Por Luciana Lima e Marcel Frota - iG Brasília
A morte
do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos
e as expectativas em
torno da possível indicação da ex-senadora Marina Silva como
candidata ao Planalto acenderam o sinal amarelo nas campanhas do PT e do PSDB.
A ordem nos dois partidos é aguardar uma decisão concreta do PSB sobre a chapa
presidencial. Mas petistas e tucanos admitem que estariam dadas as condições
para uma reviravolta na cena eleitoral. Uma preocupação comum é de que o clima
de comoção com a morte do socialista dê um impulso ao projeto de uma terceira
via, que até então era dado como superado pelas duas campanhas.
Entre aliados de Dilma, a expectativa
é de que a negociação sobre o destino de Marina seja dura e acirre os ânimos
entre socialistas e integrantes da Rede Sustentabilidade. A mesma impressão
apareceu nas rodas tucanas, embora os dois lados já considerem praticamente
certa a indicação de Marina.
Tanto o time petista quanto o tucano entendem que a eventual entrada da
ex-verde na disputa põe em risco a polarização que desejavam na corrida
eleitoral. Marina, diz um líder do PSDB, tem chances maiores de atrair o
eleitorado jovem e capitalizar o sentimento de mudança identificado nas
principais pesquisas de opinião. Além disso, acrescenta, ela tem a vantagem de
dialogar bem com o eleitorado evangélico, podendo diminuir o potencial de crescimento do candidato do PSC, Pastor Everaldo.
As duas campanhas entendem também que
Marina seria uma adversária bem mais dura do que Campos contra o PT e o PSDB.
Por ter rompido com a gestão petista em 2009, ela teria mais legitimidade para
se opor a Dilma e a criticar o governo dela. Campos fez parte do governo Dilma
até o final de 2013. Já em relação a Aécio, Marina teria condições de investir
de maneira mais incisiva no discurso contrário à “velha política”, atacando,
por exemplo, episódios como o da construção do aeroporto de Cláudio (MG), em terras que
pertenceram à família do tucano.
Petistas e tucanos entendem que Marina havia entrado na corrida
eleitoral bem menor que em 2010, quando recebeu 19.636.359 de votos. Há no
tucanato quem arrisque dizer que ela pode até mesmo aparecer na casa dos 15% já
na próxima pesquisa de opinião. Isso sem contar que Marina entraria na corrida
já como uma liderança nacional consolidada, sem a necessidade de lutar contra o
alto grau de desconhecimento, como ocorria com Campos.
Reorganização - Na quarta-feira (13), integrantes da campanha de Dilma conversaram
informalmente sobre os desdobramentos da morte de Campos. Como o coordenador
Rui Falcão estava em Fortaleza e planejava seguir diretamente para o Recife, a
tendência é que uma reunião formal sobre os próximos passos da campanha seja
realizada.
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