segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Paraíba – o único bicampeão brasileiro invicto



Foi, com toda certeza que, no início do ano de 1959, correu um boato jocoso, fruto da incomparável irreverência cearense, dizendo que, em 1960, “negro ia virar macaco.” O dia 31 de dezembro de 1959 foi de muita ansiedade, expectativa, independentemente de ser o dia mundial da confraternização.

Chegou o ano de 1960 e “negro” continuava ali, gentinha da silva, sem ter virado macaco. Gente mesmo, quem não ficou foi o torcedor do Ceará Sporting Club, que, mesmo com alguns negros no time (Pipiu, Dico, Bebeto, Pelado, Guilherme, além de Manuel Conrado – Dengoso – como técnico) perdeu o título estadual para o Fortaleza.

Mas o Ceará de José Elias Bachá aprontou o trôco para o inimigo. Reforçou o time e conquistou o tricampeonato nos anos de 1961, 62 e 63. E aí quase que “negro vira macaco”.

O Fortaleza Esporte Clube estava perdendo atacantes experientes como Walter Vieira, Mourãozinho, Aluísio, Humaitá e tantos outros. O time precisava urgentemente de sangue novo, era o óbvio descoberto por Mozart Gomes e Otony Diniz.

Paraibano de nascimento, Otony Diniz, então empresário emergente em Fortaleza e presidente do “Tricolor de Aço”, estava em João Pessoa/PB tratando de negócios e revendo familiares. No final da tarde de um domingo resolveu ir ao Estádio Ernani Sátiro assistir um jogo amistoso do Botafogo e rever amigos. Durante o jogo, um voluntarioso atacante usava a camisa 9 do alvinegro paraibano e mereceu a sua atenção. Não tinha vínculo com o clube paraibano. Estava numa fase probatória de testes.

Pois, foi assim que José Valquírio Barbosa, nascido em Cabedelo/PB no dia 5 de julho de 1945, iniciou a sua extensa vida de jogador profissional. Antes, ainda como jogador amador e com apenas 16 anos, defendeu as cores do Estrela do Mar, de Cabedelo, clube da Segunda Divisão do futebol paraibano.

Otony Diniz era apenas “Presidente” do Fortaleza. Não era “dono”, como alguns presidentes de hoje, que têm uns trocadinhos e acham que “podem tudo” porque pagam uma reles folhinha salarial de 50 mil reais. Assim, Diniz levou para o Fortaleza o ainda menino Valquírio e o indicou para o Aspirante. Não gostaram do nome e trocaram por “Paraíba”. Esse passou a ser o apelido de um dos maiores artilheiros do futebol nordestino de todos os tempos, comparável a Croinha, Gildo, Mozart, Bita, Alberí e tantos outros.

Paraíba chegou mineirinho, comendo pelas beiradas. Logo assumiu a titularidade do time Aspirante do Fortaleza, em 1962, jogando ao lado de Moésio, um dos eternos ídolos do tricolor do Pici. Em 1963, Paraíba já conquistava o primeiro título de sua carreira, com apenas 18 anos: campeão cearense de Aspirantes, pelo Fortaleza.

Ora, se na Bahia os títulos são decididos quase sempre entre Vitória e Bahia; no Rio Grande do Norte, entre ABC e América; em Pernambuco, entre Sport, Náutico e Santa Cruz; no Maranhão, entre Sampaio Corrêa e Moto; claro que, no Ceará, quase sempre o título é do Ceará ou do Fortaleza. E o Ceará acabara de ser tricampeão nos anos 1961, 62 e 63.

Pois, em 1964, se o Ceará não foi tetra, dá para descobrir quem foi o campeão? Isso, o Fortaleza que, em 1965 não deixou por menos e foi bicampeão. Em 1964, aliás, o Tricolor foi “Super-Campeão”. E com ninguém menos que Paraíba, titular do ataque. Só não foi artilheiro do campeonato porque o Ceará tinha Gildo. Mas, em 1965, jogando ao lado de Croinha, Paraíba foi bicampeão e mais uma vez não foi o artilheiro do campeonato, por que o pernambucano e ex-maqueano ficou com o troféu.

Atacante famoso aos 21 anos, Paraíba foi negociado ao Ferroviário Atlético Clube de Fortaleza em 1966, onde permaneceu até 1969 e se transformou num dos mais importantes atacantes da história do time coral.

Em 1966, defendendo a camisa erreveceana, Paraíba conquistou o Torneio Início; foi vice-campeão do Torneio Pentagonal de Fortaleza; e foi vice-campeão do Torneio do Ferroviário.

Em 1967, Valquírio Barbosa (perdão! – Paraíba) foi vice-campeão cearense invicto. Não perdeu nem para o campeão, Fortaleza. Em 1968, Paraíba participou de outra marca que os torcedores do Ferrim consideram importante: completou dois anos sem perder para o Ceará.

Em 1969 acabaria o ciclo de Paraíba no Ferroviário. No ano seguinte, 1970, Paraíba defendeu o Guarany de Sobral, formando no ataque com Dedeu, Paraíba, Edmilson e Jaldemir. Finalmente, defendendo um time considerado intermediário, foi artilheiro do campeonato cearense com 17 gols marcados.

Em 1971 Paraíba foi negociado ao Calouros do Ar, time cearense então ligado à Aeronáutica, onde jogaram excelentes jogadores como Chinezinho, Adonias, Coité, Pedrinho, Galego, Zé Preguinho, Piçarra, Zezinho, Didi e tantos outros. Pois, foi em 1971, quando defendia as cores do Calouros do Ar que Paraíba foi trazido para o Sampaio Corrêa pelo empresário Walter Zaidan.



O ano de 1972 foi consagrador para Paraíba, que se sagrou Artilheiro do Nordestão, com 16 gols assinalados; e campeão brasileiro, invicto, pelo Sampaio Corrêa. No mesmo ano de 1972, Paraíba defendeu o Tiradentes do Piauí, sagrando-se bicampeão estadual mafrense.

Bem informado sobre o futebol brasileiro, Paraíba diz que sempre soube que “existem coisas que só acontecem com o Botafogo do Rio de Janeiro”. Lembra, entretanto, que “existem coisas que só acontecem no futebol maranhense”. Para ilustrar essa afirmação, Paraíba lembra que, em 1974, foi disputado um campeonato maranhense valendo pelos anos de 1973 e 1974.

Em 1973 ele ainda defendia o Tiradentes do Piauí. Em 1974, defendendo o Moto, sagrou-se campeão de 73 e 74 no campeonato disputado em 1974.

Há quem afirme que, paraibano nascido em Cabedelo, “é homem para resolver qualquer assunto a qualquer hora”. Pois, em 1975 Paraíba foi impedido de jogar, aos 30 anos, muitos times defendidos e alguns títulos conquistados. Paraíba era motense quando um acidente ceifou a vida de Paulo Espanha durante uma viagem. Valquírio Barbosa sofreu fratura em várias vértebras e foi obrigado a parar de jogar, privando os torcedores dos seus belos e importantes gols. Coisas do futebol.

José Valquírio Barbosa para uns poucos e Paraíba para todos que o viram atuar como artilheiro consagrado, pode ser considerado como o único bicampeão brasileiro invicto no futebol. Em 1972, sob o comando de Marçal Tolentino Serra, foi campeão brasileiro invicto pelo Sampaio Corrêa. Em 1997, fazendo parte da Comissão Técnica dirigida por Pinho, foi campeão brasileiro invicto com o Sampaio Corrêa.

Paraíba, após parar de jogar, ensaiou carreira de treinador, mas nunca encontrou as facilidades e o apoio necessários dos tempos de jogador e artilheiro.

