Letícia
Thompson
A gravidez de um pai não se dá nas
entranhas, mas fora delas.
Ela se dá primeiro no coração, onde o
sentimento de paternidade é gerado. Um desejo de ser e de se ver prolongado em
outra vida, que seja parte de si mesmo, mas com vida própria. Imagino que deve
ser frustrante a princípio. Durante toda a espera, um pai é um pai sem
experimentar o gosto de ser, sem os inconvenientes de uma gravidez, mas também
sem as lindas emoções que tanto mexem com a gente.
E quando ele sente pela primeira vez
a vida que ajudou a gerar, tudo toma outra forma. Ele sente um chute e se diz
já que este será um grande jogador de futebol. E muitas vezes se surpreende e
se maravilha quando vê uma princesinha que sabe chutar tão bem. Mas tanto faz.
Está ali um sonho que se torna palpável.
E um parto de um pai se dá
quando ele pega pela primeira vez sua criança nos braços, quando ele se vê em
características naquele serzinho tão miudinho que nem se dá conta ainda que
veio ao mundo e que se tornou o mundo de alguém. E os sentimentos e emoções se
atropelam dentro dele. E ele sente que, a partir desse instante, a vida nunca
mais será a mesma. E ele precisa olhar dez, cem,
mil vezes para acreditar que tudo não
passa de um sonho. E geralmente há um enorme sentimento de orgulho que toma
posse dele.
Assim se forma um pai. Pronto para
ensinar tudo o que aprendeu da vida, um dia ele descobre que não sabe realmente
muito, que na verdade aprende a cada instante. Diante da sua criança ele se
torna um adulto vulnerável e acessível. E vai gerando, pouquinho a pouquinho,
dentro de si mesmo, a arte de se tornar um pai.
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