quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Bolívia Querida – muitos erros e poucos acertos

 


Castelão (São Luís) recebendo público excelente em jogo do Sampaio Corrêa.

“O governo, qualquer governo, faz mal à imprensa. A imprensa, toda a imprensa, faz bem ao governo – principalmente quando critica. Governo não precisa do ‘sim’ da imprensa. Governo evolui com o ‘não’ da imprensa. A proximidade da imprensa com o governo abafa, distorce  o jornalismo. A distância entre governo e imprensa é conveniente para ambos, útil para a sociedade e saudável para a verdade. Jornalismo é tudo aquilo de que o governo não gosta. Tudo aquilo de que o governo gosta é propaganda. A imprensa, numa definição mais simples, deve ser o fiscal do poder e a voz do povo. Com o estrito cuidado para não inverter essa equação.” (Luiz Cláudio Cunha – Jornalista gaúcho)

Cambaleante por desmandos e incompetência de gestões nos clubes e na Federação, o futebol maranhense parecia “querer mudar” nos três últimos anos. Isso ainda não tomou corpo, haja vista que as ações – nos clubes e na Federação – continuam visivelmente amadoras.

São pessoas que deixam seus afazeres e, imaginando que são especialistas em futebol, pelo fato de olharem jogos ou de estarem ligados a ele de alguma forma. Uma asneira sem tamanho – e, infelizmente, prejudicial ao segmento.

No caso específico da Federação, é necessário que, ali, alguém entenda o que é realmente “futebol profissional”. Em futebol profissional, quem pretende administrar, não pode deixar de blindar times (nesse caso, nenhum realmente é um clube) tradicionais como Moto Club, Maranhão e Sampaio Corrêa, a guisa mentirosa de obedecer regulamento previamente estabelecido, em detrimento de Sabiá, Expressinho, Viana ou Itapecuruense. Isso é “amadorismo”! Quantas vezes já caíram no futebol baiano o Bahia ou o Vitória; no cearense, o Ceará ou o Fortaleza; no gaúcho, o Grêmio ou o Internacional?

No caso dos clubes, o foco é a indigesta e dúbia participação do Sampaio Corrêa como representante maranhense no Campeonato Brasileiro da Série B. Por méritos, reconheçamos.

Todos estão cansados de saber que, aqueles que fazem parte da “Imprensa anilhada” – e isso não nos interessa nem um pouco, haja vista que cada um cuida de seus interesses, desde que também responda por eles – sempre disseram que, “quem manda no Sampaio Corrêa é o Presidente”!

Estranhamente – e isso é comprometedor – quando há necessidade de responsabilizar alguém pelos insucessos, esses mesmos anilhados mudam o foco e procuram outros responsáveis. É estranho, que ninguém consiga dizer que, também nessas situações, “o único responsável é o Presidente, que é quem manda e desmanda”.

Entretanto, vejamos a situação por outro ângulo. Vejamos os números.

De acordo com a tabela, os clubes que disputam a Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol, são 20. O Regulamento da competição garante, todos os anos, o acesso de 4, vindos do Campeonato Brasileiro da Série C, e, o descenso de quatro para a Série C. Garante, também, a inclusão de mais 4, vindos do descenso do Campeonato Brasileiro da Série A, como garante também o acesso dos quatro primeiros colocados para a mesma Série A.

Esses clubes disputam 38 jogos, sendo garantidos 19 mandos (jogos em casa – ou aonde indicar) e mais 19 disputados fora de casa (com mando do adversário). O campeonato é disputado em duas fases, sem intervalo – extraordinariamente, neste ano de 2014, houve um intervalo em virtude das disputas da Copa do Mundo promovida pela FIFA. 

Cada clube disputa 114 pontos, sendo 57 na primeira etapa, e 57 na segunda – mas todos disputam esses mesmos 57 pontos em casa e mais 57 fora de casa. Dificilmente, quem ganha os 57 pontos disputados em casa é rebaixado. E, são os tropeços em casa que levam o clube ao descenso, embora, apenas psicologicamente, os pontos recuperados fora de casa surtam efeito.