Na conversa que o Repórter teve com Paraíba, ele pediu para não esquecer de dizer que, no futebol cearense, teve enorme prazer de atuar ao lado de Edmar, um dos maiores jogadores daquela terra em todos os tempos. No Maranhão, sempre se entendeu maravilhosamente bem com Zé Carlos.

Dilma indica dois nomes para cadeiras no STJ



A presidenta Dilma Rousseff indicou nessa quinta-feira (25) os magistrados Antonio Saldanha Palheiro, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), e Joel Paciornik, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, para integrar o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os nomes foram publicados na edição de hoje (26) do Diário Oficial da União.

As indicações seguem para sabatina na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal e, posteriormente, serão submetidos à votação no plenário da Casa. Aprovados, serão nomeados pela presidenta da República.

Antonio Saldanha Palheiro e Joel Paciornick vão substituir, respectivamente, os ministros aposentados Sidnei Beneti e Gilson Dipp.
De acordo com o STJ, ambos foram indicados após figurar em lista tríplice definida pelo Pleno do tribunal e encaminhada à presidenta Dilma. Com o preenchimento das duas vagas, a composição do tribunal ficará completa.

O STJ é composto por 33 ministros: um terço de magistrados oriundos dos tribunais regionais federais, um terço de desembargadores dos tribunais de justiça e um terço, em partes iguais, alternadamente, de advogados e membros do Ministério Público Federal, estadual e do Distrito Federal.


Seleção FI do Paulistão com 'lei do ex' e apenas um jogador dos grandes

Eder Loko e Reinaldo confirmaram a teoria do ex, enquanto Bruno Henrique representa o Corinthians na equipe FI.

Campinas, SP, 28 (AFI) - A seleção FI da sétima rodada do Campeonato Paulista está formada. Para montar a equipe, o Portal Futebol Interior não computou o duelo entre Mogi Mirim e Linense, realizado no dia 17 de fevereiro, que teve como vencedor o Sapão por 3 a 1. O destaque do time fica por conta de Bruno Henrique, único representante dos grandes do Estado. Ele pertence ao Corinthians, melhor time até o momento.

A seleção vem com algumas curiosidades. A 'lei do ex' apareceu no torneio e tem como prova viva Reinaldo, que brilhou pela Ponte Preta diante do São Paulo, e Eder Loko, este fez grande partida contra o São Paulo. Hoje, defende as cores do Água Santa, o debutante do torneio.

Para comandar esta equipe, o escolhido foi Sérgio Vieira, que vem realizando um trabalho espetacular a frente da Ferroviária, segunda colocada na classificação geral e séria candidata a uma vaga na Série D do Brasileiro. Na rodada, derrotou o todo poderoso Palmeiras em plena Arena Palestra.

Confira a Seleção FI da sétima rodada do Paulistão:

Goleiro: Neneca (Botafogo) - Há algumas rodadas Neneca vem se destacando no gol do Botafogo. Inclusive quando o time perde. No empate sem gols diante do Rio Claro, domingo, ele voltou a ter grande performance. Foi seguro e ainda defendeu pênalti cobrado por Léo Costa. Livrou a Pantera de mais um revés no Estadual.

Lateral-direito: Daniel (XV de Piracicaba) - O XV de Piracicaba ganhou a primeira partida fora de casa, ao bater o São Bernardo por 2 a 1, que o fez deixar a zona de rebaixamento de forma provisória. O lateral Daniel foi o nome do jogo. As melhores chances do Nhô Quim saíram pelo lado direito de campo. Em uma delas, o defensor colocou a bola nos pés de Henrique Santos, que deu o triunfo ao Alvinegro.

Zagueiro: Anderson Marques (Red Bull) - Experiente, o defensor do Toro Loko foi um verdadeiro líder dentro de campo na boa vitória por 1 a 0 sobre o Santos. Ele ainda deixou a sua marca, de cabeça, na primeira etapa, mas o assistente assinalou impedimento de forma equivocada. A precisão nos desarmes diante dos bons atacantes santistas chamou a atenção.

Zagueiro: Wanderson (Ferroviária) - Dois nomes chamaram a atenção na vitória da Ferroviária diante do Palmeiras. São eles: Vitor Hugo, pelo lado alviverde, e Wanderson para a Ferrinha. O zagueiro fez com que Alecsandro sequer fosse notado no confronto, além de impedir bons avanços de Robinho e Dudu. Fez ótima dupla ao lado de Marcão, se destacando também na bola área.



Lateral-esquerdo: Reinaldo (Ponte Preta) - São Paulo caiu na 'lei do ex' neste sábado. O Tricolor perdeu da Ponte Preta por 1 a 0, com gol de Reinaldo, jogador que acabou emprestando para Macaca neste Paulistão. O lateral mostrou um futebol que há tempos não parecia. Tomou conta do lado esquerdo de campo, ajudou na criação das jogadas e apareceu de surpresa para deixar o seu com um bonito chute.

Volante: Guly (Ituano) - Entrou no time do Ituano e acertou o time. Com porte físico avantajado, voltando ao Brasil após 15 anos, Guly tem uma dinâmica de jogo impressionante, sabendo proteger a zaga e sair para o ataque com chutes certeiros. Só precisa ter mais calma e ser menos afoito para ir para um time grande

Volante: Bruno Henrique (Corinthians) - O Timão não fez uma boa partida contra o Oeste, mas mesmo assim conseguiu outra vitória no Paulistão. Apesar de Rodriguinho ter sido responsável pelo gol, o melhor jogador em campo foi Bruno Henrique, que vem se firmando cada vez mais como um dos principais atletas do meio-campo. Marcou muito bem e ainda chegou constantemente na frente, fazendo a função que era de Elias.



Meia: Eder Loko (Água Santa) - Ex-jogador do São Bento no último estadual, o meia comandou o Água Santa no empate em 2 a 2 com o time de Sorocaba no Distrital do Inamar, em Diadema. Além de controlar o sistema de criação, ele ainda marcou um golaço de falta, que merecia placar, aos 15 minutos do segundo tempo. Os visitantes só chegaram ao empate quando o jogador deixou o gramado para a entrada de Tchô.

Meia: Rodrigo Andrade (Audax) - O Osasco Audax perdeu para o Novorizontino, mas não dava para deixar Rodrigo Andrade de fora da Seleção FI depois da sua grande atuação no último sábado. Após sofrer o pênalti, converteu a cobrança com muita categoria. Quando o Tigre estava novamente na frente, marcou um bonito gol em finalização de fora da área. Ainda assustou o goleiro adversário em outras três oportunidades.

Meia: Michel (Novorizontino) - Entrou no decorrer do segundo tempo e, em uma das primeiras vezes que tocou na bola, colocou o Novorizontino na frente do Osasco Audax. Acertou um lindo chute de fora da área, sem chances para o goleiro. Depois, passou a priorizar mais a marcação, mas sempre chegava ao ataque.

Atacante: Diego Clementino (São Bento) - O atacante mudou a cara do jogo entre São Bento e Água Santa. Entrou no segundo tempo e deu mais velocidade ao time de Sorocaba. Tendo participação efetiva nos gols que resultaram na igualdade de 2 a 2 em Diadema. E pensar que no ano passado ele estava no Guarani disputando a Série C...

Técnico: Sergio Vieira (Ferroviária) - Com apenas 33 anos, o técnico Sérgio Vieira vem surpreendendo no Campeonato Paulista. A Ferroviária é a grande sensação e fez mais uma vítima neste domingo. O adversário da vez foi o Palmeiras, que foi todo dominado no primeiro tempo e acabou pagando o pato na etapa final. O treinador conseguiu montar um time envolvente e mostrou que tem estrela. Os dois jogadores que colocou na segunda etapa fizeram a jogada do gol que decretou a vitória da equipe de Araraquara. Rosseto ganhou de Zé Roberto e tocou para Rafinha marcar aos 48 minutos. Destaque também para o técnico Maurício Barbieri. O treinador deu um nó tático em Dorival Júnior na vitória, por 1 a 0, do Red Bull em cima do Santos. O Toro Loko deu um bom salto na tabela de classificação.




