senhores das paragens vizinhas, e celebrando a
prosperidade econômica que seus acordos proporcionaram.
Surge a cascavel – Ssshhhhiiiiiiiiis faz o guizo do rabo da
cascavel!
Quatro anos se passaram rápido. Surgem novos
interessados na Grande Fazenda e os disse-me-disse recrudesceram. Um avião cai
misteriosamente, tal qual acontecera com Major. Era um empecilho a mais. Uma
pedra no caminho. O sibilar da cascavel se torna mais forte – e as mentiras se
espalham como erva daninha.
Matematicamente pensado começa o planejamento para
2018. Napoleão resolveu ir à guerra, pois quer retomar a capatazia da Grande
Fazenda. A meta, nos próximos anos é matar a cascavel e mostrar o pau.
E viva Napoleão na guerra
que sacrificou Pedro Talarico (PT) sem qualquer remorso – antes já foi dito que
Napoleão, na guerra, pisaria até no pescoço da mãe.
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