Castelão (São Luís) recebendo público excelente em jogo
do Sampaio Corrêa.
“O governo,
qualquer governo, faz mal à imprensa. A imprensa, toda a imprensa, faz bem ao
governo – principalmente quando critica. Governo não precisa do ‘sim’ da imprensa.
Governo evolui com o ‘não’ da imprensa. A proximidade da imprensa com o governo
abafa, distorce o jornalismo. A distância entre governo e imprensa é
conveniente para ambos, útil para a sociedade e saudável para a verdade.
Jornalismo é tudo aquilo de que o governo não gosta. Tudo aquilo de que o
governo gosta é propaganda. A imprensa, numa definição mais simples, deve ser o
fiscal do poder e a voz do povo. Com o estrito cuidado para não inverter essa
equação.” (Luiz Cláudio Cunha – Jornalista gaúcho)
Cambaleante por desmandos e incompetência de gestões
nos clubes e na Federação, o futebol maranhense parecia “querer mudar” nos três
últimos anos. Isso ainda não tomou corpo, haja vista que as ações – nos clubes
e na Federação – continuam visivelmente amadoras.
São pessoas que deixam seus afazeres e, imaginando que
são especialistas em futebol, pelo fato de olharem jogos ou de estarem ligados
a ele de alguma forma. Uma asneira sem tamanho – e, infelizmente, prejudicial
ao segmento.
No caso específico da Federação, é necessário que, ali,
alguém entenda o que é realmente “futebol profissional”. Em futebol
profissional, quem pretende administrar, não pode deixar de blindar times
(nesse caso, nenhum realmente é um clube) tradicionais como Moto Club, Maranhão
e Sampaio Corrêa, a guisa mentirosa de obedecer regulamento previamente
estabelecido, em detrimento de Sabiá, Expressinho, Viana ou Itapecuruense. Isso
é “amadorismo”! Quantas vezes já caíram no futebol baiano o Bahia ou o Vitória;
no cearense, o Ceará ou o Fortaleza; no gaúcho, o Grêmio ou o Internacional?
No caso dos clubes, o foco é a indigesta e dúbia
participação do Sampaio Corrêa como representante maranhense no Campeonato
Brasileiro da Série B. Por méritos, reconheçamos.
Todos estão cansados de saber que, aqueles que fazem
parte da “Imprensa anilhada” – e isso não nos interessa nem um pouco, haja
vista que cada um cuida de seus interesses, desde que também responda por eles
– sempre disseram que, “quem manda no Sampaio Corrêa é o Presidente”!
Estranhamente – e isso é comprometedor – quando há
necessidade de responsabilizar alguém pelos insucessos, esses mesmos anilhados
mudam o foco e procuram outros responsáveis. É estranho, que ninguém consiga
dizer que, também nessas situações, “o único responsável é o Presidente, que é
quem manda e desmanda”.
Entretanto, vejamos a situação por outro ângulo.
Vejamos os números.
De acordo com a tabela, os clubes que disputam a Série
B do Campeonato Brasileiro de Futebol, são 20. O Regulamento da competição
garante, todos os anos, o acesso de 4, vindos do Campeonato Brasileiro da Série
C, e, o descenso de quatro para a Série C. Garante, também, a inclusão de mais
4, vindos do descenso do Campeonato Brasileiro da Série A, como garante também
o acesso dos quatro primeiros colocados para a mesma Série A.
Esses clubes disputam 38 jogos, sendo garantidos 19
mandos (jogos em casa – ou aonde indicar) e mais 19 disputados fora de casa
(com mando do adversário). O campeonato é disputado em duas fases, sem
intervalo – extraordinariamente, neste ano de 2014, houve um intervalo em
virtude das disputas da Copa do Mundo promovida pela FIFA.
Cada clube disputa 114 pontos, sendo 57 na primeira
etapa, e 57 na segunda – mas todos disputam esses mesmos 57 pontos em casa e
mais 57 fora de casa. Dificilmente, quem ganha os 57 pontos disputados em casa
é rebaixado. E, são os tropeços em casa que levam o clube ao descenso, embora,
apenas psicologicamente, os pontos recuperados fora de casa surtam efeito.