Mendes pede investigação de empresas que serviram à campanha de Dilma



O ministro Gilmar Mendes, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu pedido do PSDB e determinou que seis órgãos de investigação apurem supostas irregularidades nos pagamentos a sete empresas que, em 2014, prestaram serviços à campanha eleitoral da presidenta Dilma Rousseff.

De acordo com a decisão, assinada na quarta-feira (24), a Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público, entre outros órgãos, deverão investigar se as empresas receberam valores desproporcionais em relação à capacidade operacional para prestar serviços para a campanha.

Mendes é relator da prestação de contas da presidenta, aprovada, por unanimidade pelo TSE, em dezembro do 2014. Ao deferir o pedido do PSDB, o ministro entendeu que a decisão pode ser revista se eventuais ilícitos forem verificados.

A Agência Brasil tentou contato com o advogado da campanha da presidenta, Flávio Caetano, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.

Outras ações - A presidenta Dilma e o vice, Michel Temer, são alvo de quatro ações na Justiça Eleitoral, protocoladas pelo PSDB. Em uma delas, o partido pede a cassação do mandato de Dilma e Temer, por supostas ilegalidades no recebimento de recursos na campanha de empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato.

Na semana passada, em defesa enviada ao processo, os advogados da coligação de Dilma afirmam que todos os recursos utilizados na campanha foram declarados e acusam o PSDB de usar a Justiça Eleitoral politicamente.

A defesa de Temer alegou que doações declaradas de empresas com capacidade para contribuir não são caixa 2. Para os advogados do vice-presidente, o PSDB recebeu doações das mesmas empresas.




Vasco e Botafogo fazem belo espetáculo e ficam no empate



Igor Siqueira

Rio de Janeiro (RJ)

No clássico entre os dois grandes até então invictos do Carioca-2016, a probabilidade de que chegasse ao fim a série sem derrotas de um dos dois times era de 66%. Mas os 33% do empate prevaleceu no clássico entre Vasco e Botafogo, neste domingo, em São Januário. O jogo foi bom, animado, e o 1 a 1 só se definiu nos minutos finais, com um golaço do zagueiro Emerson para o Alvinegro, após o cruzmaltino largar na frente com Riascos.

O resultado pela sétima rodada não afeta em nada os planos dos dois times em relação à classificação para a segunda fase. Vasco, líder do Grupo A, chegou aos 17 pontos, enquanto o Glorioso, na ponta do Grupo B, foi a 19.

Na próxima rodada, a última da primeira fase, o Vasco enfrenta o Bonsucesso, em Los Lários, enquanto o Botafogo visita o Boavista, em Bacaxá.

No primeiro tempo, o Vasco se mostrou mais à vontade em campo, até porque demorou para que o Botafogo se organizasse minimamente para conseguir sair jogando. O time cruzmaltino se mostrou mais robusto quando buscou as jogadas pelo lado, principalmente pelo direito. Quem mais levou perigo ao Botafogo foi Riascos - por mais que seja surpreendente para alguns. O colombiano, inclusive, quase fez um golaço, em um chute cruzado dado após entortar a defesa.

Mas o Vasco não foi totalmente soberano na etapa inicial. Um "blackout" de Rodrigo, recuando mal uma bola para Martin Silva, quase resultou em gol do Botafogo. A cabeça do zagueiro só não foi para a guilhotina porque a finalização de Ribamar foi interceptada pelo goleiro uruguaio.

Ricardo Gomes não ficou satisfeito com o que viu na etapa inicial e logo para o começo do segundo tempo lançou Neilton no jogo. E o garoto, que ainda está recuperando a melhor forma física, entrou cheio de pressão, quase marcando.

Jorginho também mexeu. Optou por Eder Luís. Outro para botar pressão no jogo. E dessa vez funcionou. Dois minutos depois, Eder deixou Riascos sem goleiro, dentro da pequena área. Gol do Vasco, gol de um dos artilheiros do Carioca, em uma das melhores apresentações dele pelo clube. Pena para o Vasco que o mesmo Riascos saiu machucado dez minutos depois.

O Botafogo sentiu o baque, diminuiu a intensidade, ficou meio perdido. Mas, quase no apagar das luzes, o zagueiro Emerson acertou um chutaço de falta, fazendo o golaço e empatando o placar no clássico.

FICHA TÉCNICA

VASCO 1 x 1 BOTAFOGO

Local: São Januário, no Rio de Janeiro (RJ)
Data/Hora: 28/2/2015, às 19h
Árbitro: Mauricio Machado Coelho Junior
Auxiliares: Wagner de Almeida Santos e Daniel Parro
Cartões amarelos: Luis Ricardo, Airton, Bruno Silva (BOT); Marcelo Mattos, Rodrigo, Andrezinho, Bruno Gallo (VAS)
Renda/Público: R$ 291.570,00 / 7.921 pagantes
Gols: Riascos, 15'/1ºT (1-0); Emerson, 42'/2ºT (1-1)

VASCO: Martin Silva; Madson, Luan, Rodrigo e Júlio César; Marcelo Mattos (Bruno Gallo, 32'/2ºT), Júlio dos Santos (Eder Luís, 13'/2ºT), Andrezinho e Nenê; Riascos (Thalles, 25'/2T) e Jorge Henrique. Técnico: Jorginho.

BOTAFOGO: Jefferson; Luís Ricardo, Carli, Emerson e Diogo Barbosa; Airton, Bruno Silva e Rodrigo Lindoso (Lizio, 38'/2ºT); Gegê (Salgueiro, 16'/2ºT) e Ribamar; Luís Henrique (Neilton, intervalo). Técnico: Ricardo Gomes.


Voto feminino e idosos



João Baptista Herkenhoff *

Na semana em que este artigo está sendo publicado, duas datas merecem reverência: 24 de fevereiro, Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil; 27 de fevereiro, Dia Nacional do Idoso. Somente a Constituição Federal de 1946 veio a consagrar, expressamente, a absoluta igualdade de homens e mulheres, em matéria de direitos eleitorais.

A Constituição Brasileira de 1891, bem interpretada, já assegurava às mulheres o direito de votar, pois não estabelecia embaraços ao exercício do voto feminino. Entretanto, a interpretação correta só foi alcançada graças ao mandado de segurança impetrado por Mietta Santiago, uma jovem de 20 anos que não se conformou com a barreira imposta a seu direito de votar. Graças a sua atitude, essa admirável mulher foi homenageada por Carlos Drummond de Andrade:

“Mietta Santiago
loura poeta bacharel
Conquista, por sentença de Juiz,
direito de votar e ser votada para vereador, deputado, senador, e até Presidente da República.
Mulher votando?
Mulher, quem sabe, Chefe da Nação?”

Poetas têm mesmo a capacidade de profetizar. Drummond previu mulher na Presidência da República. Aí está Dilma Rousseff. Ainda há muitos aprimoramentos a realizar no processo eleitoral. Mas, como diz o provérbio, Roma não se fez em um dia.

Quanto aos idosos, o calendário é pródigo na lembrança que lhes é devida. Em 27 de setembro temos o Dia Internacional do Idoso. E a primeiro de outubro, o Dia Internacional de Pessoas da Melhor Idade. Quando se tem boa saúde e segurança, a Terceira Idade é mesmo a melhor. Poder olhar para trás e contemplar a vida. Testemunhar, na própria pele, a sucessão das gerações. Abençoar os netos que são os filhos multiplicados.

