quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A guerra contra um “musquitim”

 

No final do século passado, mais propriamente em 1995, num rápido passeio ao Rio de Janeiro e, para matar a saudade de alguns cinemas da cidade, entramos num cinema em Madureira, muito confortável, boa projeção e com som maravilhoso.

Nos chamou a atenção o protagonista do filme: Dustin Hoffman, que havíamos visto no magnânimo Papillon e, antes, em “Rain Man”. Epidemia era o nome do filme, e, magistralmente, Hoffman, mais uma vez deu show de interpretação, agora com o personagem de nome Sam Daniels – um médico e militar no posto de coronel. No filme, o personagem tenta descobrir uma epidemia provocada por um macaco importado irregularmente da África, que passa a assustar e matar pessoas numa pequena cidade dos Estados Unidos.

O contágio é rápido e os sintomas da doença exige isolamento das vítimas. A cidade e, por conseguinte, o governo americano fica assustado com a dimensão do problema, e convoca para um alerta. Dirigido por Wolfgang Petersen, o filme de ação e suspense conta ainda com Morgan Freeman e Cuba Gooding Jr em papéis de destaque.

Pois, ignorante e desinformado tanto quanto nós, “duvidamos que exista viva alma neste mundo”. Nem duvidamos que, muitos esqueçam o carnaval para ficar matando mosquito. Esse mesmo insignificante inseto – parente do sibuí (aquele que provoca uma coceira infernal no fiofó das pessoas), da muriçoca e do mosquito de boca (aquele que, no final da tarde, fica procurando abrigo na tua boca ou no teu nariz), danado para se alimentar de baba ou de meleca.

E, no último domingo a TV Globo mostrou a preocupação do mundo e, em particular do governo americano, com o aumento do número de pessoas que passaram a comprar armamento pesado na terra do Tio Sam.

Será que é para matar esse tal de Aedes aegypti?

Sim, é que descobriram que, além da nossa brasileiríssima “dengue”, o musquitim danado transmite também uns tais de zika vírus e chikungunya – mas tem gente afirmando que essas duas novas moléstias só foram confirmadas no Brasil, a partir do dia 1 de janeiro de 2003, com o vírus preferindo mulheres grávidas (tem verdadeiro pavor a homem), e os seus bebês no período de gestação.

Zé da Base, cabra vagabundo que não perde oportunidade de relaxar ninguém, afirma:

- É por isso que tem tanta gente com microcefalia num determinado partido político. Cabeça pequena além da conta, não pode ter muita coisa dentro mesmo!

E ainda reforça: - graças à Deus essa disgrama de mosquito não gosta do Ceará pois, se gostar, lá não tem ninguém com “microcefalia”. Só se for com “macrocefalia”!

Não se admire se, em poucos dias for convocada uma sessão extraordinária da ONU para tratar de estratégias para o combate ao mosquito Aedes aegypti. No Brasil, o Exército Brasileiro já está de prontidão, com fuzis, canhões, metralhadoras. Infelizmente, não lembraram os antigos “mata-mosquitos”, funcionários preparados pela Sucam. Estão afirmando que é “golpe” da Natureza contra alguém.

Essa, não tenham dúvidas, é uma resposta da Natureza às provocações e maus-tratos com o meio ambiente. Pássaro não tem mais árvore para fazer ninho no seu habitat, vem fazer o aconchego nos postes, nas janelas dos apartamentos. Vais dizer que nunca viste um tal “Quero-quero” dando voos rasantes nos campos de futebol em dias de jogos? Vais dizer que nunca soubeste de problemas na aviação causados por urubus?

Assim, em vez de ficar consumindo produtos que de nada servem, mas são acintosamente indicados pelas propagandas – enquanto as indústrias multiplicam o capital circulante e garantem a arrecadação de impostos – recorremos à experiência da nossa falecida avó.

Imagine se Vovó, filha da arremetida de negro com índia, trocaria a famosa bosta de vaca (mas pode ser também de boi) que ela queimava durante a noite inteira numa lata de goiabada colocada estrategicamente ao lado do catre ou debaixo da rede para espantar muriçoca. De quebra, garantia ela, espantava também escorpiões, troíras, moscas e dormia sã e salva da mesma forma que veio ao mundo – nua com a mão sobre a perseguida.

Muriçoca e aedes aegypty não gostam de “cheiro”. Bom ou mau. Assim, durante um período do ano em que mosquitos se reproduzem na selva e precisam de sangue para sustentar suas larvas até garantir-lhes a vida, alguns índios produzem uma espécie de “unguento” com folhas de arruda ou mastruz ou hortelã e passam no corpo inteiro. Os mosquitos (quaisquer que sejam eles) ficam a milhares de anos luz de distância.

Ou você acha mesmo que o índio vai seguir conselho da televisão e dormir de pijamas e com mangas compridas?

Embora não tivesse nenhuma graduação acadêmica, nem fosse pós-graduada com Mestrado ou Doutorado, minha avó sempre soube que, na fase da digestão o organismo do animal produz e expele amônia na urina e nas fezes. O que você acha do odor da amônia?

Durante o calor, a amônia que existe na bosta da vaca se transforma em eficiente repelente, pelo odor que espanta até o “futi”. Claro, ninguém é idiota o suficiente para levar bosta de vaca (ou de boi) para queimar durante a noite no quarto de dormir do apartamento para espantar um musquitim que você mesmo continua ajudando na proliferação.




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