Deputado
Reginaldo Lopes foi eleito presidente da comissão. Deputada Rosangela Gomes é a
relatora.
A Câmara dos Deputados instalou nesta
quinta-feira (26) uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o
que motiva e quais os custos econômicos e sociais do aumento de mortes e desaparecimentos
de jovens negros.
Os homicídios são hoje a principal
causa da mortalidade de jovens entre 15 e 24 anos no Brasil e atingem, em
especial, negros do sexo masculino, moradores das periferias e áreas
metropolitanas, segundo o Mapa da Violência de 2014.
O estudo também aponta para um novo
padrão da mortalidade juvenil: epidemias e doenças infecciosas foram
substituídas, ao longo das últimas seis décadas, por acidentes de trânsito e
homicídios.
Crime organizado - A CPI da Morte e Desaparecimento de Jovens Negros
será presidida pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Ele disse que a comissão
vai investigar as estratégias usadas pelo tráfico, por grupos paramilitares e
pelas milícias. Segundo ele, é preciso desmontar o crime organizado para evitar
mais chacinas.
"Eu espero que essa CPI dê conta
de investigar o passado, escrever e exigir punições e, ao mesmo tempo, apontar
para um novo Brasil do século 21", disse Lopes.
Maioridade penal - Reginaldo Lopes é contra a Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. O
deputado acredita que o problema da violência no País não é o tamanho da pena,
mas o tamanho da impunidade.
"Como pode o Estado, que não fez
o seu dever de casa, ter autoridade para reduzir a maioridade penal?”,
questionou. “Isso tem de ser debatido, e eu acho que essa comissão tem de
dialogar com quem acha que uma proposta que não educa, apenas pune, resolve o
problema”, afirmou Lopes.
Composição - O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) será o 1º
vice-presidente da CPI; a deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO) será a 2ª
vice-presidente; e o deputado Wilson Filho (PTB-PB), o 3º vice-presidente. A
relatoria caberá à deputada Rosangela Gomes (PRB-RJ).
A CPI da Morte e Desaparecimento de
Jovens Negros é formada por 22 deputados, entre titulares e suplentes, e terá
prazo de seis meses para concluir os trabalhos.
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