Para Alceu de Amoroso Lima a velhice começava aos 65 anos. Não era uma idade de descida, decrepitude, mas uma idade de ascensão, colheita de frutos, aperfeiçoamento, sublimação, vôo. Alceu experimentou a velhice que desenhou em As idades do homem. Coerente até o fim. Lúcido. Corajoso. Intrépido mesmo. Nos seus artigos e palestras enfrentou, de peito aberto, a ditadura instaurada no Brasil em 1964. A viuvez, que poderia ter sido dolorosa e triste, ele soube sublimar. Lia toda manhã uma das cartas de sua mulher. Somente uma. Nunca mais de uma. Era a fruta saborosa daquele dia.

A título de glosa diz-se, como vantagem de ser idoso: ter a certeza de que os investimentos em plano de saúde finalmente começam a valer a pena.

Impõe-se que haja, no Brasil, uma “Política da Terceira Idade”, ou seja, um conjunto de medidas que tenham como fim proporcionar saúde, bem-estar, alegria e segurança aos idosos.

* Juiz de Direito aposentado, 79 anos, professor, escritor, um dos fundadores e primeiro presidente (1976) da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória.


Botafogo vence o Fluminense e se classifica no Campeonato Carioca



Felippe Rocha

Cariacica (ES)

Foi a sexta vitória seguida. Talvez não tenha sido a atuação brilhante, daquelas para convencer, como o torcedor gostaria. Mas o importante é que o Botafogo mostrou organização e, com oportunismo, superou o Fluminense no Estádio Kléber Andrade, em Cariacica (ES). Na noite desta quarta-feira, Gegê e Ribamar, no primeiro tempo, fizeram os gols do triunfo do Glorioso, que se classificou para a segunda fase do Carioca.

Os times alternaram sustos às defesas rivais quando o cronômetro ainda não marcava cinco minutos. Mas o Botafogo foi implacável quando chegou ao gol de Diego Cavalieri. Aos seis minutos, Diogo Barbosa cruzou e Gegê testou no contrapé do goleiro tricolor. O time de Eduardo Baptista, então, se desorganizou. Continuou tentando pressionar, mas sem o mesmo equilíbrio.

Aos 17 minutos, Gustavo Scarpa cruzou a bola na área e, após bate-rebate, Osvaldo ficou com a sobra fora da área. O chute foi, por muito pouco, à direita de Jefferson. E como quem não faz, leva, o time de Ricardo Gomes não perdoou. Aos 23 minutos, foi a vez de Luís Ricardo avançar e cruzar para Ribamar. O centroavante de 18 anos mostrou oportunismo para marcar o primeiro gol dele como profissional.

Mesmo aos trancos e barrancos, o Tricolor tentou continuar ameaçando. Cícero e Scarpa tentaram, mas em vão.

O Fluminense já voltou do intervalo com duas alterações feitas, mas não melhorou o suficiente para o goleiro Jefferson precisar trabalhar. Diego Souza e Fred não se entendiam. Erravam entre o momento de passar um para o outro e chutar para o gol. O argentino Carli era soberano na marcação ao capitão da equipe das Laranjeiras.

O centroavante tricolor desperdiçou boa chance, chutando mal de esquerda, aos 30 minutos. Aos 43, Diego Souza isolou cobrança de falta da entrada da área. Embora praticamente não tenha ameaçado Cavalieri na segunda etapa, administrou o resultado com qualidade.

FICHA TÉCNICA:
BOTAFOGO 2 x 0 FLUMINENSE

Local: Kléber Andrade, em Cariacica (ES)
Data/Hora: 24/2/2016, às 21h45
Árbitro: Grazianni Maciel Rocha (RJ)
Auxiliares: Luiz Claudio Regazone (RJ) e Diogo Carvalho Silva (RJ)
Cartões amarelos:
Cartões vermelhos:
Público e renda: -
Gol: Gegê, aos 6'/1ºT e Ribamar, aos 23'/1ºT

BOTAFOGO: Jefferson; Luís Ricardo, Carli, Emerson e Diogo Barbosa; Airton, Bruno Silva e Rodrigo Lindoso; Ribamar e Gegê (Salgueiro, 31'/2ºT); Luís Henrique (Neilton, 21'/2ºT) - Técnico: Ricardo Gomes.

FLUMINENSE: Diego Cavalieri; Wellignton Silva, Henrique, Renato Chaves e Gustavo Scarpa; Pierre (Edson, 20'/2ºT), Douglas (Gerson, 35'/1ºT), Cícero e Diego Souza; Osvaldo (Felipe Amorim, intervalo) e Fred - Técnico: Eduardo Baptista.




Ex-presidente e ex-diretor do Ibama são denunciados pelo MPF/DF



O Ministério Público Federal (MPF) em Brasília denunciou à Justiça o ex-presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) Roberto Messias Franco e o ex-diretor de Licenciamento Ambiental do órgão Sebastião Custódio Pires. Os dois são acusados de ter concedido licença, em 2008, para a instalação da usina hidrelétrica Jirau, em Rondônia, em descordo com as normas ambientais e pareceres técnicos do Ibama.  O empreendimento é tocado pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR).

Na avaliação do MPF, Roberto Franco expediu licenciamento irregular e permitiu a supressão vegetal no local, contrariando nota técnica do Ibama que alertava sobre a proibição de qualquer corte de vegetação nativa em área de preservação permanente. A hidrelétrica de Jirau faz parte do Complexo do Rio Madeira, localizado no Rio Amazonas e que inclui a usina Santo Antônio.

Segundo o Ministério Público, o consórcio atuava para obter a concessão da licença de instalação de forma parcial, dividindo a implantação do empreendimento em etapas, o que não está previsto na legislação ambiental. Ainda de acordo com o MPF, com a assinatura do contrato, a empresa apresentou ao Ibama o plano básico ambiental específico do canteiro de obra.

Na denúncia, o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes ressalta que um parecer elaborado por técnicos do Ibama demonstrava, de forma clara, que a modalidade de licença de instalação ambiental fragmentada não era comum. No mesmo documento foi solicitada uma analise jurídica da situação. Mesmo com essas ressalvas, Sebastião Pires recomendou a licença de instalação e Roberto Franco expediu a autorização à ESBR, sustenta a denúncia.

A irregularidade do procedimento, conforme a denúncia, também foi atestada pela 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF. “Deve-se ressaltar que o licenciamento ambiental, apesar de estar dividido em três fases distintas, não deve ser realizado isoladamente, sendo necessária a concretização de um estudo comum, uma abordagem única e completa de toda a obra a ser licenciada”, narra o procurador Anselmo Henrique em um dos trechos da ação.

O procurador também acusa os dois ex-gestores de ignorarem notas técnicas do próprio Ibama que apontavam consequências ambientais negativas na transferência na localização do eixo da barragem a uma distância de 12,5 quilômetros do local licitado. O Ministério Público verificou, ainda, que foram apresentados estudos incompletos, deixando de atender diversos aspectos que haviam sido exigidos. Segundo o MPF, apesar de terem conhecimento dos pareceres e sem que as pendências fossem efetivamente resolvidas, Roberto Franco e Sebastião Pires concordaram com alteração da localização.

Na denúncia, o MPF pede que o ex-presidente e o ex-diretor do Ibama respondam com base no artigo 67 da lei de crimes ambientais (9.605/98). No caso de Roberto Franco, houve a repetição do tipo penal por duas vezes, o que pode elevar a punição. A norma determina pena de detenção de um a três anos, além de multa.




sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Ribeiro – o “Garfo de Pau”

 

A repetição desta matéria (com algumas correções – sem mudar o conteúdo) marca o retorno deste Repórter ao dia-a-dia de um jornal. Estaremos aqui, como colaborador, até o final dos Jogos Olímpicos de 2016, quando deverá ser editado um caderno especial sobre os Jogos.

