Vai ficar para depois, para depois de
2030, isso mesmo, para daqui a 15 anos, a possibilidade da refinaria de
petróleo Premium II, no Ceará, voltar a entrar nos planos de negócios da
Petrobras. A informação foi repassada na tarde de ontem, pelo deputado federal
cearense Francisco Gomes de Matos, após participação do gerente-executivo de
programas de investimento da área de Abastecimento da Petrobras, Wilson
Guilherme Ramalho da Silva, na Comissão Externa da Câmara dos Deputados, que
acompanha os impactos dessa decisão da Petrobras, na economia do Estado.
Em seu depoimento, Ramalho da Silva
disse "sentir pesar", pelo fato da Petrobras ter desistido do
empreendimento no Ceará e da refinaria Premium I, no Maranhão. Ele declarou
também que a Estatal vai "devolver" os bens disponibilizados ou
doados pelos dois Estados para viabilizar os empreendimentos.
"Quanto às duas refinarias, os
próximos passos serão devolver os terrenos para os governos estaduais e tomar
todas as medidas para encerrar os projetos. Mas isso não significa que tenhamos
encerrado os investimentos em refino no Brasil. A Petrobras continuará
avaliando oportunidades no setor", disse o gerente.
De acordo com ele, a ideia para a
construção das refinarias começou ainda em 2006 e o desenvolvimento do projeto
foi aprovado em junho de 2007. "No começo se configurava como apenas uma
refinaria. Mas em junho de 2008 se decidiu pela construção de um segundo
empreendimento. Posteriormente, os projetos de ambas as refinarias ganharam
novos trens de refino com o objetivo de haver ganhos de escala com a maior
capacidade", explicou.
Ainda segundo Silva, a desistência da
Petrobras pelas duas usinas de refino teria ocorrido por falta de condições de
financiamento da companhia e pela dificuldade de obtenção de um parceiro para
os projetos. Os cancelamentos foram feitos em janeiro último, sem aviso prévio
e após vários anos de investimentos do governo do Estado do Ceará em obras de
infraestrutura, que representaram gastos da ordem de R$ 657 milhões aos cofres
do contribuinte cearense.
Uso político - Para Gomes de Matos, a desistência não se
justifica, já que o Brasil até 2009 fora exportador de 43 mil barris de
gasolina, por dia, e hoje, já importa 37 mil barris/dia do combustível, além de
194 mil barris/dia de óleo diesel. "Isso é uma movimentação diária de R$
13 milhões", contabiliza, ao cobrar da Petrobras a análise técnica
conjuntural que teria justificados os projetos, à época, e os novos estudos da
petrolífera que demonstraram a inviabilidade do empreendimento.
Gomes de Matos disse ainda que o
próximo passo da Comissão será ouvir o ex-governador Cid Gomes e o presidente
da Adece, para saber porque o Estado fez investimentos em um empreendimento
que, para ele não passou de moeda de campanha eleitoral para os presidentes
Lula e Dilma Rousseff.
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