A Lei de Responsabilidade Fiscal do
Esporte (PL 5201/13), anteriormente conhecida como Proforte, não vai
resolver completamente o problema financeiro do futebol, na avaliação do
professor Pedro Trengrouse, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Especialista em
Gestão Esportiva, ele defende mais financiamento estatal e responsabilização
das confederações e federações nas dívidas dos clubes. “O problema do futebol
brasileiro não é dinheiro, é de gestão”, disse Trengrouse.
O projeto, que está pronto para ser
votado em Plenário, permite o parcelamento da dívida dos clubes que aceitarem
modernizar seus sistemas de administração, com transparência das contas e até o
rebaixamento dos clubes que permanecerem em dívida.
Trengrouse criticou o modelo de
negócio do futebol que, segundo ele, concentra riqueza nas federações e
empobrece os clubes. “No Rio de Janeiro, no campeonato estadual, nos 120 jogos
da primeira fase, os clubes tiveram um prejuízo acumulado de R$ 500 mil,
enquanto a federação arrecadou R$ 800 mil nesses mesmos jogos”, disse. Por
isso, ele defende que as federações também sejam cobradas pelas dívidas dos
clubes.
Para o especialista da FGV, a
proposta estabelece mudanças positivas, mas não será suficiente para resolver o
problema do futebol. Ele defende maior financiamento governamental do esporte.
“É preciso inovar, talvez criar fundações que permitam que esses clubes busquem
no poder público, através de convênios, emendas, a independência necessária
para que o esporte olímpico possa se viabilizar”, disse.
Gestão responsável - Para o diretor da Associação Brasiliense de
Cronistas Desportivos, Kleiber Beltrão, alguns pontos do projeto podem mudar os
rumos da gestão do esporte no País. O texto proíbe, por exemplo, que os
dirigentes antecipem recursos previstos para períodos posteriores ao término de
sua gestão, sob pena de serem responsabilizados pessoalmente. “A grande maioria
dos diretores dos clubes se candidatou a cargos políticos depois de assumir a
direção de um grande clube, então, deixavam sempre o rombo para os que vinham a
seguir”, criticou.
Além disso, o projeto torna
obrigatória a publicação da contabilidade dos clubes de forma padronizada.
Segundo o relator do texto, deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), a intenção é dar
transparência à situação financeira dos clubes. “Uma vez padronizado, impedirá
os escamoteamentos, as formas oblíquas contábeis que impedem enxergar a real
situação financeira do clube”, declarou.
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