“. . . eu acho que conheço o senhor, de algum lugar!” – diz o Repórter, fazendo sinal de que está tentando lembrar.

“ Eu também acho que conheço o senhor...” diz Ribeiro, sorrindo.

“ O senhor, por acaso, jogou bola em algum lugar?” indaga o Repórter.

“ Olhe, na década de sessenta eu saí daqui e fui ensinar a ser lateral-direito em Fortaleza!”

“ . . . Ahhh! Então eu sabia que conhecia o senhor. O senhor é aquele que o Marco Aurélio – ponta-esquerda do Ceará – colocava a bola por dentro das pernas?

“ Nunca!”, assegura o senhor, 81 anos a completar no próximo dia 18 de junho, cabelos totalmente brancos enfeitando o corpo de um negro que um dia foi esbelto e considerado um dos três melhores laterais do Norte-Nordeste em todos os tempos.



É esse, quase sempre, o diálogo travado entre o autor destas linhas e José de Ribamar Ribeiro, mais conhecido nos saudosistas meios futebolísticos por Ribeiro e até por “Garfo de Pau”.

De 1950 para os dias atuais, nunca existiu no futebol do Norte ou do Nordeste um lateral-direito superior a William, Gena e Ribeiro. Eles iniciaram, na década de 50, a forma dinâmica de jogar pela lateral-direita, com competência e inteligência, como um quinto atacante (sim, porque, naquele tempo, os ataques eram formados por quatro atacantes, dois meias, e quatro defensores), que, anos depois, o falecido Cláudio Coutinho batizou como uma descoberta sua, chamando de “overlaping”.

O que confirmava a afirmação, era a forma de atuar do lateral-esquerdo, então um simples e puro marcador. Anos depois, no Chile, Nilton Santos se aventurou em algumas oportunidades, enfrentando o selecionado austríaco. Mas, pelas plagas nordestinas já se “atacava” muito com o lateral-direito. Ribeiro, William e Gena eram os mais perfeitos das duas regiões.

Nascido em 1935, aos 19 anos, Ribeiro se prontificou a passar por um período de testes no Sampaio Corrêa. Isso, em 1954. Até hoje Ribeiro não sabe explicar se foi aprovado ou não. Mas não ficou no Sampaio Corrêa.

Em 1955, atendendo convite do então jogador Esmagado, foi para o extinto Ferroviário, assinando ali o primeiro contrato de profissional. Conquistaria em 1957 o seu primeiro título de campeão maranhense e, em 1958, quando o selecionado brasileiro sagrava-se campeão mundial, Ribeiro conquistava o bicampeonato maranhense, vestindo a camisa do Ferroviário.

Ribeiro garante que, “profissionalmente”, começava ali a sua longa carreira de jogador de futebol. Numa final diante do Sampaio Corrêa, com o Ferroviário perdendo por 1 a 0, Ribeiro foi o autor do gol de empate em 1 a 1. Depois Hamilton marcou o gol da “virada” e, cobrando pênalti sofrido por Hamilton (Hamilton marcou o gol, mas o Árbitro Antônio Bento preferiu marcar a penalidade), Santos fechou o placar em 3 a 1.

Os dirigentes de Ferroviário sempre se posicionaram oposicionistas à então FMD (Federação Maranhense de Desportos). Um longo desentendimento entre a entidade e o Ferroviário motivou uma paralisação do bicampeão maranhense. Os jogadores profissionais procuraram outros rumos.

Em 1959 Ribeiro ingressou no Maranhão Atlético Clube, onde ficou até agosto de 1961, juntamente com alguns companheiros que haviam saído do Ferroviário.

Finalmente, em agosto de 1961, Ribeiro concretizaria o sonho (tentado em 1954, sem sucesso) de vestir a camisa do Sampaio Corrêa. Jogou ali também em 1962, 1963 e em março de 1964 foi negociado ao América, de Fortaleza.

Mesmo sem ser dirigente do Sampaio Corrêa, o desportista Rubem Goulart intermediou a negociação com Aécio de Borba Vasconcellos, dirigente do América de Fortaleza. Terminaria ali a primeira fase de Ribeiro no futebol maranhense.

O lateral foi titular absoluto da seleção maranhense em 1959, quando defendia o Ferroviário e o Maranhão, em 1960 e 1961; Sampaio Corrêa em 62 e 63, sob o comando do técnico carioca Sávio Ferreira.

Ribeiro e Papacum – Em março de 1964, Ribeiro chegou ao América de Fortaleza. Saíra de São Luís para defender as cores de um time mediano em termos de torcida, mas de alto nível social e organizacional, com sede social na Aldeota, bairro mais aristocrata de Fortaleza.

O América resolvera, naquele ano, aproveitar a disponibilidade dos dirigentes José Lino da Silveira Filho (Presidente), Lívio Corrêa Amaro, Aécio de Borba Vasconcellos, Meton Vasconcellos e outros colaboradores e montar um time capaz de ser campeão.

A contratação de Ribeiro foi apenas “mais uma” para um time que havia contratado Cícero, Ninoso, Nelson, Mozart, Vila Nova, Pedrinho e mais tarde, Milton, Fernando Carlos e Wilson. No time já formavam Osmar, Luciano Frota, Luciano Diogo, Pina, Zé Adilson, Fernandinho (o melhor jogador de Futebol de Salão do mundo em todos os tempos) Gari, Veto, Tangerina, Baíbe, Pouchain.

França, conhecido treinador cearense, era o técnico do América. Com a mudança e a implantação do projeto para tentar ser campeão, foi contratado Gilvan Dias, ex-goleiro do próprio América, do Ceará Sporting e da Seleção Cearense. Gilvan levou consigo o Fisicultor Romualdo Vichinewski, na época um dos poucos especialistas do Norte e Nordeste em preparação física.

No ano de 1966, finalmente, o América chegou ao título e assumiu o posto de um dos melhores times de todos os tempos do futebol cearense, disputando Taça Brasil com: Pedrinho; Ribeiro, Cícero, Ninoso e Vila Nova; Osmar, Luciano Diogo; Loril, Wilson, Mozart e Fernandinho. Faziam parte, ainda, Sieta, Luciano Frota, Zé Gerardo, Pouchain.

Nos anos de 1964, 65, 66, 67, 68 e 69 Ribeiro fez nome em Fortaleza, defendendo o América. Os especialistas em futebol garantem que seria impossível Ribeiro ter jogado mais, qualitativamente falando, antes de 1964, quando atuava no futebol maranhense. Daí a afirmativa deste cronista (na época, Árbitro Profissional em Fortaleza) que: “os maranhenses não viram Ribeiro jogar bola”.

Convicção igual ao cronista, tinha Papacum, torcedor símbolo do América que, boca entreaberta (cáries à mostra), encostado no alambrado do Presidente Vargas, quase sentindo a respiração de Ribeiro, quando este atuava defensivamente, dizia com voz alta e gestos trêmulos: “. . . é muito bom esse meu lateral. Joga demais! Vai meu lateral, mata eles!”

Em Fortaleza Ribeiro travava duelos (só dentro do campo, claro) aplaudidíssimos com Marco Aurélio (Ceará), Mimi (Fortaleza), Piçarra (Calouros do Ar), e até com Milton (Ferroviário). Desses, Marco Aurélio era o mais difícil de marcar por conta de uma particularidade. O ponteiro alvinegro era destro e, sempre que partia para cima da marcação de Ribeiro, impunha dificuldades, haja vista que Ribeiro também era destro.

