André Moura/PSC-SE
Texto
do relator também prevê diminuição de impostos sobre armas e novo prazo de
contratos de energia elétrica entre geradoras e grandes empresas.
O relatório da Medida Provisória
649/14, apresentado pelo deputado André Moura (PSC-SE) no início de agosto,
pretende ampliar até 2018 o prazo para as cidades acabarem com os seus lixões.
A data limite encerrou-se em 2 de agosto deste ano, sem que a maioria dos
municípios tenha instalado aterros sanitários para a destinação adequada dos
resíduos sólidos.
Além desse tema, a diminuição de
impostos sobre armas e mudanças na legislação de energia elétrica são outros
pontos incluídos pelo deputado no relatório, que poderá ser votado pela
comissão mista que analisa a MP durante o esforço concentrado dos dias 2 e 3 de
setembro.
O aumento do prazo para o fim dos
lixões é reivindicação
de vários prefeitos, que temem a
aplicação de multas previstas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10).
André Moura diz que os prazos
precisam ser ampliados diante da “omissão” do governo federal quanto ao apoio
técnico e financeiro aos estados e municípios. “Certamente contribuiu para os
atrasos até aqui verificados”, afirma.
O relatório também garante a estados
e municípios o prazo de dois anos, até 2016, para elaborar os planos estaduais
e municipais de resíduos sólidos. O prazo venceu em 2012.
Esses planos são requisitos para que
estados e municípios recebam dinheiro do governo federal para investir no
setor. André Moura ressalta que estados e municípios que não concluíram os
trabalhos deixaram de receber dinheiro para investir na gestão de resíduos
sólidos e, por isso, precisam desse prazo adicional.
Nota fiscal - O texto
original da medida provisória impede a
punição de empresas que ainda não colocam nas notas fiscais a estimativa do
valor dos tributos pagos (Lei 12.741/12). Pela MP, a fiscalização terá apenas o papel de
orientar os vendedores até o dia 31 de dezembro de 2014, sem a aplicação de
multa e de outras sanções.
André Moura quer ampliar esse prazo.
Ele propõe que a fiscalização seja orientadora durante dois anos contados da
publicação, pelo Executivo, de um regulamento que especifique a forma de
calcular os tributos que deverão constar na nota fiscal. As punições poderão
ser adiadas até junho de 2016 se o Decreto 8.264/14, editado pelo governo junto com a MP 649, for
considerado o regulamento adequado.
Esta é a segunda vez que o prazo para
aplicação das punições é adiado. Na redação original da lei, esse prazo era 10
de junho do ano passado. Na época, porém, o governo acolheu pedidos de
adiamento dos empresários, que queriam mais tempo para colocar a medida em
prática.
Armas - O relatório também isenta do Imposto de Produtos
Industrializados (IPI)
as armas compradas por policiais e militares diretamente da indústria para uso
pessoal. A regra vale para revólveres, pistolas, espingardas, cartuchos,
cassetetes, bombas e outras armas.
Para as pessoas autorizadas pelo
Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03), o IPI sobre armas será reduzido para 20%. A
alíquota de IPI da maioria dessas armas é de 45% atualmente.
Segundo Moura, o alto custo dos
equipamentos impede que militares e policiais comprem as armas, em prejuízo da
sociedade, “que deixa de contar com a proteção de servidores mais seguros e bem
treinados”.
Contratos de energia - Outro ponto incluído no relatório pelo deputado
trata da renovação, até 2042, de contratos de energia elétrica entre geradoras
e grandes empresas. É o caso de grandes empresas instaladas no Nordeste que
hoje compram energia direto da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf)
por um preço muito menor do que o praticado pelo mercado. Esses contratos
acabariam em junho de 2015 pela lei vigente.
A renovação chegou a ser incluída no
relatório da MP 641/14, que não foi votada a tempo pelo Congresso e
acabou perdendo a validade no final de julho.
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