Vovó sempre nos dizia que não podemos (nem devemos)
levar a vida, sempre tão a sério.
- Meu fii, veis pô ôtra, é preciso brincar, farunfar,
virar bananeira e até, quandi tive muié, fazê uma brincadeirinha de arremeter!
O João, teu avô, gostava de arremeter! Arremetia que era uma maravía! Eu chega se
me mijava todinha, e num era de sirrir não... é por causa de que era bom além
da conta!
Era quase sempre assim que minha falecida Avó dominava
o ambiente nos fins das tardes de sábado, na latada da casa, arrodeada de
netos, bisnetos e sobrinhos que acorriam para escutar as prosas da velha.
Desavergonhada que só, a minha vozinha. Falava qualquer coisa e para qualquer
pessoa, sem nenhuma cerimonia.
Desbocada, quando ficava irritada com alguma mulher,
mandava lavar os pratos ou uma trouxa de roupa – por entender que dar a
prexeca, era um prazer que nem todas mereciam. Dar a prexeca, sim. Mas, sentir
prazer dando a prexeca, ela achava que não era para qualquer uma.
E Vovó conheceu o intragável Jurubeba, e sempre fazia
questão de dizer que, na Terra, jamais vira alguém tão grosso, ignorante, brabo
feito uma galinha choca ou uma cadela Doberman quando alguém lhe fustiga os
filhotes.
Eis que, numa passagem a caminho não se sabe de onde –
provavelmente na direção da venda para tomar uma talagada, se o bodegueiro lhe
fiasse – Jurubeba apeou do jumento sem cela e sem encilhamento nenhum, enquanto
ele, confirmando a grossura do seu comportamento usava acima dos dois pés duas
esporas que tangeriam até um elefante. Imagine aquele pobre jumento!
Jurubeba apeou e pediu água. Vovó chamou um dos netos
(eu, claro!) e mandou trazer água para o passante, recomendando:
- Meu fii, traga naquela caneca vremeinha, que tá
separada prumode seuvir água para os passantes, visse!
Na verdade, Vovó não servia água a ninguém nas canecas
utilizadas pelos de casa. Dizia que aquilo era por que, “não sei adindonde esse
andou com a boca, né não? – adispois, num quero neto meu pegano sapim!”
Depois de beber toda a água da caneca “vremeia”,
Jurubeba começou a voltar para a montaria. Mas antes de montar, perguntou:
- Siá Raimunda, vosmicê sabe onde é que mora a Dona
Auxiliadora?
No que a Vovó, achando estranho, perguntou:
- Hômi, quem diabos é Auxiliadora?
- É aquelazinha de cabelo fogoió, que mija in pé,
siora!
- Hômi, dexe de saliência cas mulé dos zoutros! Vosmicê
veve percurano vê cuma que mija as mulé daqui, é? Vamo, se arrexe, vá simbora
daqui, seu traste!
Mas, os fatos que colocam merecidamente o Brasil na
posição de destaque da mediocridade mundo à fora, não estão apenas na formação
diferenciada da cultura do seu povo. Tampouco tem aspecto positivo pela
competência dos seus gestores, desde o dia 22 de abril de 1500 até o dia de
hoje.
O Brasil é algo inexplicável. Ou, que pode até ser
explicado, mas com explicações injustificáveis.
E os nossos governantes são de uma competência tão
marcante que, nos últimos 13 anos descobriram e implantaram métodos
educacionais que, aplicados em todas as camadas sociais estão produzindo
resultados exuberantes que acabam de colocar o Brasil no mais alto patamar de
desenvolvimento. Vejam algumas pérolas pescadas nas últimas provas do ENEM:
"As
aves tem na boca um dente chamado bico".
(Cruz credo.)
(Cruz credo.)
"O
nordeste é pouco aguado pela chuva das inundações frequentes".
(Verdade: de São Paulo até o Nordeste, falta construir aquadutos para levar as inundações.)
(Verdade: de São Paulo até o Nordeste, falta construir aquadutos para levar as inundações.)
"Os
Estados Unidos tem mais de 100.000 Km de estradas de ferro asfaltadas".
(Juro que eu não li isso.)
(Juro que eu não li isso.)
E, para fechar a postagem de hoje, quem quiser pode
pesquisar na Net e certamente vai encontrar a delicadeza de motoristas de
ônibus urbanos e com quanta avidez ajudam no embarque e desembarque de
passageiros cadeirantes, em quaisquer situações.
Tal qual o cavalheiro na foto acima, prestimoso,
educado e ávido para ajudar no embarque da senhorita no helicóptero.
Somos ou não, um país que merece ocupar o lugar em que
estamos ocupando hoje, principalmente, na economia, na saúde, na educação e na
transparência das atitudes governamentais?
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