Em 1969 terminou o ciclo de Ribeiro no América e ele foi de malas e bagagens para o Ferroviário. Em 1970 voltou ao futebol maranhense, ingressando no Moto Club, ali ficando até 1971. Ribeiro, o “Garfo de Pau” parou de jogar em 1972 e, no Sampaio Corrêa, ensaiaria o início da carreira de Treinador, com o time da categoria de base. Descobriu valores como Joaquim, Wandermilson (mais conhecido como Wander, ex-jogador do Maranhão) e outros bons valores maranhenses. Foi substituído por Eudes Calazans. Passou pelo Tupan e depois resolveu “sair um pouco do futebol”.

Hoje Advogado, é membro efetivo do Tribunal de Justiça Desportiva do Maranhão e há 20 anos é funcionário aposentado da Previdência Social, onde ingressou através de concurso público realizado em Fortaleza em 1965, quando ainda defendia o América da capital cearense.

Em 1963, antes de ingressar no América, Ribeiro fora tentado pelo Vasco da Gama, para substituir Paulinho de Almeida que estava parando. Foi convidado, também, pelo Bangu, para substituir Fidélis, que estava se transferindo para o Vasco da Gama. Preferiu ficar no Sampaio e seguir para Fortaleza. Para “aprender a jogar bola” com Mozart, Fernandinho, Moésio, e Zezinho Ibiapina, e ensinar Gari e Vila Nova a bater nos atacantes.

(Esta é uma homenagem do cronista, a um dos maiores e mais perfeitos laterais-direitos do futebol brasileiro em todos os tempos)- J. O. Ramos

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Marcas do que se foi

 

Chegar atrasado no quartel era roça. Era detenção na certa.  Chegar atrasado para a prova no colégio era reprovação na certa.  O que fazer então?

Pedir ao pai que, substituísse qualquer presente por um despertador. Daqueles que, quando tocavam, acordavam todos de casa. Era um saco! Mas, saco mesmo era a aporrinhação que os irmãos faziam uns com os outros, colocando o “Despertador” para despertar às 6:00 horas nos domingos e feriados.

Esse martírio se acabou quando descobrimos que, para tocar, o despertador precisava estar destravado.

Pois bem. Certa feita, minha mãe precisava sair de casa cedo para enfrentar uma viagem. O despertador ficava no meu quarto. Vacinado pelas molecagens que os irmãos faziam, acordei 5:00 horas com o toque do maldito despertador. Fulo da vida, apanhei o relógio e, usando toda a minha força, o joguei contra a parede.

Era minha mãe quem tinha colocado o despertador para despertar e garantir que ela não perderia o horário da viagem. Eu tinha 16 anos e foi com essa idade que levei a última surra, de corda, dada pela minha mãe. Tive que acordar para apanhar. Bons tempos aqueles. Boas e merecidas surras que levamos e que fizeram de nós verdadeiros homens e responsáveis.

Lá pelos anos 50 e 60, muitas capitais e grandes cidades brasileiras não conheciam o sistema de supermercados. Conheciam apenas, as bodegas, os sacolões e as feiras livres. Quase todos tinham o hábito de comprar todos os dias o que se comeria naquele dia. Carne, peixe, galinha, eram sempre comprados no mesmo dia em que eram preparados para o almoço.

Donas de casa tinham o hábito de comprar na porta de casa, carne, peixe, verduras e legumes. O leite era deixado pelo “Leiteiro” na porta de cada casa que fazia a encomenda antecipada. E ninguém se atrevia a roubar aquele leite ou a fazer qualquer bobagem com ele. Eram outros tempos que, infelizmente, se foram.

Pois o vendedor que oferecia essas mercadorias de porta em porta, carregava consigo uma balança (absolutamente confiável) que utilizava para pesar e conferir os pesos das mercadorias vendidas.

Bons tempos aqueles. Marcas do que se foi.

Por vários motivos – principalmente econômicos – a bicicleta era um meio de transporte muito utilizado em muitas cidades brasileiras. Contrastando com os dias atuais, era comum alguém ficar as tardes de sábados e/ou domingos limpando a bicicleta, tal como muitos fazem hoje, limpando os carros.

Longe do trânsito caótico que tem as cidades atualmente, também longe da poluição sonora que enfrentamos no dia-a-dia, era comum um motorista de carro escutar normal e nitidamente o “trim-trim” da campainha da bicicleta pedindo passagem ou alertando o pedestre.

Outros ciclistas preferiam usar a buzina em forma de corneta com uma parte de borracha. Essa fazia mais barulho.

Marcas do que se foi. Tempos bons que dificilmente voltarão.

A caneta esferográfica foi uma grande novidade, quando apareceu no final dos anos 50 em quase todas as cidades brasileiras. Marca Bic em várias cores, escrita fina e escrita normal. Foi uma verdadeira revolução para a escrita.

Antes disso, a maioria preferia o uso da caneta tinteiro. Havia uma marca preferida: a Parker que ganhava ainda mais status, quando era acompanhada de um tinteiro de tinta também da marca Parker.

Por anos, pais e padrinhos presenteavam filhos e afilhados com estojos belíssimos de canetas Parker. Muitos presenteavam com a marca folheada a ouro, o que enobrecia mais ainda o presente.

Marcas do que se foi. Tempos que não voltarão. Jamais.




Ginástica artística do Brasil ganha 2 ouros na Copa do Mundo do Azerbaijão



Agência Brasil

Agência Brasil

A ginástica artística do Brasil começou bem 2016, ano das Olimpíadas do Rio de Janeiro. Na primeira etapa da Copa do Mundo da modalidade, em Baku, no Azerbaijão, Daniele Hypolito e Flávia Saraiva tiveram um bom desempenho e foram bem nas finais deste domingo (21). 

Flávia conquistou o ouro na trave  e no solo com 13,850, além do bronze nas assimétricas. Já Daniele garantiu a prata nas barras assimétricas. 

Em abril, as duas voltam a competir em evento-teste, quando a seleção brasileira de ginástica artística tenta a vaga por equipe para os Jogos Olímpicos.




Operador transferiu US$ 1,5 mi para conta secreta de Santana durante campanha de 2014



Estadão


Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

A conta não-declarada da Suíça que seria do marqueteiro do PT João Santana recebeu três depósitos que totalizaram US$ 1,5 milhão, entre julho e novembro de 2014 – período em que ele conduzia a campanha da presidente Dilma Rousseff -, da offshore Deep Sea Oil Corp, controlada pelo operador de propinas Zwi Skornicki. Santana a mulher, Mônica Moura, e o lobista estão presos em Curitiba, alvos da Operação Acarajé – 23ª fase da Lava Jato.

Os pagamentos constam de uma tabela em poder da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, montada com dados enviados pelo Citibank North America, de Nova Iorque, com base em um pedido de cooperação internacional com autoridades norte-americanas. Foram por meio desses documentos que os investigadores ja Lava Jato chegaram aos US$ 4,5 milhões recebidos por Santana, no exterior.

Na tabela constam os débitos e créditos da conta mantida no Banke Heritage, na Suíça, em nome da offshore Shellbill Finance SA – que segundo a Lava Jato é de João Santana – feitos via agência do Citibank, em Nova Iorque. Ao todo, foram identificados 9 depósitos da conta secretada do operador de propinas Zwi Skornicki no período analisado, entre 2008 e 2015, totalizando o repasse de US$ 4,5 milhões. A Deep Sea Oil tem sede nas Ilhas Virgens Britânicas.

“Identificaram-se, ainda, ao menos nove depósitos de Zwi Skornicki e Bruno Skornicki, a partir de conta no banco Delta National Bank & Trust CO. mantida em nome da offshore Deep Sea Oil Corp., em favor da conta do Banque Heritage aberta em nome da offshore Shellbill Finance., cujos beneficiários são João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura, mediante a utilização da conta correspondente do Citibank North Americana, New York, no valor total de USD 4.500.000,00”, informa o delegado da PF Filipe Hille Pace, da força-tarefa da Lava Jato.

