Elkeson
Arthur Carvalho,
especial para a GE.net São Paulo (SP)
A transferência para o
futebol chinês no final de 2012 surgiu como oportunidade para Elkeson após bons
meses no meio-campo do Botafogo. Sacramentada em altos valores, a aposta do
Guangzhou Evergrande provou-se certeira logo na primeira temporada. Assumindo a
camisa 9, ele assumiu protagonismo em pouco tempo, acumulando gols pela equipe
que dominaria a China sob sua liderança.
A estreia foi discreta contra o Jiangsu
Guoxin-Sainty, mas o show daí em diante compensou e muito. Elkeson deixou sua
marca em cada um dos sete jogos seguintes, anotando os primeiros de seus 70
gols com a camisa vermelha. Número tão expressivo em 82 jogos que rende dois
títulos e duas artilharias do Campeonato Chinês.
O ápice até aqui foi o título da Liga dos Campeões
da Ásia em 2013. Marcando nas duas finais, ele foi o principal jogador do
Evergrande, que no mês seguinte chegaria ao quarto lugar do Mundial de Clubes.
Os objetivos neste ano não poderiam ser diferentes: a equipe estreou na
Champions League asiática com vitória sobre o sul-coreano Seoul e debuta no
Chinês com status de favorito no próximo dia 9. O sucesso no Oriente é tão
grande que Elkeson mira a Europa e sonha com a Seleção Brasileira.
Gazeta Esportiva.Net: Como você explica a sequência
de títulos do Evergrande? Qual é o diferencial da equipe?
Elkeson: O diferencial é a
organização e o planejamento do clube. Todo ano fazem investimentos, contratam
os melhores jogadores do país e buscam bons jogadores estrangeiros. O Guangzhou
é um clube novo e que está sempre entre os melhores, conquistando títulos. É
muito bom fazer parte de um clube assim.
Você marcou 70 gols em 80 jogos desde que chegou à
China. O que te levou a conseguir números tão expressivos em apenas dois anos?
Fico muito feliz em ter marcado tantos gols em
poucos jogos. Dedico-me diariamente aos treinamentos, observo muito os
atacantes europeus e brasileiros que eu tenho como referência e contei com a
orientação do Marcelo Lippi (treinador) desde a minha chegada. Por esses
fatores, acho que pude me adaptar rapidamente ao futebol chinês e chegar a
esses números.
Quais foram as diferenças entre ser treinado por
Marcelo Lippi e, agora, por Cannavaro?
Uma das melhores coisas que aconteceu na minha
carreira foi ser treinado pelo Lippi. Foi ele quem me trouxe para o Guangzhou e
que apostou em mim. Sou muito grato a ele. Juntos, conquistamos o único título
que ele não tinha conquistado aqui: a Champions League da Ásia.
Aprendi muito com ele nos dois anos em que
trabalhamos juntos. Tenho certeza que o Cannavaro será um grande treinador,
assim como foi jogador. Ele está dando continuidade ao trabalho do Lippi e, com
certeza, vamos conquistar muitos títulos sob seu comando.
(Nota da Redação: Elkeson respondeu à pergunta
antes de Fabio Cannavaro ser condenado a
dez meses de prisão pela
Justiça italiana. Ele invadiu a própria casa, que estava lacrada pela polícia.)
Dentro de campo, quais são as
diferenças entre o futebol brasileiro e o chinês? Como foi sua adaptação?
O futebol chinês é mais rápido, veloz, mais pegado.
O brasileiro é mais cadenciado, com muitos jogadores técnicos. Hoje o futebol
chinês está mudando para melhor com a chegada de jogadores e treinadores
estrangeiros. Desde quando cheguei, já houve uma evolução. A tendência é
crescer ainda mais. Minha adaptação foi rápida. Além da ajuda do Lippi, o
Muriqui e o Conca me ajudaram bastante.
O senso comum diz que o futebol asiático está “fora
do radar”. Você pensa assim? O que te motiva a permanecer na China?
O futebol chinês está crescendo muito. O campeonato
não é transmitido para o Brasil, mas em alguns países europeus já é possível
acompanhar os jogos. A tendência é crescer cada vez mais com a quantidade de
jogadores estrangeiros vindo jogar aqui.
Como é o relacionamento com o torcedor chinês? É
mais tranquilo do que no Brasil ou também existe pressão?
O torcedor chinês é mais tranquilo do que o
brasileiro. São muito respeitosos e sempre comparecem em bom número ao estádio
para apoiar o time. É uma cultura diferente. Mas quando nos encontram na rua
tiram muitas fotos, querem abraçar... É bem legal.
Você precisou adotar algum costume do país? De
alguma forma o regime do governo influencia seu dia a dia?
Fora de campo tive que mudar algumas coisas. Sempre
assistia aos canais esportivos no Brasil e aqui não consigo por causa da
língua. As redes sociais também são bloqueadas. Fora isso, tudo foi tranquilo.
Você se vê pronto para defender a Seleção Brasileira
ou entende que, para isso, precisaria jogar no futebol europeu?
Chegar na Seleção Brasileira não é fácil. Acredito
que todos os brasileiros estão sendo observados pelo Dunga, independentemente
de onde esteja jogando. A concorrência é enorme, mas vou continuar fazendo o
meu trabalho para que esse momento chegue.
Quanto ao seu planejamento de carreira, qual o
próximo passo depois da China?
Quero ficar na China por mais alguns anos. O clube
e eu estamos conversando sobre a renovação desde o ano passado, mas ainda não
chegamos a um acordo. Tenho o sonho de jogar no futebol europeu, quem sabe
depois da China isso aconteça.
Tem recebido propostas de clubes brasileiros
recentemente? Quais?
Recebi algumas sondagens de times brasileiros, mas
nada concreto. Meu pensamento é fazer minha carreira fora do país. É difícil, a
saudade da família é grande, mas dá para suportar mais alguns anos.
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