Chegar atrasado no quartel era roça. Era detenção na
certa. Chegar atrasado para a prova no
colégio era reprovação na certa. O que
fazer então?
Pedir ao pai que, substituísse qualquer presente por um
despertador. Daqueles que, quando tocavam, acordavam todos de casa. Era um
saco! Mas, saco mesmo era a aporrinhação que os irmãos faziam uns com os
outros, colocando o “Despertador” para despertar às 6:00 horas nos domingos e
feriados.
Esse martírio se acabou quando descobrimos que, para
tocar, o despertador precisava estar destravado.
Pois bem. Certa feita, minha mãe precisava sair de casa
cedo para enfrentar uma viagem. O despertador ficava no meu quarto. Vacinado pelas
molecagens que os irmãos faziam, acordei 5:00 horas com o toque do maldito
despertador. Fulo da vida, apanhei o relógio e, usando toda a minha força, o
joguei contra a parede.
Era minha mãe quem tinha colocado o despertador para
despertar e garantir que ela não perderia o horário da viagem. Eu tinha 16 anos
e foi com essa idade que levei a última surra, de corda, dada pela minha mãe.
Tive que acordar para apanhar. Bons tempos aqueles. Boas e merecidas surras que
levamos e que fizeram de nós verdadeiros homens e responsáveis.
Lá pelos anos 50 e 60, muitas capitais e grandes
cidades brasileiras não conheciam o sistema de supermercados. Conheciam apenas,
as bodegas, os sacolões e as feiras livres. Quase todos tinham o hábito de
comprar todos os dias o que se comeria naquele dia. Carne, peixe, galinha, eram
sempre comprados no mesmo dia em que eram preparados para o almoço.
Donas de casa tinham o hábito de comprar na porta de
casa, carne, peixe, verduras e legumes. O leite era deixado pelo “Leiteiro” na
porta de cada casa que fazia a encomenda antecipada. E ninguém se atrevia a
roubar aquele leite ou a fazer qualquer bobagem com ele. Eram outros tempos
que, infelizmente, se foram.
Pois o vendedor que oferecia essas mercadorias de porta
em porta, carregava consigo uma balança (absolutamente confiável) que utilizava
para pesar e conferir os pesos das mercadorias vendidas.
Bons tempos aqueles. Marcas do que se foi.
Por vários motivos – principalmente econômicos – a
bicicleta era um meio de transporte muito utilizado em muitas cidades
brasileiras. Contrastando com os dias atuais, era comum alguém ficar as tardes
de sábados e/ou domingos limpando a bicicleta, tal como muitos fazem hoje,
limpando os carros.
Longe do trânsito caótico que tem as cidades
atualmente, também longe da poluição sonora que enfrentamos no dia-a-dia, era
comum um motorista de carro escutar normal e nitidamente o “trim-trim” da
campainha da bicicleta pedindo passagem ou alertando o pedestre.
Outros ciclistas preferiam usar a buzina em forma de
corneta com uma parte de borracha. Essa fazia mais barulho.
Marcas do que se foi. Tempos bons que dificilmente
voltarão.
A caneta esferográfica foi uma grande novidade, quando
apareceu no final dos anos 50 em quase todas as cidades brasileiras. Marca Bic
em várias cores, escrita fina e escrita normal. Foi uma verdadeira revolução
para a escrita.
Antes disso, a maioria preferia o uso da caneta
tinteiro. Havia uma marca preferida: a Parker que ganhava ainda mais status,
quando era acompanhada de um tinteiro de tinta também da marca Parker.
Por anos, pais e padrinhos presenteavam filhos e
afilhados com estojos belíssimos de canetas Parker. Muitos presenteavam com a
marca folheada a ouro, o que enobrecia mais ainda o presente.
Marcas do que se foi. Tempos que não voltarão. Jamais.
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