Pagamentos - O primeiro pagamento da offshore do operador de propinas para a conta secreta de Santana é de 25 de setembro de 2013. Outros dois acontecem no mesmo anos, nos meses de novembro e dezembro. Todas as nove transferências feitas pela Deep Sea Oil para Santana são de US$ 500 mil.

Em 2014, o primeiro pagamento é de fevereiro. Seguem-se duas transferências em março e abril, após a deflagração da fase ostensiva da Lava Jato, com a prisão do primeiro delator do processo o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa.

Os pagamentos voltam a ocorrer em julho, setembro, até novembro, quando foi feita a última transferência. Investigadores da Lava Jato em Curitiba não separaram os pagamentos do período, pois os focos são a suposta lavagem de dinheiro desviado da Petrobrás, por meio do operador de propinas ligado ao estaleiro Keppel Fels.

A empresa já estava sob investigação da Lava Jato desde 2014, após ex-executivos da Petrobrás, entre eles Paulo Roberto Costa e o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco, apontarem pagamento de até US$ 14 milhões em propinas pelo grupo, por meio do lobista Zwi Skornicki.

Foi em decorrência dessas investigações iniciais, de 2014, que a PF chegou a Santana. Na casa do operador de propinas, no Rio, uma carta endereçada a Zwi e a seu filho Bruno tinha como remetente “Mônica Santana” e o endereço da Polis Propaganda – agência do marqueteiro do PT. Nela, além de mandar dados da conta da Shellbill para depósito, ela enviou um modelo de contrato da offshore secreta com outra empresa do tipo – controlada, segundo a Lava Jato pela Odebrecht. Nela, há a assinatura de Mônica e rasuras para ocultar os nomes das offshores do contrato-modelo.

“O contexto da investigação conduz à conclusão de que Mônica Moura, João Santana, Zwi e Bruno Skornicki pretendiam transferir recursos entre eles de forma oculta e no exterior, fora do alcance das autoridades brasileiras, notadamente pelo caráter ilícito da transação”, informa Pace.

TSE - Os dados podem ajudar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a instruir as peças que apuram supostas irregularidades na campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT), em 2014 – após representações do PSDB. Quatro procedimentos estão em andamento no tribunal.

“Não estamos apurando crime eleitoral, nosso interesse é o suposto crime de lavagem de dinheiro”, afirmou o delegado da PF. A Lava Jato mira o uso de doações a partidos e campanhas como forma de ocultação de propina. Desde o início do mês, os documentos e provas da Lava Jato passaram a ser compartilhados com o TSE – que analisará questão eleitoral.

No pedido de prisão de Santana, de sua mulher e do operador de propinas Zwi Skornicki, a PF afirma que “tais depósitos, ao que indicam todos os elementos colhidos na investigação policial, traduzem-se em atos continuados de lavagem de capitais”.

“Uma vez que João Santana e Mônica Moura, em especial a última, trataram diretamente com Zwi Skornicki e (seu filho) Bruno Skornicki, cientes de quem eram e quais as atividades profissionais desenvolvidas por eles – representação de empresas junto a Petrobrás, em especial o Estaleiro Keppel Fels e suas diversas subsidiárias (Fernvale, Brasfel, Floatec, Keppel Shipyard, etc) –, e praticaram conscientemente medidas que visavam ocultar – com a utilização de contas no exterior em nome de empresas offshore – e dissimular – celebrando um contrato de consultoria falso entre as empresas offshore – a origem criminosa dos recursos que foram depositados em conta no exterior em nome da ShellBill Finance SA”, sustenta a PF.

A Lava Jato reuniu dados sobre os contratos que a Keppel Fels tem com a Petrobrás, para estabelecer a possível relação entre os pagamentos feitos pela estatal para o estaleiro e os repasses de Skornicki para Santana. Pelo menos seis deles foram o ponto de partida das apurações. Envolvem contratos de plataformas listados no mapa da propina entregue por Barusco, que era espécie de caixa da propina na diretoria ligada ao PT: P-52 (2003), P-51 (2004), casco da P-52 (2005), P-56 (2007), P-61 (2009) e o casco da P-58 (2009).

Nenhum representante da Keppel Fels foi encontrado. A reportagem também não localizou a defesa de Zwi Skornicki.

COM A PALAVRA, O PT - O ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, responsável pelas finanças da campanha presidencial do PT em 2014, afirmou ao repórter Ricardo Galhardo que os pagamentos investigados pela Lava Jato não tem relação com a eleição de Dilma. “Asseguro que qualquer tipo de acusação não tem nenhum vínculo com a campanha da presidente Dilma.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JOÃO SANTANA E MÔNICA MOURA - O criminalista Fábio Tofic Simantob, que defende João Santana e sua mulher, Mônica Moura, disse nesta terça-feira, 23, que seu cliente deve ser ouvido amanhã pela Lava Jato. “Confiamos que nesse depoimento, depois de dar todos os esclarecimentos que precisam ser dados, essa prisão absurda seja revogada.”

Tofic disse poder afirmar que “não tem um centavo de valor recebido no exterior que digam respeito a campanhas brasileiras”. “Basta lembrar que de nove campanhas presidenciais que ele fez nos últimos seis foram fora do Brasil.”

O defensor de Santana afirmou aos jornalistas, depois de fazer sua primeira visita ao cliente preso, que o detalhamento desses recebimentos no exterior será dado amanhã por Santana aos delegados e procuradores da Lava Jato.


Maria Suelen Altheman conquista o ouro no Grand Prix de Dusseldorf



A delegação brasileira conquistou uma medalha de ouro no Grand Prix de judô em Dusseldorf (Alemanha), neste domingo, com Maria Suelen Altheman.

A peso pesado (acima de 78 quilos) conseguiu o título da etapa com a vitória por ippon sobre a chinesa Song Yu, atual campeã mundial e líder do ranking da federação internacional (FIJ), após imobilização.

A judoca paulista já havia tido uma ótima atuação diante da número 2 do mundo, a também chinesa Sisi, tendo conquistado outro ippon em um contra-ataque.

O caminho de Maria Suelen começou com duas vitórias em sequência por ippon contra a mongol Javzmaa Odkhuu e a alemã Jasmin Kuelbs. Nas quartas, em luta difícil, a brasileira venceu com um yuko a francesa Lucie Kanning.

Além dela, outros três brasileiros lutaram neste domingo, mas não chegaram às disputas por medalha. Tiago Camilo (90kg) venceu a primeira luta por ippon contra Dmitri Gerasimenko, da Sérvia, mas não passou pelo mongol Altanbagana Gantulga e se despediu da competição nas oitavas de final.

Rafael Buzacarini (100kg) e Rafael Silva (100kg) também não passaram das oitavas. O meio-pesado venceu Grigori Minaskim, da Estônia, mas não superou o russo Adlan Bisultanov. "Baby" Silva foi melhor que Yerzhan Shynkeyev, do Cazaquistão, porém acabou derrotado pelo cubano Alex Garcia Mendoza.




Motorista para ônibus ao ver que ninguém cedeu lugar a deficiente visual



Na manhã desta terça-feira (23) um motorista do transporte coletivo de Recife fez uma dura crítica aos passageiros quando um deficiente visual entrou no coletivo e ficou em pé sem que ninguém oferecesse o lugar. O episódio foi relatado pelo professor universitário Bruno Nogueira através de uma rede social. Segundo ele, o motorista se levantou e disse: "Se ninguém der o lugar, ele vai sentar aqui e dirigir o ônibus".

