domingo, 3 de agosto de 2014

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03 - Canhoteiro

É difícil e quase impossível que alguém ainda tenha algo a dizer sobre Canhoteiro. Aliás, José Ribamar de Oliveira que, como também já foi dito, nasceu em São Luís, capital do Maranhão, no dia 24 de setembro de 1932, mas registrado como nascido em Coroatá. O que nunca foi dito, ou se foi, foi muito pouco, é que, embora nunca tenha tido qualquer ligação com o clube, Canhoteiro nasceu na mesma noite do dia em que foi fundado o Maranhão Atlético Clube.

Segundo Dejard Ramos Martins, no seu ESPORTE – Um mergulho no tempo, “Canhoteiro formou no infantil do Moto Club de São Luís, mas seu maior momento foi no Paissandu Esporte Clube, do Zé Leão, ao lado de outros meninos do seu tempo: Esmagado, Enoque, Lourinho, Cleto, Ferreira, Josiel, Totó, Argemiro, Denizard, Bebeco, Salcher, Coutinho e outros. Foi, então, quando conheceu a primeira chuteira. Em 1952, o clube era o espantalho do futebol amador de São Luís. Até os considerados grandes – Sampaio Corrêa, Moto Club -, experimentaram a coesão do team de Zé Leão.”

Em meados de 1954, Canhoteiro chegava ao América do Ceará, clube de médio investimento no futebol, mas de intensa expansão social, haja vista que sua sede, ficava no bairro Aldeota, o mais aristocrata de Fortaleza. Além de intensa vida social, o América disputava também modalidades consideradas amadoras como Futsal, Basquete, Voleibol e Natação.

No clube alencarino Canhoteiro foi encontrar o goleiro maranhense Bacabal. Cosmo, aqui conhecido como “Becão”, era outro companheiro de time. O América já tinha o seu “Becão”. Era Walter Barroso. Encontrou também Merci e Matuto, embora esses não o conhecessem.

Nas décadas de 50 e 60, ainda sem as competições nacionais de hoje – existia apenas o campeonato brasileiro de seleções -, os clubes do Sul e do Sudeste faziam temporadas pelo Norte e Nordeste, com o objetivo de faturar para cobertura das folhas de pagamento, e para observar jogadores em ascensão. Foi assim com Ademir Menezes, com Babá, com Almir e, como não poderia ser diferente, com Canhoteiro.

Finalmente, em 1955, Canhoteiro chegou ao São Paulo Futebol Clube, onde permaneceu até 1963, e foi no Tricolor Paulista que se consagrou. Apesar de só ter conquistado um título, o do campeonato paulista de 57, Canhoteiro é apontado como um dos maiores jogadores da história do Tricolor da Barra Funda. Muitos chegaram a considerá-lo o "Garrincha da ponta esquerda".

Em 1958, aos 26 anos e sem qualquer “trabalho de base” e três anos após chegar ao clube, Canhoteiro era titular absoluto do São Paulo ao lado de Mauro Ramos, da seleção brasileira, e de Zizinho, um de seus fãs declarados. Gino, o artilheiro, e Maurinho o outro ponteiro, além do também consagrado Dino Sani, formavam no mesmo time que o menino coroataense que começou a dar os primeiros chutes no Paissandu, ao lado de Esmagado, onde também começou a fazer embaixadas com moedas.

Considerado o mais habilidoso ponta da sua geração, foi sempre preterido em Copas do Mundo por conta da maior mobilidade tática de Zagallo e do chute mais forte de Pepe. Canhoteiro descobriu o segredo de abrir espaços onde não havia nenhum e dominou a arte de desconcertar zagueiros com dribles geniais. Foi um dos primeiros jogadores brasileiros a ganhar um fã-clube. No São Paulo, seu segundo clube, marcou 102 gols em 415 jogos. Defendeu também a seleção paulista, mesmo sendo maranhense. Naquela época, o local de nascimento do jogador, desde que fosse no Brasil, servia apenas como referência.

Mesmo não sendo muito lembrado nas convocações da seleção brasileira, José Ribamar de Oliveira, o Canhoteiro, é considerado um dos melhores pontas da história do Brasil. Ele morreu no dia 16 de agosto de 1974, em São Paulo.

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