A edição da medida provisória que
estende até 2019 a atual política de valorização do salário mínimo repercutiu
no Plenário da Câmara dos Deputados. A MP foi assinada nesta terça-feira pela
presidente Dilma Rousseff e deve chegar ao Congresso nos próximos dias. A
polêmica está no fato de a Câmara já ter aprovado um projeto semelhante (PL 7469/14), faltando
apenas a análise de destaques para ampliar o reajuste para aposentados.
Para a oposição, a MP é uma
estratégia do governo para impedir uma derrota no Plenário da Câmara. “Faltava
apenas votar os destaques”, protestou o líder do PPS, deputado Rubens Bueno
(PR). O líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), disse que a presidente quis
retirar o poder de decisão do Congresso. “O único propósito é desmoralizar o
Congresso e passar por cima dos aposentados, que estavam esperançosos”,
denunciou.
Alvo de críticas por ter retirado de
pauta o projeto em tramitação na Câmara, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha,
esclareceu que a retirada teve apoio da maioria dos líderes e que as emendas
poderão ser apresentadas à medida provisória. A vantagem da MP, segundo ele, é
que o reajuste passa a valer a partir de agora.
“As emendas poderão ser apresentadas,
mas a MP tem vigência imediata para permitir que o texto do deputado Paulo
Pereira da Silva [PL 7469/14] esteja em vigor antes do Dia do Trabalho e seja
levado em consideração na elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias”,
explicou.
Acordo com o governo - O líder do governo, deputado José Guimarães
(PT-CE), disse que a medida provisória é fruto de um acordo e não há tentativa
de atropelar o Congresso. “A medida provisória tem efeito imediato a partir da
publicação, vai permitir aos trabalhadores terem conhecimento da política de
valorização do salário mínimo antes do Dia do Trabalhador”, disse.
Guimarães afirmou ainda que o governo
agiu provocado pelo Congresso, já que tinha até o final do ano para tratar do
assunto.
A líder do PCdoB, deputada Jandira
Feghali (RJ), também rebateu as críticas da oposição. “Não tem razão nenhuma
para achar que a MP usurpa protagonismo do Congresso porque ela será votada aqui”,
disse a líder. Ela destacou ainda que a política de valorização do salário
mínimo é um grande instrumento de distribuição de renda.
Assim como o texto-base do projeto
aprovado pela Câmara, a MP prorroga até 2019 o atual modelo de reajuste do
salário mínimo. O aumento é calculado com base na correção da inflação, medida
pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior, mais a variação do
Produto Interno Bruto (PIB)
de dois anos anteriores.
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