Por Agência Estado
O juiz federal Sérgio Moro condenou nesta
segunda-feira, 1º de fevereiro, o ex-diretor de área Internacional da Petrobras
Jorge Luiz Zelada a 12 anos e dois meses de prisão pelos crimes de corrupção
passiva e lavagem de dinheiro. Moro condenou, ainda, o lobista João Augusto
Rezende Henriques, apontado como operador do PMDB na estatal e aliado do
presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a seis anos e oito
meses de reclusão. Foram condenados também Eduardo Costa Vaz Musa, ex-gerente
da estatal petrolífera, a dez anos de reclusão, e Hamylton Pinheiro Padilha
Júnior a oito anos de prisão.
Segundo a denúncia da Procuradoria da República,
Zelada, na condição de Diretor Internacional da Petrobras, e Eduardo Musa,
gerente da área internacional da Petrobras, aceitaram propina de cerca de US$
31 milhões de Hamylton Padilha e de Hsin Chi Su Nobu Su, para favorecer a
contratação, em 22 de janeiro de 2009, da empresa Vantage Drilling Corporation
para afretamento do navio sonda Titanium Explorer pela Petrobras ao custo de
US$ 1,81 bilhão.
Moro decretou o confisco de R$ 123,6 milhões dos
saldos sequestrados em duas contas em nome de Zelada e da offshore Rockfield
International, constituída no Panamá, no Banco Julius Baer, no Principado de
Monaco, com saldo total de cerca de 11,6 milhões de euros.
"As contas receberam os ativos criminosos
decorrentes da propina paga no contrato que é objeto da presente ação penal e
que há indícios de que receberam propinas também decorrentes de outros
contratos da Petrobras, estando sujeitos os saldos à decretação de confisco em
outras ações penais, o que significa que, apesar do elevado valor, não
necessariamente será o confisco ora decretado suficiente para restituir à
vítima o produto dos crimes que constituem objeto deste feito", registrou
o magistrado.
Na sentença, o juiz Moro assinalou: "No que se
refere à Jorge Luiz Zelada, reitero a existência de provas de que seria titular
de outras contas em nome de offshore no exterior e que não tiveram os saldos
sequestrados por este Juízo, como as contas na Suíça (duas pelo menos), havendo
também transferências dele significativas para contas na China e que podem ter
como destino contas por ele controladas no referido país. As provas são de que
ele movimentou seus ativos criminosos em 2014, já durante a investigação da
Operação Lava Jato, tentando colocar seus ativos criminosos a salvo no
Principado de Monaco, o que por si só representa a prática de novos atos de
lavagem durante a investigação e tentativa de frustrar a aplicação da lei
penal."
O juiz da Lava Jato destaca que Zelada foi
denunciado em novas ações penais "e por novos esquemas criminosos, pela
prática de novos crimes de corrupção".
Em relação a João Augusto Rezende Henriques, o juiz
federal observou "a persistência do risco à aplicação da lei penal, já que
mantém diversas contas offshores no exterior (pelo menos duas na Suíça) cujos
saldos ainda não foram sequestrados por este Juízo, tendo condições de frustrar
a recuperação do produto do crime".
Quando foi preso na 15ª fase da Lava Jato, a Operação Mônaco,
Zelada teve 10 milhões de euros em contas no exterior bloqueados. Ele teria
feito também transferências significativas a contas da China.
Cunha - Sérgio Moro alertou
para 'indícios de profissionalismo na prática de crimes de corrupção e
lavagem'. O magistrado destacou 'a gravidade em concreto não só do crime que é
objeto da presente ação penal, mas dos crimes por ele admitidos como o
pagamento de propina ao atual presidente da Câmara dos Deputados, terceiro na
linha da sucessão presidencial'. O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é
alvo de investigação na Procuradoria Geral da República. Ele nega.
Defesas - Em suas alegações
finais no processo, Jorge Zelada, por meio do criminalista Nélio Machado,
argumentou que "não se configurou o crime de corrupção" e "que
não houve irregularidades" na contratação do navio-sonda da Vantage.
Argumentou que não houve prejuízo à Petrobrás e que os delatores e réus no
processo Hamylton Padilha e Eduardo Musa disseram que nunca trataram
diretamente com Jorge Zelada sobre a propina.
Por fim, a defesa pede a absolvição de Zelada. O
criminalista alegou ainda que o juiz Sérgio Moro "é incompetente" e
"suspeito para julgar o caso".
A defesa do acusado de operar propinas ao PMDB João
Augusto Rezende Henriques argumentou em suas alegações finais que
"mantinha amizades na Petrobras, por ter trabalhado na empresa, mas
não praticou ilícitos criminais". Ele defende que suas consultorias via
Trend Empreendimentos foram licitas e "que não há prova material do
crime". A defesa pede a "absolvição e a revogação da prisão
preventiva".
Reincidentes - Zeladas e Henriques
já tinham sido condenados a quatro anos de prisão em regime semi-aberto
por fraudar licitação para beneficiar a construtora Odebrecht, causando milhões
em prejuízo à Petrobras.
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