Essa competição exige dos clubes, principalmente,
organização e planejamento. Num país de dimensões continentais como o Brasil,
um clube pode disputar um jogo no sábado no Mato Grosso, viajar de volta para
São Luís enfrentando as dificuldades que conhecemos, jogar em São Luís na
terça-feira e viajar para jogar na sexta-feira em Santa Catarina, voltando a
enfrentar outros tipos de dificuldades. Quem não se planejar a partir da
logística das viagens e não tiver um elenco onde os que não entram em campo tenham
o mesmo nível técnico daqueles que jogam – para o caso das punições e contusões
– será forte candidato a descer ou, no máximo, ser premiado a permanecer na
disputa da mesma série.
Nesta primeira parte da competição, o Sampaio Corrêa,
nosso glorioso representante, já jogou 17 vezes. Fez 9 jogos em casa (fará mais
um, o décimo). Disputou 51 pontos e, desses, ganhou apenas 24. Dos 27 pontos
disputados em casa, ganhou apenas 14.
Perdeu quase 50% dos pontos disputados em casa.
Em contrapartida, dos 24 pontos disputados fora de
casa, ganhou 10. É algo que pode ser
considerado bom, se for levado em conta que, qualquer ponto conquistado fora de
casa, é bom. O normal, seria perder os 24. Se for levado em consideração que “ganhou” 10
pontos fora de casa, o prejuízo dos 13 pontos perdido em casa fica minimizado.
Até aqui, o Sampaio Corrêa conquistou 6 vitórias, 3
fora de casa; conquistou 6 empates, 1 fora de casa e 5 em casa – e isso não é
nada bom; e sofreu 5 derrotas, apenas 1 em casa, para o Paraná, na estreia n o
campeonato.
Marcou 25 gols e sofreu 19, tendo um saldo positivo de
6. O que não é positivo nisso, é que o seu principal artilheiro é um homem que
jogar no meio-campo (Eloir), que marcou até agora 6 gols.
No próximo sábado o Sampaio Corrêa enfrenta o Atlético
de Goiás, fora de casa. A grande surpresa será uma vitória. Se perder não será
o fim do mundo, mas já será bom se projetar conquistar um empate, e conseguir.
O pior pode acontecer nos dois próximos jogos. No último jogo da primeira fase,
quando enfrenta o América/MG no Castelão e, com certeza não vencerá. O verde
mineiro é um dos quatro primeiros colocados, tem um ataque onde se destacam
Obina e Mancini e o comando técnico do jovem Moacir Júnior. No primeiro jogo da
segunda fase, o Sampaio Corrêa enfrenta o Paraná, em Curitiba, para quem perdeu
na estreia em São Luís.
E aí começará a preocupação com a matemática. Perder
pontos em casa, na próxima fase, será fatal. O representante maranhense
enfrentará em casa: Icasa, ABC, Vasco da Gama, Portuguesa, Náutico, Bragantino,
Joinville, Boa Esporte e Atlético/GO. Desses 27 pontos disputados em casa, acreditamos
que o Sampaio Corrêa tem muitas chances de conquistar 9, quando enfrentar o
Icasa, a Portuguesa e o Bragantino. Dos 18 restantes, qualquer empate será
muito bom.
MORAL
DA HISTÓRIA – Se o Sampaio Corrêa fez planejamento, com
certeza vamos torcer para que faça efeito a partir dessa segunda fase. O time
está correndo o risco de perder o Treinador (alguém duvida que isso aconteça,
se perder o jogo de sábado e diante do América/MG?), perdeu o zagueiro Paulo
Sérgio e terá dificuldades para encontrar um substituto a altura.
Quem faz “planejamento” não dispensa Treinador, principalmente
se ele estiver acertando. Não muda Diretor de Futebol – pois esse nunca vai
mandar nada mesmo! – e tampouco fica tentando justificar seus erros
responsabilizando a Imprensa por eles.
Repetimos: a maior bobagem e demonstração de falta de
planejamento, é tentar ascender para a Série A, pois o Sampaio Corrêa não tem
estrutura, direção, elenco e apoio financeiro para isso. O correto é lutar com
unhas e dentes para permanecer na Série B por pelo menos três anos, montar uma
boa estrutura, pagar as dívidas e minimizar as despesas com contratações,
trabalhando a base com qualidade e profissionalismo.
Aproveitar as excelentes arrecadações (como fazem
Ceará, ABC e Atlético/GO) e canalizar bem as cotas recebidas do
televisionamento, além do apoio logístico da CBF para a Arbitragem, as viagens
e a hospedagem.
Tudo isso, se nada mudar após o dia 5 de outubro.
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