03
- Canhoteiro
É difícil e quase impossível que alguém ainda tenha
algo a dizer sobre Canhoteiro. Aliás, José Ribamar de Oliveira que, como também
já foi dito, nasceu em São Luís, capital do Maranhão, no dia 24 de setembro de
1932, mas registrado como nascido em Coroatá. O que nunca foi dito, ou se foi,
foi muito pouco, é que, embora nunca tenha tido qualquer ligação com o clube,
Canhoteiro nasceu na mesma noite do dia em que foi fundado o Maranhão Atlético
Clube.
Segundo Dejard Ramos Martins, no seu ESPORTE
– Um mergulho no tempo, “Canhoteiro formou no infantil do Moto Club de
São Luís, mas seu maior momento foi no Paissandu Esporte Clube, do Zé Leão, ao
lado de outros meninos do seu tempo: Esmagado, Enoque, Lourinho, Cleto,
Ferreira, Josiel, Totó, Argemiro, Denizard, Bebeco, Salcher, Coutinho e outros.
Foi, então, quando conheceu a primeira chuteira. Em 1952, o clube era o
espantalho do futebol amador de São Luís. Até os considerados grandes – Sampaio
Corrêa, Moto Club -, experimentaram a coesão do team de Zé Leão.”
Em meados de 1954, Canhoteiro chegava ao América do
Ceará, clube de médio investimento no futebol, mas de intensa expansão social,
haja vista que sua sede, ficava no bairro Aldeota, o mais aristocrata de
Fortaleza. Além de intensa vida social, o América disputava também modalidades
consideradas amadoras como Futsal, Basquete, Voleibol e Natação.
No clube alencarino Canhoteiro foi encontrar o goleiro
maranhense Bacabal. Cosmo, aqui conhecido como “Becão”, era outro companheiro
de time. O América já tinha o seu “Becão”. Era Walter Barroso. Encontrou também
Merci e Matuto, embora esses não o conhecessem.
Nas décadas de 50 e 60, ainda sem as competições
nacionais de hoje – existia apenas o campeonato brasileiro de seleções -, os
clubes do Sul e do Sudeste faziam temporadas pelo Norte e Nordeste, com o
objetivo de faturar para cobertura das folhas de pagamento, e para observar
jogadores em ascensão. Foi assim com Ademir Menezes, com Babá, com Almir e,
como não poderia ser diferente, com Canhoteiro.
Finalmente, em 1955, Canhoteiro chegou ao São Paulo
Futebol Clube, onde permaneceu até 1963, e
foi no Tricolor Paulista que se consagrou. Apesar
de só ter conquistado um título, o do campeonato paulista de 57, Canhoteiro é
apontado como um dos maiores jogadores da história do Tricolor da Barra Funda.
Muitos chegaram a considerá-lo o "Garrincha da ponta esquerda".
Em 1958, aos 26 anos e sem
qualquer “trabalho de base” e três anos após chegar ao clube, Canhoteiro era
titular absoluto do São Paulo ao lado de Mauro Ramos, da seleção brasileira, e
de Zizinho, um de seus fãs declarados. Gino, o artilheiro, e Maurinho o outro
ponteiro, além do também consagrado Dino Sani, formavam no mesmo time que o
menino coroataense que começou a dar os primeiros chutes no Paissandu, ao lado
de Esmagado, onde também começou a fazer embaixadas com moedas.
Considerado o mais habilidoso ponta da sua geração, foi
sempre preterido em Copas do Mundo por conta da maior mobilidade tática de
Zagallo e do chute mais forte de Pepe. Canhoteiro descobriu o segredo de abrir
espaços onde não havia nenhum e dominou a arte de desconcertar zagueiros com
dribles geniais. Foi um dos primeiros jogadores brasileiros a ganhar um
fã-clube. No São Paulo, seu segundo clube, marcou 102 gols em 415 jogos.
Defendeu também a seleção paulista, mesmo sendo maranhense. Naquela época, o
local de nascimento do jogador, desde que fosse no Brasil, servia apenas como
referência.
Mesmo não sendo muito
lembrado nas convocações da seleção brasileira, José Ribamar de Oliveira, o
Canhoteiro, é considerado um dos melhores pontas da história do Brasil. Ele
morreu no dia 16 de agosto de 1974, em São Paulo.
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