quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Para PT e PSDB, clima de comoção pode impulsionar Marina Silva

 
Por Luciana Lima e Marcel Frota - iG Brasília
 

A morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e as expectativas em torno da possível indicação da ex-senadora Marina Silva como candidata ao Planalto acenderam o sinal amarelo nas campanhas do PT e do PSDB. A ordem nos dois partidos é aguardar uma decisão concreta do PSB sobre a chapa presidencial. Mas petistas e tucanos admitem que estariam dadas as condições para uma reviravolta na cena eleitoral. Uma preocupação comum é de que o clima de comoção com a morte do socialista dê um impulso ao projeto de uma terceira via, que até então era dado como superado pelas duas campanhas.

Entre aliados de Dilma, a expectativa é de que a negociação sobre o destino de Marina seja dura e acirre os ânimos entre socialistas e integrantes da Rede Sustentabilidade. A mesma impressão apareceu nas rodas tucanas, embora os dois lados já considerem praticamente certa a indicação de Marina.

Tanto o time petista quanto o tucano entendem que a eventual entrada da ex-verde na disputa põe em risco a polarização que desejavam na corrida eleitoral. Marina, diz um líder do PSDB, tem chances maiores de atrair o eleitorado jovem e capitalizar o sentimento de mudança identificado nas principais pesquisas de opinião. Além disso, acrescenta, ela tem a vantagem de dialogar bem com o eleitorado evangélico, podendo diminuir o potencial de crescimento do candidato do PSC, Pastor Everaldo.

As duas campanhas entendem também que Marina seria uma adversária bem mais dura do que Campos contra o PT e o PSDB. Por ter rompido com a gestão petista em 2009, ela teria mais legitimidade para se opor a Dilma e a criticar o governo dela. Campos fez parte do governo Dilma até o final de 2013. Já em relação a Aécio, Marina teria condições de investir de maneira mais incisiva no discurso contrário à “velha política”, atacando, por exemplo, episódios como o da construção do aeroporto de Cláudio (MG), em terras que pertenceram à família do tucano.

Petistas e tucanos entendem que Marina havia entrado na corrida eleitoral bem menor que em 2010, quando recebeu 19.636.359 de votos. Há no tucanato quem arrisque dizer que ela pode até mesmo aparecer na casa dos 15% já na próxima pesquisa de opinião. Isso sem contar que Marina entraria na corrida já como uma liderança nacional consolidada, sem a necessidade de lutar contra o alto grau de desconhecimento, como ocorria com Campos.

Reorganização - Na quarta-feira (13), integrantes da campanha de Dilma conversaram informalmente sobre os desdobramentos da morte de Campos. Como o coordenador Rui Falcão estava em Fortaleza e planejava seguir diretamente para o Recife, a tendência é que uma reunião formal sobre os próximos passos da campanha seja realizada.

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