"Foi tudo muito rápido. Assim que ele (o motorista) terminou de falar, o senhor cego já havia sentado", disse Bruno. Apesar da situação constrangedora, a "bronca" do motorista causou risos nos passageiros. "O ônibus estava muito lotado e foi tudo naquela parte da frente. Eu só vi porque ainda estava esperando meu troco para passar na catraca. Mas todo mundo riu bastante na hora.O motorista ainda perguntou: o senhor sabe dirigir? O passageiro cego riu e disse que sabia. E o motorista disse: então pronto! Já vai sentar aqui."

Resolvida a situação, o deficiente visual se sentou e desceu 4 paradas depois. Segundo a legislação vigente, pessoas com deficiência física, idosos e gestantes têm direito a assentos preferenciais em cada veículo, porém quando estes estão ocupados, cabe aos demais passageiros oferecer seu lugar não-preferencial a quem mais precisa.

Uma última nota, uma decisão causou polêmica este ano na cidade de Manaus. Uma lei municipal que entrou em vigor no último dia 22 de Janeiro passou a considerar que todos os assentos dos ônibus são preferenciais. O decreto da Lei Nº 2.094 alega que ela é de caráter educacional, sendo de obrigação dos usuários ceder os lugares para aquelas pessoas que se enquadram no perfil de "preferencial".


Seleção FI do Paulistão chega com artilharia pesada do Interior


Água Santa, Ferroviária e São Bento tiveram bons resultados e fazem grandes campanhas em seus grupos.

Campinas, SP, 21 (AFI) – A quinta rodada do Campeonato Paulista, mais uma vez, foi marcada por alguns destaques do Interior. Água Santa, Ferroviária e São Bento tiveram bons resultados e fazem grandes campanhas em seus grupos. Os dois últimos, aliás, são líderes. O XV de Piracicaba e o Botafogo também conquistaram vitórias importantes na luta para deixar as últimas posições.

Por conta disso, a Seleção FI da 5ª rodada do Paulistão está recheada com destaques do Interior. Muitos deles, como o volante Juninho, o meia Allan Dias e os atacantes Fabinho e Everaldo, balançaram as redes por duas vezes cada um. O grande responsável por comandar este grande time “caipira” é Márcio Ribeiro, que faz um trabalho espetacular no caçula de Diadema.



Confira a Seleção do Paulistão da 5ª rodada:

Goleiro: Henal (São Bento) - Foi o grande personagem no empate magro entre Ponte Preta e São Bento. O time de Sorocaba passou boa parte do jogo sofrendo pressão, sobretudo no primeiro tempo, mas o goleiro fez defesas importantes e garantiu o resultado positivo fora de casa. Resultado que deixa o time na liderança do Grupo A.

Lateral-direito: Amaral (Oeste) - Dentro da estratégia armada pelo técnico Renan Freitas, ele foi peça fundamental no empate conquistado fora de casa contra o Novorizontino. Marcou muito e ainda tentou ir ao ataque. Na verdade, todo o setor defensivo do time de Itápolis foi bem, mesmo porque estava bem posicionado. E teve ainda outra vantagem: o excesso de chuveirinhos do time da casa.

Zagueiro: Roger Carvalho (Palmeiras) - Embora a torcida palmeirense não morra de amores por ele, Roger Carvalho foi um dos pontos de segurança do Verdão. O time novamente não se comportou bem, mas a defesa e o goleiro Fernando Prass garantiram o empate sem gols.

Zagueiro: Rodrigo Caio (São Paulo) - Chamado de "jogador de condomínio" pelo assessor da presidência, Gustavo Gaspar, Rodrigo Caio respondeu dentro de campo. Neste domingo, contra o Rio Claro, marcou o gol que garantiu a vitória do Tricolor e teve uma atuação segura na defesa ao lado do experiente Lugano, tanto que Dênis praticamente não foi exigido.

Lateral-esquerdo: Zeca (Santos) - Se o ataque não funcionou, a defesa santista teve uma atuação destacada. Embora seja conhecido pela qualidade no apoio, o lateral foi fundamental na defesa, em um lado onde caíram o lateral Lucas e o atacante Dudu. Com bons desarmes, levou a melhor no embate com os adversários palmeirenses.

Volante: Juninho (Ferroviária) - Desprezado por Ponte Preta e Atlético-PR, Juninho reencontrou o bom futebol na Ferroviária. Com muita liberdade para chegar ao ataque, foi figura constante na área corintiana. Tanto que marcou os dois gols do empate por 2 a 2. Se continuar jogando neste nível, pode arrumar um bom contrato para as competições nacionais.

Volante: Marino (São Bernardo) - Marino livrou o São Bernardo de uma derrota para o Linense, em pleno 1.º de Maio. O volante, que está disputando o terceiro Paulistão seguido pelo clube, acertou chute forte sem chances de defesa para o goleiro Daniel. Vibrou muito na comemoração e inclusive beijou o escudo do Bernô. O empate manteve o time na vice-liderança do Grupo B.

Meia: Allan Dias (Botafogo) - Precisou de pouco mais de 50 minutos em campo para ser o grande nome da goleada do Botafogo sobre o Ituano. Marcou dois gols. No primeiro, mostrou estar bem posicionado para aproveitar rebote de pênalti perdido por Nunes. Depois, marcou no final do primeiro tempo, em chute potente. Se não tivesse saído lesionado no início do segundo tempo, poderia ter se destacado ainda mais.

Meia: Lucca (Corinthians) - Fez, talvez, seu melhor jogo pelo Corinthians. Atuando aberto pela esquerda, onde em 2015 jogava Malcom, ele fez uma bela dupla com Uendel. Ambos fizeram boas jogadas em cima do lateral-direito da Ferroviária Igor Julião, principalmente no primeiro tempo. Deu passes e cruzamentos importantes, invadiu a área para finalizar e deixou seu gol de pênalti.

Atacante: Fabinho (XV de Piracicaba) - Ele perdeu um gol no primeiro tempo e foi para o intervalo debaixo de vaias. Mas se recuperou no segundo tempo, sendo o autor dos dois gols que deram a virada do XV sobre o Red Bull, que ainda não encontrou o rumo – perdeu nas últimas três rodadas. Resultado: o baixinho deixou o Barão da Serra Negra como herói, pela primeira vitória quinzista no Paulistão.

Atacante: Everaldo (Água Santa) - Tem sido implacável com as bolas nos pés. Ou seja: quando recebe a bola em condições, não vacila e balança as redes. Não foi diferente na virada sobre o Osasco Audax, por 2 a 1. Marcou o primeiro gol de pênalti e depois fez o da virada, num rápido contra-ataque. É verdade que o goleiro Felipe Alves foi com “mão de alface” na bola, mas valeu o gol e mais três pontos para o caçulinha.

Técnico: Márcio Ribeiro (Água Santa) - Muita gente duvidou de sua capacidade antes do início do Paulistão, mesmo porque se temia pelo desgaste de sua longa trajetória no clube. Afinal subiu o time três anos seguidos. E agora está dando conta do recado na elite do paulistão. Seu time não tem os melhores jogadores, mas joga organizado.

O que mais tem surpreendido é que Ribeirão mostra arrojo. Tanto que tentou ir para cima do são Paulo, deu azar e tomou de 4 a 0. Mas diante do Osasco Audax sofreu o primeiro gol, fez suas mudanças e ganhou, de virada, por 2 a 1. Na rodada anterior já tinha goleado o Capivariano, por 4 a 1, em Diadema.

Os técnicos foram bem na rodada, como o português Sérgio Viera, da Ferroviária, que fez grande jogo com o “Poderoso Corinthians”. Ou até Toninho Cecílio, do Mogi Mirim, que na base do grito e da raça conquistou sua segunda vitória seguida na semana. Bateu o Capivariano, por 2 a 1, no campo do adversário. Antes, em casa, tinha vencido o Linense.