Essa competição exige dos clubes, principalmente, organização e planejamento. Num país de dimensões continentais como o Brasil, um clube pode disputar um jogo no sábado no Mato Grosso, viajar de volta para São Luís enfrentando as dificuldades que conhecemos, jogar em São Luís na terça-feira e viajar para jogar na sexta-feira em Santa Catarina, voltando a enfrentar outros tipos de dificuldades. Quem não se planejar a partir da logística das viagens e não tiver um elenco onde os que não entram em campo tenham o mesmo nível técnico daqueles que jogam – para o caso das punições e contusões – será forte candidato a descer ou, no máximo, ser premiado a permanecer na disputa da mesma série.

Nesta primeira parte da competição, o Sampaio Corrêa, nosso glorioso representante, já jogou 17 vezes. Fez 9 jogos em casa (fará mais um, o décimo). Disputou 51 pontos e, desses, ganhou apenas 24. Dos 27 pontos disputados em casa, ganhou apenas  14. Perdeu quase 50% dos pontos disputados em casa.

Em contrapartida, dos 24 pontos disputados fora de casa, ganhou 10.  É algo que pode ser considerado bom, se for levado em conta que, qualquer ponto conquistado fora de casa, é bom. O normal, seria perder os 24.  Se for levado em consideração que “ganhou” 10 pontos fora de casa, o prejuízo dos 13 pontos perdido em casa fica minimizado.

Até aqui, o Sampaio Corrêa conquistou 6 vitórias, 3 fora de casa; conquistou 6 empates, 1 fora de casa e 5 em casa – e isso não é nada bom; e sofreu 5 derrotas, apenas 1 em casa, para o Paraná, na estreia n o campeonato.

Marcou 25 gols e sofreu 19, tendo um saldo positivo de 6. O que não é positivo nisso, é que o seu principal artilheiro é um homem que jogar no meio-campo (Eloir), que marcou até agora 6 gols.

No próximo sábado o Sampaio Corrêa enfrenta o Atlético de Goiás, fora de casa. A grande surpresa será uma vitória. Se perder não será o fim do mundo, mas já será bom se projetar conquistar um empate, e conseguir. O pior pode acontecer nos dois próximos jogos. No último jogo da primeira fase, quando enfrenta o América/MG no Castelão e, com certeza não vencerá. O verde mineiro é um dos quatro primeiros colocados, tem um ataque onde se destacam Obina e Mancini e o comando técnico do jovem Moacir Júnior. No primeiro jogo da segunda fase, o Sampaio Corrêa enfrenta o Paraná, em Curitiba, para quem perdeu na estreia em São Luís.

E aí começará a preocupação com a matemática. Perder pontos em casa, na próxima fase, será fatal. O representante maranhense enfrentará em casa: Icasa, ABC, Vasco da Gama, Portuguesa, Náutico, Bragantino, Joinville, Boa Esporte e Atlético/GO. Desses 27 pontos disputados em casa, acreditamos que o Sampaio Corrêa tem muitas chances de conquistar 9, quando enfrentar o Icasa, a Portuguesa e o Bragantino. Dos 18 restantes, qualquer empate será muito bom.

MORAL DA HISTÓRIA – Se o Sampaio Corrêa fez planejamento, com certeza vamos torcer para que faça efeito a partir dessa segunda fase. O time está correndo o risco de perder o Treinador (alguém duvida que isso aconteça, se perder o jogo de sábado e diante do América/MG?), perdeu o zagueiro Paulo Sérgio e terá dificuldades para encontrar um substituto a altura.

Quem faz “planejamento” não dispensa Treinador, principalmente se ele estiver acertando. Não muda Diretor de Futebol – pois esse nunca vai mandar nada mesmo! – e tampouco fica tentando justificar seus erros responsabilizando a Imprensa por eles.

Repetimos: a maior bobagem e demonstração de falta de planejamento, é tentar ascender para a Série A, pois o Sampaio Corrêa não tem estrutura, direção, elenco e apoio financeiro para isso. O correto é lutar com unhas e dentes para permanecer na Série B por pelo menos três anos, montar uma boa estrutura, pagar as dívidas e minimizar as despesas com contratações, trabalhando a base com qualidade e profissionalismo.

Aproveitar as excelentes arrecadações (como fazem Ceará, ABC e Atlético/GO) e canalizar bem as cotas recebidas do televisionamento, além do apoio logístico da CBF para a Arbitragem, as viagens e a hospedagem.

Tudo isso, se nada mudar após o dia 5 de outubro.

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